Tuesday, May 22, 2012

Friday, May 18, 2012

Monday, May 14, 2012

As regras da sensatez

Catastroika



O novo documentário da equipa responsável por Dividocracia chama-se Castastroika e faz um relato avassalador sobre o impacte da privatização massiva de bens públicos e sobre toda a ideologia neoliberal que está por detrás. Catastroika denuncia exemplos concretos na Rússia, Chile, Inglaterra, França, Estados Unidos e, obviamente, na Grécia, em sectores como os transportes, a água ou a energia. Produzido através de contribuições do público, conta com o testemunho de nomes como Slavoj Žižek, Naomi Klein, Luis Sepúlveda, Ken Loach, Dean Baker e Aditya Chakrabortyy. 
De forma deliberada e com uma motivação ideológica clara, os governos daqueles países estrangulam ou estrangularam serviços públicos fundamentais, elegendo os funcionários públicos como bodes expiatórios, para apresentarem, em seguida, a privatização como solução óbvia e inevitável. Sacrifica-se a qualidade, a segurança e a sustentabilidade, provocando, invariavelmente, uma deterioração generalizada da qualidade de vida dos cidadãos.
As consequências mais devastadores registam-se nos países obrigados, por credores e instituições internacionais (como a Troika), a proceder a privatizações massivas, como contrapartida dos planos de «resgate». Catastroika evidencia, por exemplo, que o endividamento consiste numa estratégia para suspender a democracia e implementar medidas que nunca nenhum regime democrático ousou sequer propor antes de serem testadas nas ditaduras do Chile e da Turquia. O objectivo é a transferência para mãos privadas da riqueza gerada, ao longo dos tempos, pelos cidadãos. Nada disto seria possível, num país democrático, sem a implementação de medidas de austeridade que deixem a economia refém dos mecanismos da especulação e da chantagem — o que implica, como se está a ver na Grécia, o total aniquilamento das estruturas basilares da sociedade, nomeadamente as que garantem a sustentabilidade, a coesão social e níveis de vida condignos.
Se a Grécia é o melhor exemplo da relação entre a dividocracia e a catastroika, ela é também, nestes dias, a prova de que as pessoas não abdicaram da responsabilidade de exigir um futuro. Cá e lá, é importante saber o que está em jogo — e Catastroika rompe com o discurso hegemónico omnipresente nos media convencionais, tornando bem claro que o desafio que temos pela frente é optar entre a luta ou a barbárie.

Sampaio Bruno e o Messianismo



Artigo retirado daqui na íntegra e retocado ou "corrigido" para português, com a intenção de dar a conhecer o messianismo de Sampaio Bruno na óptica de um não português.
José Pereira de Sampaio, conhecido por Sampaio Bruno nasceu a 30 de novembro de 1857, no Porto, Portugal, onde viria a morrer a 11 de novembro de 1915, tendo-se formado em Medicina, em 1876.
 Aos quinze anos, já havia respondido a processos em tribunal por ter redigido nos folhetins O Vampiro e o Laço Branco, dois romances de ficção intitulados "Os Três Enforcados" e "Os Três Frades", tendo sido  libertado pelo mesmo dada a sua pouca idade. Aos dezassete anos publicou o seu primeiro livro "Análise da Crença Cristã", no qual afirmou que "um único momento de ociosidade de Deus iria constituir-se na sua imperfeição". Entendia Bruno que Deus é permanentemente activo e, portanto, perpetuamente criador. Nessa obra considerou o Catolicismo uma religião obsoleta, anacrónica e moribunda, e, em virtude dessa crença, determinou-se a demolir a estrutura teológica católica estabelecida. Esses conceitos, e outros de teor semelhante expostos na obra brunina, levantaram muita polémica, resultando saí imensos debates inflamados em torno de seu pensamento. Esses debates perduram até a contemporaneidade.
Tendo saboreado o prazer que a liberdade de expressão oferece, e consciente da importância e dos abalos que a sua obra causou, não parou mais de publicar as suas reflexões, quer sob a forma de artigos em jornais, quer sob a configuração de títulos de livros, exercendo substantiva influência sobre a geração da Renascença Portuguesa. Entretanto, é preciso ressalvar um traço marcante de sua personalidade: Sampaio Bruno era um homem extremamente tímido.O seu estilo de escrita ficou ancorado a esse factor, tornando-o num autor de difícil acesso e compreensão do pensamento lusíada ( irregular, prolixo e gongórico), recorrendo exaustivamente à oração intercalar e à inversão Não desejando, no seu íntimo, escandalizar a opinião pública, ainda que isso tenha acontecido com sua primeira obra, não expunha o seu pensamento com clareza, e na fixação gráfica de suas ideias, argumentava em dimensão inferior à importância dos temas em si.
Na sua obra três pontos são marcantes: a exaltação do amor, as relações inter-pessoais e a noção de liberdade. Talvez, para Bruno, o primeiro degrau da escada redentora do homem radique na auto-libertação e na mesma libertação de todos os seres, de tal sorte que essa redenção deverá se dar paralelamente e no seio de um envolvimento universal progressivo. Entretanto, deve-se assinalar que a própria categoria da liberdade nas lucubrações do Autor de A Ideia de Deus, para não resvalar para o puro egoísmo - o que fica evidente quando proclama e prevê uma redenção do próprio Universo - deve conjugar-se de uma forma ternária com relação à igualdade e à fraternidade. Nesse sentido, do homem se exige que ajude e se esforce para a eliminação do mal. Para Bruno, enfim, a liberdade é a natureza, o próprio destino do homem. Admitindo uma cisão herética(!?) entre Deus e o Universo criado, Sampaio Bruno rejeitou a omnipotência actual de Deus, mas subscreveu, contraditoriamente, o providencialismo, o profetismo e a escatologia. Esses temas estão explicitados em A Ideia de Deus (obra basicamente estruturada para se opor ao Deísmo Racionalista de Amorim Vianna) e em O Encoberto. Nesta última, ao discutir alegoricamente o Mito do Sebastianismo Português, expôs sua compreensão da filosofia da história portuguesa.
Exilou-se em Paris por dois anos (1891-1893) depois da sua participação como um dos mentores da fracassada Revolução Republicana de 1891. Ao retornar à Pátria, acabou por discordar do carácter positivista que passou a imperar no Partido Republicano do qual era membro. Afastou-se, por isso, da política nacional após o 5 de Outubro de 1910, para terminar seus dias como Diretor da Biblioteca Municipal do Porto, meditando sobre seus temas preferidos: religião e filosofia. Por seu espírito missionário, a sua vasta cultura, a sua excepcional actividade e a sua invulgar originalidade, tornou-se um ponto de referência insubstituível para a compreensão da história do pensamento português.
Como afirmou José Marinho no livro Verdade Condição e Destino no Pensamento Português Contemporâneo, com Sampaio Bruno, a filosofia portuguesa antecipa-se em pontos essenciais à poesia, à razão intuitiva, à imaginação simbólica. Ou como escreveu Aquiles Côrtes Guimarães no trabalho Em Torno da Questão do Absoluto no Pensamento de Sampaio Bruno: Singular em Sampaio Bruno é o facto de que, em momento algum, ele se desvincula do solo da cultura portuguesa para enfrentar [qualquer questão]. Por isto mesmo, não se trata de um filósofo que pensou em Portugal, mas de um pensador português comprometido essencialmente com os horizontes da cultura lusitana.[1]
Em vista disso, pensa-se que Sampaio Bruno seja um dos mais respeitados e admirados filósofos portugueses, e os seus escritos inserem-se nas reflexões do pensamento luso-brasileiro contemporâneo. Este trabalho, evidentemente, não poderia examinar todo o seu pensamento; por isso, ficou adstrito, basicamente, à sua Cosmogonia, que se estruturou, como se verá, em três momentos principais.

