Monday, April 30, 2012

Carta ao meu pai



A perda do meu pai marcou-me imenso.
Porque aos nossos progenitores os queremos imortais.
Talvez essa dor esteja ainda muito na pele, impedindo-me de aceitar os outros na sua mortalidade, de alguma maneira, mantendo a racionalidade a par com os sentidos.
O Luís Gaspar pediu-me meia dúzia de coisas que eu tivesse rasurado.
Enviei, uma delas a carta ao meu pai, em jeito de despedida num processo continuado de dor.
Fica aqui a carta recitada por ele nos Estúdios Raposa, para quem quiser ouvir, ler.
E mais poemas recitados aqui, na voz do Luís Gaspar



Exercício literário - Pai, uma memória antiga
Fiz de ti bussola e só por isso perdoa-me.


Eu fico por lá, escondida, debaixo da escrivaninha onde ninguém me sabe ou adivinha. Talvez tu mas finges que não me vês. Vejo-te, imagina, sentado ainda no cadeirão de mogno. 
Os teus pensamentos não eram (não são, que ainda hoje sinto o mesmo que então) reveladores e claros, como os desenhos rasgados à madeira desse teu cadeirão. 
E nem a linha severa a meio da testa que te deixava mais frágil, ou ausente. Ou ambos. 
Se eu alisasse esse teu frisar grave do tempo e o retirasse da testa , oferecias-me o mais lindo sorriso que se pode oferecer a uma filha que não adivinhava que te ia perder. 
E que, com a tua perda, iria perder em simultâneo, a preocupação desse teu olhar perdido ou as linhas de mogno desse teu cadeirão (que se foi embora depois de teres ido porque nos lembrava a doer a tua presença). 
Onde andará esse cadeirão com braços gravados de arte? No dia mais comprido da tua apatia eterna, recordo-me, com incrível nitidez, a tua mão fria, gelada a escorrer-me os cabelos molhados de chorar.

- Que injusto, gritava eu na boca silenciada pelos outros.

- Que injusto, repetiam os segundos.

