Saturday, June 30, 2012

Tesão pura e dura



Foderam como animais, perdidos nos instintos e no cheiro das memórias antigas. Das primeiras!
Não acreditavam poder esquecer mas a fúria ou fome ou angústia de perda reflectiam dessa impossibilidade! Sedentos, miravam-se de olhos colados à pele dos olhos da pele do outro.Íris afundada na íris, oval semicerrada.
-Quero-te! - era palavra nenhuma, eram grunhidos e fonemas, sim, eram fonemas e não um quero-te, fonemas que significavam "foder" ou "comer" ou "sangrar" e todo o resto era derme arrepiada na derme a escaldar. Sexo que irrompe caudal, lascívia, corropio louco de doideira. E fome da fome toda que tiveram e que iriam ter.
Suspiros e suor, o cansaço ao fim de perto duas horas tomou conta de ambos. E uma estranheza de gente e não de animal tomou conta do espaço.
Nos braços do outro, toda a eternidade se encolhia.
Amanhã não existiria, não naquele cheiro, naquele corpo, naquela dimensão de química.
Deixaram-se fechar os olhos e sentir o cansaço tomar conta deles. Mas ali naqueles corpos, sentiam-se em casa.

1 comment:

Cactus@Cactusfacts.com said...

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