 A IDEIA DE DEUS

 Em A Ideia de Deus, obra que o Ilustre Pensador Portuense teria preferido que se intitulasse Amorim Vianna, seu interlocutor privilegiado, particular e preponderantemente no último capítulo denominado Mal e Bem, está minuciosamente delineado o seu pensamento metafísico. A primeira observação a fazer é sobre a estrutura da obra, que é composta de sete capítulos, formados de duas díades cada um, a saber: Filosofia e Metafísica; Matemática e Poesia; Superstição e Religião; Teologia e Moral; Contingente e Necessário; Infinito e Perfeito; e Mal e Bem.
Da obra global brunina, conforme já se teve oportunidade de referir, ressalva a preocupação do pensador com o tema da liberdade, e foi exactamente por isso - por defender a liberdade - que foi obrigado a se exilar em Paris. José Esteves Pereira discutiu em profundidade essa categoria, e como já foi assinalado, a ideia do progresso em Bruno, particularmente no que tange ao homem, é triádica, pinçando-a e a amalgamando a duas outras: igualdade e fraternidade.[2] Esta postulação constitui-se em um dos pilares primordiais do pensamento filosófico do Especulativo Portuense. Por suas posições precisas e corajosas, Leonardo Coimbra viria a cognominá-lo Apóstolo da Liberdade.[3] Nesse particular, não há exagero de Leonardo. É ainda Esteves Pereira que chama a atenção para a reflexão brunina no que concerne ao binómio LIBERDADE versus AUTORIDADE, e as possíveis articulações de princípios e regimes. O Esquema que será apresentado a seguir resumirá esse tema .[4]
Das diversas categorias observadas no Esquema 1, conclui-se que é evidente que jamais poderia ter sido monárquico, comunista ou anarquista. Para se arrematar esse tema (entretanto sem se ter a pretensão de esgotá-lo), fica-se com a ideia de Bruno sobre o futuro, cuja glória, pontuou o Filósofo, será alcançar Unidade na Liberdade.[5]

 

CATEGORIAS
Autoridade
Liberdade
Monarquia ou Patriarcado 
(governo de todos por um só)
Democracia 
(governo de todos por cada um)
Panarquia ou Comunismo 
(governo de todos por todos)
Anarquia 
(governo de cada um 
por cada um)
Esquema 1: Autoridade x Liberdade


       Mas o ponto mais polêmico, mais discutido e mais pensado da obra brunina aparece exatamente no livro A Idéia de Deus, no qual o Filósofo propôs uma via especulativa para a existência do Universo, que só aconteceu e se mantém, devido à primitiva existência de um Ser Homogêneo a ele superior, e, portanto, que o excedia e excede. Do que se revisitará a seguir, percebe-se que não poderia concordar com Amorim Vianna quando este afirmou: Deus é permanente e não muda: ‘est, non fit’. Se alguma concordância há com o Racionalismo Deísta do autor da Defesa do Racionalismo ou Análise da Fé, é o retorno do Absoluto à Sua homogeneidade inicial. Assim, se Vianna entendeu que Deus é, Bruno viria a admitir que Deus seria novamente. A percepção de Bruno para este acontecimento é, a juízo deste leitor apaixonado das reflexões bruninas, surrealisticamente triádica, e, portanto, ancora-se em três momentos distintos e peculiares. Assim deixou gravado seu esquema cosmogónico:
No princípio era a Perfeição, o espírito homogéneo e puro. No segundo momento, mercê do efeito dum mistério, temos o espírito diminuído e a seu par a diferença que se tornou heterogénea, isto é o mundo. No terceiro momento, reintegrar-se-á o espírito puro, pela absorção final de todo o heterogêneo. Assim, três são os instantes supremos do crescimento. Um: é o espírito homogéneo e puro, que foi e há-de voltar a ser. Eis o ponto de partida e eis o ponto de chegada. Outro: é o espírito puro, mas diminuído actualmente pelo destaque separativo do Universo. Enfim, o outro ainda: é esse Universo, que aspira a regressar ao homogéneo inicial.[6]