Tudo permaceu quieto, pasmado, apaticamente parado. Tu inerte, na posição de morto, eu morta, sei agora, mas foi a ti que enterraram e essa injustiça de te roubarem a nós é que me matou. 
Ainda hoje, paizinho, ainda hoje e já lá vão 30 anos ou mais, continuo morta e por enterrar. Poderá ser isto, de morrer-se e permanecer a descoberto sem que os abutres nos devorem ao primeiro sinal nocturno de fim?
O teu perfil recortado de um candeeiro de pé frio e estanhado, onde um abajour de luz desmaiada projectava o teu nariz na parede lateral. 
Quatro molduras de veleiros a carvão misturavam-se aos movimentos de vivo que havia em ti.
No dia comprido da nossa morte, estavas inquieto mas devia ser uma espécie de prognóstico teu reservado à tua solidão buscada. 
Porque te exilaste de nós, lendo Tolstoi e praguejando isto e aquilo em jeito de riso. Pesava já na tua carcaça, mais do que a patologia limitadora de um coração secular e velho, a draga do fim. 
O punhal havia já feito danos muito tempo antes e mantiveste-te de pé, ainda assim. O que te impediu de o voltares a fazer? 
E viveste a correr, como Sammy, pra que não fosses confundido com um corpo que se arrasta entre a piedade de uns e o desespero de outros. 
E amar-te foi sempre tão mais fácil. Amar as tuas ideias irreverentes, o teu não-conformismo, que mantinha vivos os olhos de quem te procurava e aos quais gargalhavas pra que te não levassem a sério. 
Brincadeira de mau gosto essa de não quereres que te amassem, de manteres distância nos últimos tempos que antecederam o dia comprido. 
Eras tão amado que os céus se fecharam, se desconjunturaram, desejosos de te levarem e de abafarem a nossa dor. 
Os nossos sonhos, se os visses, despenhados como folhas de papel amarrotadas, tornados pesadelos à lei da força.
Pai, estavas branco, de cera, de cal, sem gota de sangue e nem o Tolstoi a contar-te histórias te manteve acordado. 
E a morte, essa coisa negra e derradeira, sem competência nenhuma a não ser essa de arrancar os vivos aos mortos, não te soube alisar o vinco da testa, como eu fazia. 
E no dia d, o da tua partida, tentei fazê-lo uma vez mais, quando me permitiram a aproximação à caixa que te conduziu ao negrume sem húmus da terra. 
O espaço que medeou o estares deitado dentro dessa caixa (ainda hoje a vejo sem cor, sem consistência e sem materialidade, defesa minha, já sei) termos conversado, tu e eu e, a mãe irromper numa gritaria de desamparo (precisavas de estar ao lado dela pra a confortares mas vivo). Nessa hora, eu acorajei-me de amor e afaguei a tua testa gelada de morta e pareceu-me ver-te sorrir. Mas que sabia eu dessas coisas de morte e de fim que se escondem entre a vida e o continuar dela? 
Pra mim, tu sabes disso, partias em mais uma das tuas viagens a Lisboa, não ias no alfa, porque precisavas ir deitado. Entendo agora o grito da mãe, perante a despedida do corpo, tu ias sem volta, ela sabia-o, eu não. 
Para nunca mais. E "nunca mais" no vocabulário de uma criança feliz até à data, era sempre substituída por "para sempre". O máximo que tiveste de mim nesse adeus, foi um até logo, até mais ver. 
E o resto das lágrimas que me corriam como rios quentes imparáveis era porque imaginava que te iam manter adormecido nesse espaço da caixa exígua e obsoleta e iam enviar-te numa viagem que não ias poder apreciar. 
E tu gostavas tanto de ver pessoas e coisas misturarem-se em vida com sons e cheiros. 
Saber-te entre tombos e vertigens encaixotado como encomenda sem destino ou com destino ao qual não tínhamos acesso (tal como todas as viagens que fizeste em nome do partido da oposição).
 Em nome da liberdade. Essa liberdade que nos deixou cativos, sem outra escolha. Só conheciamos a tua protecção e o teu amor.
Ainda hoje "vejo" o teu escritório, a tua escrivaninha com 6 gavetas de cada lado, encorpada e de mogno, trabalhada, num tampo onde o pó era sacudido amiúde pela Luzia, das cinzas que se espalhavam do teu ritz, do cinzeiro de estanho ou latão fino, de 3 bordos, os pisa-papéis com o nome do bisavô e do avô (que ainda tenho) da tua águia. 
O armário onde se apinhavam capas grossas, dossiers pesados, carregados de vidas que se penduravam nas tuas costas, aos teus pensamentos, desejando-te o melhor e encontrando em ti uma espécie de messias. 
Lembro-me das tossidelas do avô Rodrigo antes de sair com mais papéis e rebuçados de mentol, do tamborilar dos teus dedos quando achavas que o Sr. Bastos não ia saber resolver por ti essas vidas. 
Do teu casaco de bombazine cor de burro quando foge, do pullover verde musgo que trazias vestido no dia que me morreste. 
Da camisa creme, do maçote de papéis que carregavas no bolso das calças de fazenda vincadas. 
Do teu bigode curto e das tuas têmporas onde já se adivinhava o tempo. Esse tempo que não ia deixar que os teus cabelos ficassem cinza. 
Esperaste a chegada do fim do dia para partires, e foi entre conversas de fraldas e batatas que deixei a mãe e a Luzia na cozinha e te fui espreitar ao quarto. 
De lá de fora, entravam as luzes de candeeiros da rua e foram esses recortes de luz que me deixaram ver o livro entreaberto na barriga poisado e o teu braço pendendo pro infinito da cama, os teus olhos abertos e a tua testa vincada. 
Chamavas alguém que não veio ou foi impressão minha? Morreste e eu cá fiquei desenterrada. E a cada ano que passa, a cada década que sobrevivo penso que ficar vivo e preso aos momentos de dor pode ser a pior morte, a mais demorada e a mais lenta. 
Sei que estás aí, fazendo sempre o possível e o impossível pra que me recomponha. Outras vidas virão e noutras te encontrarei. Mas foi nesta que ficaste como bussola. E ando desorientada.