HOMOGÉNEO—› HETEROGÉNEO—›HOMOGÉNEO
 

PERFEIÇÃO—› IMPERFEIÇÃO—› PERFEIÇÃO

       Exagero ou não, pode-se pensar em admitir que A Ideia de Deus foi articulada para alcançar esse clímax, ou seja: a proposta brunina para a existência de Deus e, consequentemente, para a própria criação do Universo e dos seres brotou antes, tendo se constituído, possivelmente, no mote para a elaboração da obra como um todo. Realmente, sem se pensar em minimizar o esforço e o mérito desse insurreto Quixote Português, o livro ora referenciado, smj, poderia resumir-se tão-só ao último capítulo - o Mal e Bem. Este é o ápice da metafísica brunina, o ponto nuclear da sua meditação. Conjecturando, talvez o Autor tenha pensado que não seria dada a devida importância a uma mensagem tão extravagantemente heterodoxa e sobrenaturalista em um livreto de poucas páginas. E assim preferiu elaborar uma obra mais densa e de tomo, na qual destilou toda sua insurgência contra a tradição teológica, metafísica e científica vigentes. Fez muito bem. Presentemente, o autor deste modesto rascunho, quase um século e meio depois do nascimento de Bruno, especula sobre suas especulações. Assim é a trajetória da Filosofia.
Voltando à coluna vertebral da cosmogonia brunina, algumas considerações devem ser feitas relativas a cada um dos três momentos por ele anunciados. Primeiro Momento: Deus existe. No início Ele era a Plena Consciência. Era Omnipotente; era Invariável, Homogéneo, Infinito e Puro. Francisco da Gama Caeiro, percucientemente, entendeu que a única noção acessível deste Momento é a de tempo, e como não poderia ser diferente, com os mesmos atributos.
No segundo Momento: ocorre a instabilidade, e acontece uma preliminar mudança de atributos. Deus, lentamente, vai deixando de ser Omnipotente para se ir tornando Omnisciente. Inicia-se uma diferenciação de parte do Espírito Puro. No segundo momento, do Espírito Puro diminuído fluem para o Espírito Alterado (tempo alterado ou heterogéneo, matéria, mundo e movimento) permanentes emanações que o penetram, o depuram e o incitam a retornar e a perseguir a reintegração. Segundo Bruno, as emanações oriundas do Espírito Puro diminuído não prevaricam à medida que penetram no Espírito Alterado e se afastam de sua origem. O movimento é o início e o fundamento para o regresso ao Espírito Homogéneo. E assim, em consequência de sua diminuição, Deus - segundo Bruno - sofre da diminuição do espírito puro e do mal da criatura. Por isso, o homem deve libertar-se a si, libertando os outros homens; decorrendo dessa linha de raciocínio oriunda de uma compreensão à qual Bruno denominou de verdade maior, foi possível ao filósofo compatibilizar providência, milagre e oração, tendo, por isso, ou também por isso, colocado o pensador portuense em franca oposição e em rota de colisão com o Deísmo Racionalista de Amorim Vianna. Assim deixou Bruno gravado em A Ideia de Deus: A oração é a aspiração do espírito alterado para o espírito puro; subordina-se a uma lei transcendente de atracção. O milagre é a emanação que impulsiona o espírito alterado a avançar na libertação. A Providência é o concurso do espírito puro diminuído com o espírito alterado para, pela libertação deste, se completar, reintegrando-se o Absoluto.[7]
Do exposto, nota-se que, em Bruno, fé e razão são harmónicas, porque Deus e homem haverão de se encontrar, e a Verdade, observa Caeiro, brotará dessa síntese, e, assim, ambas são termos analíticos de uma mesma Razão. Objecta-se, todavia, terminantemente, a essa linha de justificativa, porque, ressalvada compreensão mais avançada da qual não se possui elementos para concordar, entende-se, que a fé é um acto unilateral e solitário de exclusão da razão — é a própria deserção consentida da razão — e só pelo conjunto de dogmas e de doutrinas de uma dada religião, pelas diversas variantes de argumentos autoritários, pelo infundado medo do desconhecido e pela infantilidade abstrusa de desejar agradar a Deus ou aos seus presumidos e auto-nomeados representantes, alguém pode abrir mão da sua LIBERDADE (o que se configura em uma incoerência no pensamento de Bruno), e se deixar cercear por essa virtude teológica, que só pode interessar aos detentores do poder teológico, qualquer que seja a origem, a natureza ou a confissão. A fé só cabe se ancorada em e derivada de uma EXPERIÊNCIA PESSOAL que a justifique. Ainda assim, nada é definitivo na humana caminhada. O ser humano obriga-se a estar alerta para novas descobertas, e o que hoje pode ter aparência de coisa absoluta, amanhã poderá se modificar. Só o tolo tem compromisso inamovível com as ideias que engendrou ou engendra. Leonardo Coimbra reflectiu magistralmente sobre esse tema e que será examinado em Filosofia Portuguesa V. A ciência, por outro ângulo, mostra isso a cada instante. Enfim, na visão brunina, a meta universal do estado de coisas que representa o Segundo Momento é o retorno ao Primeiro Momento. O Heterogéneo deseja, precisa e há-de se reintegrar no Homogéneo inicial. A ansiedade pela volta à origem é permanente; a aspiração dessa essencial espiritualidade, segundo Bruno, ainda que rebelde, constitui-se em um facto não recorrível; a reabsorção no Puro Bem associa nessa trajectória Homem e Universo. Ora, não se pode, terminantemente, concordar com essa especulação, pois, o mal é uma ilusão fabricada própria da humana ignorância. Disto se serve a senda esquerda ou negra. A Divindade e o próprio Universo estão ancorados em Leis Eternas, Imutáveis, onde não é possível equilíbrio, Irredutíveis, que, em última instância,são independentes da limitada razão humana. São o que são, sempre foram e sempre serão. Deus e o Universo não se amoldam à compreensão do ser; é o ser que, por um supremo esforço e pelo mérito, vai, paulatinamente, compreendendo a consistência da Criação e realizando sua reintegração na Consciência Cósmica, da Qual, em realidade, nunca esteve desvinculado, afastado ou excluído. A famosa formulação de Protágoras o homem é a medida de todas as coisas precisa ser melhor examinada e comparada com os pensamentos de Santo Agostinho (Si fallor sum: se erro, existo) e de Descartes (Cogito, ergo sum: Penso, logo existo). Se, porventura, alguém se engana ao somar 1 + 1, ao perceber que se enganou, tem a possibilidade de corrigir o erro cometido, mas, enquanto ser pensante (res cogitans), isto lhe garante que existe. Fica, entretanto, uma questão em aberto: por pensar, o ser sabe que existe ou por existir pode pensar? O que se sabe realmente a respeito dos minérios e minerais, vegetais e animais? Pensarão todos? De qualquer sorte, parafraseando um belo pensamento de Nadime L'Apiccirella, estudante de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, a crueldade e a fraternidade estão em lados opostos, entretanto ligadas por uma ponte: a responsabilidade e a consciência de que somos todos irmãos. Precisamos, assim, estar alertas com nossos pensamentos, pois podem gerar palavras, actos e escolhas que não são, em si, harmônicos com a HARMONIA CÓSMICA. A única limitada possibilidade de compreensão parcial do funcionamento do Teclado Universal é pela Via Transnoética. Limitadíssima, pois o ente, nesta Ronda, ainda não completou sequer a integralidade consciente de seus sete membros constitutivos. Por último, é preciso ser compreendido que o ser descodifica as impressões transnoéticas acessadas de acordo com sua capacidade de apreensão. Logo, ainda que a LEI seja uma e única, cada ente a realiza de forma pessoal, sendo, ipso facto, intransferível em sua totalidade (talvez, nem em parte) para outro ente. Esta argumentação não se esgota aqui. É o começo de uma grande peregrinação. 
O Terceiro Momento: tendo em vista a aspiração do heterogéneo se reintegrar no Homogéneo, a reintegração acontecerá. O espírito retomará sua homogeneidade inicial e primordial. Assim, pode-se inferir que a trajectória metafísica Homogéneo-Heterogéneo-Homogéneo é equivalente, mercê do efeito de um mistério, ao retorno circular Omnipotência-Omnisciência-Omnipotência. Resumindo:

 OMNIPOTÊNCIA—› OMNISCIÊNCIA—› OMNIPOTÊNCIA

Sem se pretender de forma alguma esgotar a análise, melhor, a revisitação do pensamento metafísico brunino, até porque a finalidade desta pesquisa tangencia outro enfoque ainda que adentro da Ciência Primeira, encerrar-se-à este item com um exame sintético da díade mal e bem. Segundo Sampaio Bruno o homem não poderia ter a ideia de bem se não tivesse a idéia de mal. E o próprio triunfo episódico do mal, segundo seu entendimento, levou-o a concluir que a Omnipotência de Deus, como se viu, havia se comprometido, tendo toda ela diminuído, talvez, melhor, se modificado, decaindo tal atributo para um plano inferior por assim dizer, ou seja, para a classe tão-só de Omnisciência. Para o Especulativo Portuense os conceitos ou noções de várias categorias têm sido sistematicamente invertidos, isto porque, segundo ele, os idealismos optimistas laboram todos no equívoco derivado da concepção unitariamente absolutista do seu, reciprocamente refractário, dualismo irredutível. Contrariando o Ecletismo de Cousin (e nisso se aproximou de Cunha Seixas, ainda que este último também tenha sido um eclético superlativo), entendeu que fealdade, erro e mal são noções positivas; e, por outro lado, negativos são os conceitos de verdade, beleza e bem. A saúde é, portanto, uma idealidade, sendo a doença o estado normal do homem.[8] Talvez se possa debitar essa linha não-reciclada e angustiosa de raciocínio ao próprio estado de saúde de Sampaio Bruno, que, ao longo da vida, nem sempre foi dos melhores, e, também, ao fato de, no final de sua existência, padecer de mal tormentoso, mas que, por timidez própria de sua personalidade, não foi sanado, nem em tempo, nem por um especialista que se impunha. Recorda-se que A Ideia de Deus foi publicada em 1902, treze anos antes de seu prematuro falecimento. Outra possibilidade que, ou anula ou se soma à primeira, foi o lance de, ainda muito jovem, ter sofrido a sua possível primeira grande agressão — o exílio. Outros aspectos de sua vida pessoal podem ser apontados como prováveis propiciadores e estimuladores dessa linha não-ortodoxa de tratar a Metafísica como, por exemplo, as injustiças cometidas contra seu pai, a brutalidade pedagógica imposta por seus professores nos tempos de escola e a clara audiência de que era portador. Sabe-se, hoje, que a para-normalidade (mal administrada) pode acarretar, em alguns casos, sérios distúrbios de personalidade. Se esse foi o caso de Bruno, adjectiva ou substantivamente, pode-se apenas presumir.
E é por isso, conforme se apontou anteriormente, que Bruno entendeu que a ideia de bem só pode ser sentida comparativamente à de mal. O mal existe para que o ser possa formar juízos e, nessa direção, Bruno entendeu que resulta um paradoxo sarcástico negar a existência do mal neste nosso Universo.[9] A grande questão é examinar se o mal existe em si e por si, ou se é produto de desarmonias e de insanidades. Acho que, anteriormente, deixei 'no ar' essa matéria. 
Ao término desta sucinta análise, deseja-sefrisar os entendimentos de Aquiles Cortes Guimarães e de Eduardo Silvério Abranches de Soveral. O primeiro classifica o autor d’A Idéia de Deus como um filósofo de ruptura. Já o segundo, como de aprofundamento. O ponto de partida das reflexões de Soveral é a análise do que entendeu Sampaio Bruno do Catolicismo. Recorda que a Análise da Crença Cristã constitui-se em violenta diatribe contra o Catolicismo. Em A Geração Nova, alguns pontos, segundo Soveral, mantiveram-se intocados; outros sofreram alterações conceituais. No que concerne à Gnoseologia não há grandes alterações; relativamente à Cultura, permanece uma subordinação ao ideal iluminista; e quanto ao Progresso, esta obra veio confirmar e desenvolver algumas teses subscritas na ‘Análise da Crença Cristã’, e negar outras.[10]
Depois da publicação dessas duas obras, relata Soveral baseado nas próprias declarações do Autor Portuense, Sampaio Bruno passou por experiências insólitas de natureza paranormal, mediúnica ou sobrenatural. Não importa como se as interprete ou classifique, mas o fato marcante foi a convicção adquirida por Bruno da existência de seres supra-terrestres. Dessa forma, observa Soveral:
... se abriu à sua razão experimental, ao seu deísmo ético e à sua metafísica meramente cultural, a nova visão de um monismo teológico, que permitiu uma ‘segunda navegação’ gnoseológica e impôs uma missionação de cariz religioso cujos procedimentos deveriam ser simultaneamente herméticos e racionais.
É certo que superou uma posição materialista-culturalista, que só aceitava uma metafísica de raiz experimental, e considerava Deus com a mais alta e fecunda idéia do Homem, como o ideal onde as mais belas virtudes eram elevadas ao infinito. A indecisão ontológica das idéias e da cultura foi ultrapassada. Ao materialismo inicial sucedeu um panteísmo espiritualista. Mas, ainda neste, a condição humana ficou indecisa e frustrada, sem atingir o ápice de sua dramaticidade existencial que consiste precisamente na tomada de consciência de que é na salvação de cada homem ‘concreto’, na decifração ‘pessoal’ do destino Humano, que está o cerne da religiosidade, ou, se preferirmos, da relação essencial que liga a Humanidade ao Absoluto. E essa limitação foi-lhe imposta pela fidelidade às posições mestras de que expôs logo na 'Análise da Crença Cristã': o repúdio, por absurda, da tese da criação a partir do nada, da noção de pessoa etc. Foi vítima enfim, da forma preconceituosa e hostil como analisou o Cristianismo, negando antecipadamente às suas doutrinas a possibilidade de terem valor filosófico.[11]
Ainda que se concorde com Soveral de que a indecisão ontológica das idéias e da cultura tenha sido ultrapassada, e de que do materialismo tenha n’A Idéia de Deus brotado um Panteísmo Espiritual, não se pode concordar que seja na salvação de cada homem concreto que esteja o cerne da religiosidade, nem a relação essencial que liga a humanidade ao Absoluto. Se foi hostil ou não a forma como Bruno analisou o Catolicismo, certamente que preconceituosa não foi. Foi possivelmente, inusitada, infirme, inverossímil e até, substantivamente contraditória e insustentável, pois o que é onipotente é tudo, inclusive onisciente. E o que é omnipotente não pôde, não pode e não poderá ser menos do que onipotente. E se se chega ao limite de admitir o Absoluto como Omnipotente, na onipotência estão inclusas a onissapiência, a oniparência, a omnipresença e a omnividência. De passagem, não se pode, jamais, deixar de ter em mente, que ao conjeturar sobre a Divindade e seus modos de expressão, o homem utiliza categorias e avaliações humanas, que são apenas reflexos ilusórios e/ou distorcidos dessa mesma Divindade, da qual o próprio homem ainda se encontra em um estágio placentário de compreensão, de realização, de ascensão e de reintegração. Assim, especulativamente, se se valorar com o número 1 (um) cada um dos atributos mencionados, a soma, só por equívoco ou desatenção, pode ser interpretada como igual a 5 (cinco). Omnipotência + omnissapiência + omniparência + omnipresença + omnividência são iguais a UM, ou seja, OMNIPOTÊNCIA (1 + 1 + 1 + 1 + 1 = 1). Pode-se usar a própria Trindade para, comparativamente, reforçar e melhor esclarecer a asserção anterior, ou seja: Pai + Filho + Espírito Santo = ABSOLUTO. Não que o Absoluto dependa de cada parte em si, ou de cada uma das Pessoas que constituem a própria Trindade, para ser e permanecer absoluto. Em realidade, o Absoluto é Uno porque é Trino e é Trino porque é Uno. Esta última afirmação pode, aparentemente, estar em contradição com a anterior, mas se se trocar o vocábulo dependência por interdependência, então, neste caso, talvez se possa compreender melhor a Lei do Triângulo. Nesse lineamento especulativo entende-se que Pai + Filho + Espírito Santo = UM, ou seja, 1 + 1 + 1 = 1, ou que, Pai = Filho = Espírito Santo = ABSOLUTO.[12] Em última instância: o Pai é, o Filho é, o Espírito Santo é, e o Absoluto, consequentemente, é. E se o Absoluto é, o próprio tempo é também. Não houve o antes, não haverá o depois. Passado e futuro são dimensões afeitas exclusivamente ao género humano, como também o é o próprio espaço. Espaço e tempo são apenas construções da mente humana (nesse particular, acolhe-se o pensamento de Amorim Vianna). Com o advento da Teoria da Relatividade, o entendimento sobre o espaço e sobre o tempo passou, na verdade, a ser representado por um contínuo espaço-tempo quadri.dimensional. Agora, a admissibilidade de que a Omnipotência de Deus mercê do efeito dum mistério(!?) tenha se alterado, se apoucado ou se subtraído a si própria, e se reduzido tão-somente à omnisciência, pode, smj, ser admitida como uma ponderação ilógica, artificial, insustentável e inaudita, jamais como preconceituosa. Sacar do nada uma afirmação como essa, tendo por base, exclusivamente, o apoio da expressão mercê do efeito dum mistério, é arremessar ao vazio os cânones do pensar filosófico e desconhecer o mais elementar (mas de veracidade insubstituível) princípio esotérico: Assim como em cima, é em baixo. Na verdade, é e não é. Por isso, o raciocínio noético utilizado algumas linhas atrás, para contraditar o absurdo brunino, é, ao mesmo tempo, também, talvez absurdo, e, provavelmente, inverosímil. O exercício filosófico que se propôs, pode entusiasmar o aprendiz não preparado, mas não convencerá o místico evoluído, nem o iniciado ou o ocultista autênticos. Omnipotência, onissapiência, omniparência, onipresença e onividência são, tão-somente, entre outros, meros vocábulos dialeticamente derivados das especulações teo-onto-gnosiológicas da mente objetiva (ou subjetiva, que nada mais é do que um degrau acima da objectiva), que expressam o estágio psicológico e espiritual-religioso da consciência do ser singular, no sentido de tentar compreender a ilimitabilidade cósmica (in)criada, relativamente à Divindade (abstracta ou concreta), que presumidamente a criou. Se a criou! Mas, ainda que Bruno, presumidamente, nada tenha conhecido da Tradição Primordial, reconhece-se e se aplaude seu arrojo propugnador, já que a própria Tradição, também, paradoxalmente, desvela-se subtilmente no âmbito do contraditório. Por tudo isso, agasalha-se o pensamento de Aquiles Guimarães. Sampaio Bruno, compreende-se, foi um pensador de ruptura, que independente de qualquer juízo ou análise – por mais duros e veementes que sejam – que se faça de sua obra, revelou-se sim, e aí se concorda com Soveral, um verdadeiro Missionário e Herói Português, que dedicou sua vida ao progresso moral e material da humanidade, e, em particular, do seu País. Numa análise contemporânea, o próprio Soveral, insere-se nesta categoria de pensadores. Este autor declara-se saudoso da convivência amiga e fraterna de que desfrutou com o Insigne Portuense Eduardo Soveral. Foi em um modesto restaurante na Cidade do Porto, bebericando Água Mineral Luso, por mais de quatro horas, que recebeu sua primeira magna aula sobre Filosofia Portuguesa. Inesquecível momento de reflexão, de aprendizado e de bondade. Irrefragavelmente, Soveral encontrou o Céu de sua compreensão. Estará filosofando com Sampaio Bruno?
Prosseguindo: Até porque, manter posições irreduzíveis, encastelar-se em princípios irredutíveis, constitui-se em um coisismo, como, em sequência, já se afirmou, diria Leonardo Coimbra. E, em Bruno, percebe-se, há mudança, há aprofundamento em muitas de suas teses juvenis. O que não significa que não tenha havido ruptura. Aliás, o que mais se observa em A Ideia de Deus é um fabuloso rompimento que jamais sofreu reconciliação com a dogmática católica. Cunha Seixas representou outro exemplo de filósofo de ruptura, pois tendo também se insurgido contra a divina religião, dela se afastou e formulou, como se reviu, um sistema espiritualista original, cuja ontognoseologia contrasta vertical e horizontalmente com sua formação religiosa iniciada no seio da família, em Trevões, e que haveria de se esgotar, mais tarde, em Coimbra, quando, inclusive, decidiu abandonar o Curso de Teologia que havia iniciado. Domingos Tarrozo é outro filósofo que se insere nessa categoria, e sua Filosofia da Existência precisa ser melhor examinada pelas elites pensantes, portuguesa e brasileira. Ousa-se afirmar que há mais coerência na cosmogénese tarrozina, do que na metafísica heterodoxa de Bruno, ainda que teleologicamente otimista, ainda que a teleologia seja uma contradição da noesis. Outra ilusão da razão(?!), portanto, é a admissão de que o Universo progride para um télos. O Universo é; não virá-a-ser.