O espectro da xenofobia, por Zygmunt Bauman



Excerto do seu livro: Amor líquido
4. Convívio destruído
(...)

Pessoas desgastadas e mortalmente fatigadas em consequência de testes de adequação eternamente inconclusos, assustadas até a alma pela misteriosa e inexplicável precariedade de seus destinos e pelas névoas globais que ocultam suas esperanças, buscam desesperadamente os culpados por seus problemas e tribulações. Encontram-nos, sem surpresa, sob o poste de luz mais próximo - o único ponto obrigatoriamente iluminado pelas forças da lei e da ordem: "São os criminosos que nos deixam inseguros, são os forasteiros que trazem o crime." E assim "é reunindo, encarcerando e deportando os forasteiros que vamos restaurar a segurança perdida ou roubada."
Donald G. McNeil Jr. deu a seu resumo das mudanças mais recentes no espectro político europeu o título de "Politicians pander to fear of crime". Com efeito, em todo o mundo submetido a governos democraticamente eleitos a frase "serei duro com o crime" transformou-se num trunfo, mas a mão vencedora é quase invariavelmente uma combinação de promessa de "mais prisões, mais policiais, sentenças maiores" com o juramento de "não à imigração, aos direitos de asilo e à naturalização." Como diz McNeil, "políticos de toda a Europa usam o estereótipo de que de que o crime é causado por forasteiros para ligar o antiquado ódio étnico à preocupação com a segurança pessoal, mais palatável."
O duelo Chirac versus Jospin pela presidência da França, em 2002, estava apenas nos estágios preliminares quando degenerou num leilão público em que os dois competidores buscavam apoio eleitoral oferecendo medidas cada vez mais duras contra criminosos e imigrantes, mas sobretudo contra os imigrantes que praticam crimes e contra a criminalidade praticada por imigrantes. Antes de mais nada, porém, eles deram o melhor de si tentando mudar o foco da ansiedade dos eleitores, derivada da envolvente sensação de precarité (uma insegurança exasperante em relação à posição social, entrelaçada com uma incerteza aguda quanto ao futuro dos meios de subsistência), para a preocupação com a segurança individual (a integridade do corpo, das propriedades pessoais, do lar e da vizinhança). A 14 de Julho de 2001, Chirac colocou em movimento essa máquina infernal, anunciando a necessidade de combater "essa crescente ameaça à segurança, essa maré montante", em vista do aumento (também anunciado na ocasião) de quase 10% de delinquência no primeiro semestre daquele ano, e declarando a disposição de transformar em lei, uma vez reeleito, a política de "tolerância zero". O tom da campanha presidencial fora estabelecido e, Jospin não demorou a aderir, elaborando suas próprias variações sobre o tema comum (embora - inesperadamente para os solistas principais, mas decerto não para os observadores sociologicamente informados - a voz mais destacada tenha sido a de Le Pen, na qualidade de mais pura e, portanto, mais audível.)
A 28 de Agosto, Jospin proclamava "a batalha contra a insegurança", prometendo que não teria "nenhuma complacência", enquanto a 6 de Setembro Daniel Vaillant e Marylise Lebranchu, seus ministros, respectivamente do Interior e da Justiça, juravam que não tolerariam de forma alguma a delinquência. A reacção imediata de Vaillant aos eventos de 11 de Setembro nos Estados Unidos foi aumentar os poderes da polícia, principalmente no que se refere ao enfrentamento de jovens "etnicamente estranhos" habitantes dos banlieux, as amplas áreas residenciais situadas nas periferias urbanas, onde, segundo a (conveniente) versão oficial, era gerada a demoníaca mistura de incerteza e insegurança que envenenava a vida dos franceses. O próprio Jospin continuou atacando e vilipendiando, em termos cada vez mais mordazes a "escola angelical" da abordagem ultra-suave, jurando que jamais pertencera a ela no passado e jamais o faria no futuro. O leilão prosseguia, e os lances se tornavam estratosféricos. Chirac prometeu criar um ministério da segurança interna, ao que Jospin reagiu com o compromisso de um ministério "encarregado da segurança pública" e da "coordenação das operações policiais". Quando Chirac brandiu a ideia de instituir centros destinados a trancafiar delinquantes juvenis, Jospin fez eco a essa promessa com a visão de "estruturas gradeadas" com a mesma finalidade, superando o lance do oponente com a perspectiva de "condenações sumárias".