CONSIDERAÇÕES FINAIS
 
Conclusão: ainda que em Bruno tenham ocorrido modificações e abrandamentos em alguns temas elaborados nos anos verdes, nenhum filósofo português rompeu tanto quanto ele no tocante à ideia de Absoluto. Foi, inquestionavelmente, um dos mais heréticos representantes do moderno pensamento português. Concordar ou não com suas ideias é privilégio de quem o lê, como privilégio foi ter o Especulativo Portuense ousado reflectir em instâncias tão particulares e de tão difíceis compreensão e interpretação. Ele meditou e teve ousadia e coragem de divulgar o conteúdo de suas pesquisas. Por isso, deve ser respeitado e amado como uma luz a mais na caminhada de todos quantos buscam uma compreensão, que acalme, dê segurança, ofereça liberdade, e proporcione independência, enquanto seres neste plano de existência. E, por último, deve-se ter sempre presente que qualquer monografia ou ensaio antes de serem analisados, devem ser compreendidos, ou seja, todo texto é contextual por natureza. A advertência, com a qual integralmente concordo, é de Soveral. Assim, autor e época estão inapelavelmente associados. Problemas que o inquietem, experiências pessoais, políticas e sociais, influências literárias etc., devem ser cuidadosamente considerados no exame sequencial do pensamento filosófico, sociológico, político ou qualquer outro da obra completa de um pesquisador. O que não se pode e não se deve é contemporizar com especulações que contrariem um outro modo de perceber e de sentir uma dada questão específica. O contrário seria hipocrisia. No mínimo. Mas, embaralhar Teologia com Filosofia só produz anarquia, e, como ensinou Pitágoras, este é o pior dos males. Pior é especular em matérias que se conhece pouco ou que se desconhece inteiramente. Isto poderá comprometer o próprio e o outro. Sob outra visada, divulgar o que não pode ou não deve ser propagado, é uma irresponsabilidade. Acredita-se que nem o próprio Bruno compreendeu exactamente a especulação metafísica que planeou articular.

 
DADOS SOBRE O AUTOR

Rodolfo Domenico Pizzinga
Mestre em Educação, UFRJ, 1980. Doutor em Filosofia, UGF, 1988. Professor Adjunto IV (aposentado) do CEFET-RJ. Consultor em Administração Escolar. Presidente do Comitê Editorial da Revista Tecnologia & Cultura do CEFET-RJ. Professor de Metodologia da Ciência e da Pesquisa Científica e Coordenador Acadêmico do Instituto de Desenvolvimento Humano - IDHGE.

 

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 
1. In: Colóquio Antero de QuenTal

L'Enfer

This time, John

Sunday, May 13, 2012

Domingo em casa



Nuno Júdice

Amanhã podia ser domingo, e
não haver sol; podia ouvir os sinos e
descer a rua e não encontrar o homem
que vende os jornais, podia chegar
ao largo e não ver as mulheres
em grupo a caminho da igreja, onde
vai começar a missa.

Amanhã podia não ser domingo,
e as ruas estarem vazias, como se
não houvesse nada para fazer; podia não
ser domingo e todas as lojas
fecharem; podia não
ser domingo e alguém perguntar
o que é que se faz quando não
é domingo.

Amanhã podia ser um dia qualquer,
e não saber em que dia estou, podia
olhar para o relógio e descobrir que
os ponteiros estão parados; podia
ouvir alguém falar, e não saber de onde
vem a voz que sai da sua boca, como
se estivesse sozinho

Ou então, podia abrir a porta e
ver que o domingo quer entrar; e
puxá-lo para dentro de casa, para
que lá fora fique sem domingo, e
sair para a rua num dia qualquer,
perguntando a quem passa
se viu passar o domingo

In As coisas mais simples
Editora Dom Quixote

Nature's way

O direito ao delírio

Uma utopia justificada. Eduardo Galeano

Saturday, May 12, 2012

Thursday, May 10, 2012

A fazer óó

Chopin. Nocturno

Honey thurst




Those seducers [4x]
bombed out lovers, gallant red flocks of mellow seducers, fine [find?] 
eager seekers, deep deef down
beautiful lines from above and we're all a-glow
raise her head and things get warm, hold on to its leg, before it flies away
sun lit walks, I feel no harm, my primitive words match my primitive heart 
[hide?]it's not as easy as it may seem, remember that yourself is steam
[chorus] and of course it don't mind, chasing a bee inside a jar [x2]
Then like sheep led to sacrifial slaughter, they don't mind, but they oughta, 
all the time (they oughta) their pretty shells are so inviting, well protected
their eyes are rivers, they give me shivers
[chorus]
it's not time for the real life [live?] sign, it's not time for these fears of mine [x2]
i'm feeling troubled, i'm feeling trapped, can't shake that bubble off my back
it's not as easy as it may seem, remember that yourself is steam [x2]
it's not time for the real life sign, it's not time for these fears of mine
i'm feeling troubled, i'm feeling trapped, can't shake that bubble off my back
i feel no harm, i feel no harm, ...feel no harm
[chorus]
its not as easy as it may seem, remember that yourself is steam
what once was lost will never be found, keep spinning in circles until you break 
new ground

Lianor



They are both there. Who belongs where? He thinks she comes from far away in time. 
She says she has always been there. He gets a job. He sells his house. 
She only has a blanket. Which one is passing through?
Ali estão os dois. Quem pertence onde? Ele pensa que ela pertence a outro tempo. 

Ela diz-lhe que sempre esteve ali. Ela tem apenas um cobertor. 
Qual dos dois está de passagem?
Inspirado numa história original de Fernando Correia da Silva,
argumento de Miguel Castro Caldas
A realização esteve a cargo de Edgar Feldman partilhada com Bruno Bravo.

Dia d para a Europa

Opinião - Jornal de Notícias

Futuros incertos mas que antecipam negrume claro e duradoiro.
E quem julgava que o candidato "regular" era europeísta, desengane-se.
Ele é bem: venha a nós o vosso reino!"
Têm medo? Eu sim, confesso.

1, 2, 3 check sound

Começar de novo

Wednesday, May 09, 2012

Nevoeiro repostado

Nina Rizzi

Fumar, não fumar.
Poesia de Nina Rizzi, inspirada no filme de Alain Resnais e outros.

Rafa

Filme português de João Salaviza estreia quinta feira.

O comboio da madrugada





A peça de Tenessee Williams


The Milk Train Doesn’t Stop Here Anymore  


A ser encenado  na Sala Garrett, do Teatro Nacional D. Maria II, por Carlos Avilez, e contando com protagonistas como Eunice Muñoz, Lia Gama, Carlos Reiriz, Henrique Carvalho, Lídia Muñoz, Pedro Caeiro, Renato Pino, Ricardo Alas,  Rita Cabaço e Sérgio Silva. 








A sinopse
O espectáculo incide, sobretudo, nestas duas figuras que centralizam a peça: - Flora Goforth, uma antiga artista de variedades, milionária e decadente, e Chris Flanders, um jovem poeta apelidado de "anjo da morte" por ter o hábito de visitar velhas senhoras nos últimos momentos das suas vidas. Numa fase caracterizada pela enorme solidão de Flora, nada mais importa que a derradeira vontade de ser desejada. Flora imersa em solidão e doente, escreve as suas memórias para ocupar a sua inutilidade e vazio. Até que conhece Chris Flanders, e volta a acreditar na vida e nas suas possibilidades imensas.




A peça teve de ser adiada por incidente com a actriz Eunice Muñoz, aguardando nova data.
Fica aqui o cartaz. E quem desejar poder espreitar a peça, terá que estar atento aos media.



Coruja do campo



Jaym Caetano Braun. Nem é bom o que se diz do canto da coruja.

China esquisita do campo
Eternamente tristonha,
Nessa cantiga medonha
Que apavora as noites largas,
Tu carreteias as cargas
Dos pesares da Querência
Na infindável penitência
De cantar cousas amargas.

Outros cantam alegrias.
Tu cantas penas e dores.
E ao longo dos corredores
De paste em poste passeias.
Te retorces, te volteias,
De tudo quanto é maneira
Que nem china lambanceira
Fuçando em vidas alheias.

Dizem uns, que és o fantasma,
Do curandeiro charrua
Que vaga em noites de lua
Por divina maldição,
E esse andejar pagão
De horrenda melancolis,
Te escondes da luz do dia,
Nas tocas, dentro do chão.

Há, porém, outros que dizem,
Velha bruxa de rapina,
Que és, uma formosa china,
Transfigurada em mejera
E que atrás da primavera
Que se foi, pra nunca mais,
Vives cumprindo rituais
Nas tumbas e nas taperas.

Dizem que quando tu gritas
Estás prenunciando morte.
E que chamas a má sorte
A todo rancho onde sentas,
E que as notas agourentas
Com que, acordas soledades,
São presságios de maldades,
De lutos e de tormentas.

Eu acreditava nisso,
Velha e triste feiticeira,
E na maldade campeira,
Que identifica os piazotes,
Vivia te dando trotes
Que hoje recordo com mágoa.
Enchendo-te a toca d´agua
Só pra judiar teus filhotes.

Mas um dia me dei conta
Depois que fiquei adulto
Que nesse mísero vulto,
Tão repleto de mistérios,
És amiga dos gaudérios
E confidente reiúna
De todos os sem fortuna
Que dormem nos cemitérios.

Tu és o pária do campo
Ninguém te empresta um afago.
És a leprosa, do pago,
Mal encarada e temida.
Todos te negam guarida
O que, talvez, nem te importe,
Porque se, és a guardiã da morte,
Só há morte onde existe vida.

Por isso eu fico contente
Quando vens ao meu galpão,
Me encho de satisfação
E até, receio que fujas.
Gosto de tuas penas sujas,
Da cor do chão que te abriga
Porque afinal, velha amiga,
Nós todos somos corujas.





O que não é bom nem recomendável é o que o Manuel Poppe fala aqui.

É recado mas é bom!




Now and then I think of when we were together
Like when you said you felt so happy you could die
Told myself that you were right for me
But felt so lonely in your company
But that was love and it's an ache I still remember

You can get addicted to a certain kind of sadness
Like resignation to the end
Always the end
So when we found that we could not make sense
Well you said that we would still be friends
But I'll admit that I was glad it was over

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened
And that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger
And that feels so rough
And you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records
And then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know
Now you're just somebody that I used to know

Now and then I think of all the times you screwed me over
But had me believing it was always something that I'd done
And I don't wanna live that way
Reading into every word you say
You said that you could let it go
And I wouldn't catch you hung up on somebody that you used to know...

But you didn't have to cut me off
Make out like it never happened
And that we were nothing
And I don't even need your love
But you treat me like a stranger
And that feels so rough
And you didn't have to stoop so low
Have your friends collect your records
And then change your number
I guess that I don't need that though
Now you're just somebody that I used to know

I used to know
That I used to know

Somebody...

Tuesday, May 08, 2012

Foi aberto o 1º campo de concentração na Grécia

Onde há fumo pode haver fogo. E neste caso, há fogo mesmo.
Está confirmada a informação e, desde o resultado das últimas eleições, não são vistos na rua africanos e paquistaneses, os que regra geral, estão ilegais no país, os que têm razões maiores para temer a sua sorte.
Mas não nos podemos esquecer. Estamos avisados. A direita a tomar a frente. E sabemos bem que a direita defende valores desumanos
A parangona ou título do artigo é:

Foi aberto o primeiro campo de concentração para imigrantes na Grécia


O restante a ser lido fica aqui

This is the end, i hope


O oásis da Bethânia



Entrevista concebida a Maria Bethânia pela Ipsilom


Não é um elogio da solidão, mas do poder que ela encerra. Oásis de Bethânia é um disco de profunda introspecção sobre o ser, o “eu” sozinho, a resistência e a fé. E é um dos trabalhos mais tocantes de Maria Bethânia nas últimas décadas

Teria gravado este disco sozinha, se soubesse tocar algum instrumento. E os músicos que trabalharam com ela adaptaram-se a esse desejo. Chamou-lhe Oásis de Bethânia e quis ver nele a "vida pura, nítida", que há no ser humano quando tudo o que o rodeia lhe é adverso. Pensou nas agruras do sertão e fez-se, ela mesma, oásis. Maria Bethânia só no fim do ano começará a rodar em palco o disco que agora chega às lojas. Mas estará nos coliseus do Porto e Lisboa, a 8 e 12 de Maio, a cantar apenas Chico Buarque.



Quando se pensa em oásis pensa-se em deserto. Há algum deserto à volta deste seu disco?Não pensei no que tinha à volta, pensei exactamente no que o nome indica. Naquele lugar silencioso, solitário, mas que tem vida pura, nítida. Quando lhe chamo Oásis de Bethânia, isso para mim é o sertão brasileiro, onde não tem água. É um lugar onde se está dentro do limite divino e só, não se conta com mais nada. É um pouco como viver no deserto e encontrar o oásis na solidão. Guimarães Rosa fala que o sertão é o sozinho. E essa é a característica deste disco meu: é um disco solitário, não no sentido nostálgico, mas é sonoramente e poeticamente solitário. E é um disco de assinaturas: cada músico, cada maestro que eu escolhi, sozinho com o seu instrumento assina um arranjo, uma leitura daquela música. E eu canto na maioria das vezes só com um instrumento.

Na entrevista colectiva que deu no Brasil, disse que se pudesse gravava o disco sozinha. É mesmo verdade?[Gargalhada] Gravava. Faria somente voz e piano, ou voz e violão, se soubesse tocar. Ou até a capella. Mas eu lido com música e música precisa de harmonia, de outra compreensão, de músicos extraordinários (não sou nada disso, sou uma intérprete), então preciso desses encontros primorosos e únicos na vida. A favor da música.

Trabalhou com Jorge Helder para a concepção do disco. Porquê?Todos os meus discos nos últimos dez anos têm um trabalho de Jorge Helder. Só que neste disco eu não queria um trabalho de maestro, não queria que tivesse a sonoridade de uma só pessoa além de mim. Seria eu com a minha voz e instrumentos chegando e completando ou trazendo elementos para a minha voz.

Como é que foi escolhendo os músicos? Guiada por cada canção?A primeira canção, Lágrimas, é uma música que eu conheço desde menina, a minha mãe também a cantou a vida inteira, é do nosso querido e saudosíssimo Orlando Silva. Quando pensei nela, pensei logo no Hamilton de Holanda. Queria o bandolim dele, a modernidade harmónica dele, o talento extraordinário que ele tem. Em seguida, queria uma música com percussão, e na Carta de amor do Paulinho Pinheiro com o meu texto eu chamei o Marcelo Costa. Essas duas foram as chaves do disco. Dali eu fui pensando. O próprio Jorge Helder me sugeriu Lenine e eu lembrei-me logo da canção do Chico [O Velho Francisco]. Quando o Djavan me mostrou a canção que fez para mim [Vive], ao violão, eu quis gravar com o violão dele. Todos foram assim, escolhidos dessa maneira a partir da minha sensação com cada música. Ou por opiniões. O pianista de Salmo, André Mehmari, foi sugerido pelo Hamilton de Holanda.

Mehmari é um jovem pianista [n. Niterói, 1977] muito elogiado. Já conhecia o trabalho dele?Ah, sim! Essa geração de instrumentistas brasileiros é deslumbrante. Há muitos e muitos anos que eu não via uma colecção tão extraordinária: o André Mehmari, o Hamilton de Holanda, o Yamandu [Costa], o Marcelo Martins, o Maurício Carrilho, a Luciana Rabello (irmã do Raphael), o Castilho, o Vítor Gonçalves (pianista que vai a Portugal comigo), são todos eles músicos de primeiríssima linha, é uma geração muito bonita que está estudando a música com profundidade. Muito boa.

Convidou também um músico muito ligado à sua carreira, o maestro Jaime Alem, para tocar violão e violas emFado, de Roque Ferreira...Convidei-o porque ele é um dos maiores violeiros de viola caipira brasileira. Entreguei a canção a ele e ele fez umshow com três violas caipiras, ficou muito bonito...

Na "Carta de amor" você começa a cantar em falsete, o que é raro no seu trabalho.O falsete, por ser uma região bem distante do meu timbre, entrou no Mar de Sophia [disco de 2006] como uma criança cantando e aqui entra como uma coisa longínqua, meio irónica mas suavizada exactamente pelo falsete.

Mas logo a seguir, na mesma canção, o texto escrito por si (e que é dito, não cantado) é bem mais sério e muito introspectivo. Como é que ele nasceu?Na verdade, eu precisava escrever essas palavras no momento e vivê-las depois, coisa que não costumo fazer. O que eu escrevo eu queimo, não gosto nem de reler, quanto mais mostrar para outras pessoas. Mas desta vez mostrei ao Paulinho [Paulo César Pinheiro] e ao Fauzi Arap. E pedi que ele fizesse alguma criação sonora em cima. Ele disse que não mexia no texto e ia ver o que podia fazer. E fez os refrões a intercalar.

Quanto tempo é que levou a escrever o texto? Foi rápido ou demorou dias?Foi um suspiro. Cinco minutos. Muito rápido. Na verdade ele é uma saudação a todos os que me tocam, me comovem, com o que é puro, como uma nascente.

Como é que um disco com contribuições tão variadas tem tão grande unidade?Porque o sentido dele era um, sozinho. Ele brotou daí. O sertão é o lugar do assombro, do susto. Eu me apoio nessa visão sertaneja do Guimarães Rosa: o silêncio do sertanejo, a expectativa da vida sem água, a conformidade e a fé. Porque o sertanejo tem fé. Ele é calado, nobre, silencioso, digno. E isso é que conduziu e conduz o meu trabalho.

Remoto Controlo

Sunday, May 06, 2012

Voices against Globalization

A globalização é, em termos gerais, a exportação global de um modelo económico, a ser aplicado num país. A sua invisibilidade inicial mantém-no a salvo de descontentamentos ou vozes da reacção contra. Assim foi. Já não é mais.
Este documentário é composto por sete videos sobre falsas expectativas criadas pela globalização e as suas consequências danosas.
Várias vozes se erguem contra a globalização, explicando o sistema vicioso, desde José Saramago a Eduardo Galeano:
-O neo-liberalismo utiliza a porta do livre mercado como estratégia para se apropriar de tudo.
Não pode e nem deve confundir-se liberalismo com neo-liberalismo.
A queda do muro de Berlim, a par com a expansão fortíssima do modelo do grande capital, as políticas de ajustes estruturais, sobretudo na América Latina facilitaram as privatizações massivas, bem como as grandes corporações internacionais acampassem em todo o mundo, impondo uma forma perigosa de novo-feudalismo. A forma de manipular a sociedade foi convencendo o povo de que o Estado era o culpado da crise instalada, e os salvadores seriam estas corporações...
As grandes empresas, o mercado (FMI, Banco Central, a Golden Sachs etc) à semelhança de um Deus irado, possesso e sempre furioso, exerce(m) coação contínua sobre países que têm a sua soberania cortada pela dívida externa. E entre esses países, estamos nós.