Apenas três décadas atrás Portugal era (juntamente com a Turquia) o principal fornecedor  de "trabalhadores convidados" |os Gastarbeiter|, que os Burger alemães temiam saquear suas cidades e destruirem o pacto social, pilar da sua segurança e conforto. Hoje, graças ao aumento significativo da sua riqueza, Portugal passou de exportador a importador de mão-de-obra. As dificuldades e humilhações sofridas quando era preciso ganhar a vida no exterior foram rapidamente esquecidas. 27% dos portugueses declararam que os bairros infestados do crime e de estrangeiros constituíam sua principal preocupação, e Paulo Portas, um recém-chegado à arena política, jogando uma carta única, violentamente contrária à imigração, ajudou a conduzir ao poder uma coligação neodireitista (da mesma forma que ocorreu com o Partido do Povo Dinamarquês de Pia Kiersgaard, com a Liga Norte de Umberto Bossi na Itália e com o Partido do Progresso na Noruega, radicalmente antiimigrantes - todos os países que não muito tempo antes enviavam seus filhos a terras distantes para ganhar o pão que eles próprios eram muito pobres para oferecer).
Notícias como essa frequentemente ganham as manchetes dos jornais (como "Reino Unido planeja cancelar asilo", The Guardian, 13 de Junho de 2002 - considero desnecessário mencionar as manchetes dos tablóides...). Mas o núcleo principal da fobia de imigrantes permanece oculto das atenções (de facto, do conhecimento) da Europa Ocidental e nunca vem à superfície. "Culpar os imigrantes" - estrangeiros e recém-chegados, e particularmente estrangeiros recém-chegados - por todos os aspectos da doença social (e acima de tudo pelo nauseante e desabilitante sentimento de Unsicherheit, incertezza, precarité, insegurança) está se tornando rapidamente um hábito global. Nas palavras de Heather Grabbe, directora de pesquisa do Centro para a Reforma Europeia, "os alemães culpam os poloneses, os poloneses culpam os ucranianos, os ucranianos culpam os quirguizes, que por sua vez, culpam os usbeques", enquanto países pobres demais para atrair vizinhos em busca desesperada por meios de sobrevivência, tais como Roménia, Bulgária, Hungria ou Eslováquia, direccionam seu ódio aos habituais suspeitos e culpados de plantão: aquelas pessoas do lugar mas em constante mudança, sem endereço, e assim - sempre e onde quer que estejam - recém-chegadas e forasteiras: os ciganos. 
quando se trata de estabelecer tendências globais, os Estados Unidos têm prioridade indiscutível e geralmente assumem a iniciativa. Mas juntar-se à onda global de ataque aos imigrantes representa um problema muito difícil para aquele país, reconhecidamente formado por imigrantes. A imigração atravessou a história norte-americana como um passado de nobreza, uma missão, um empreendimento heróico levado a cabo pelos audazes, os valentes e os bravos. Assim, desprezar os imigrantes e lançar suspeitas sobre sua nobre vocação significaria atacar o próprio cerne da identidade norte-americana, e talvez fosse um golpe mortal no Sonho Americano, seu indiscutível pilar e cimento. Mas esforços têm sido feitos, por tentativa e erro, para tornar o círculo quadrado. 
A 10 de Junho de 2002, funcionários de alto escalão do governo norte-americano  (o director do FBI, Robert Mueller, o subprocurador geral, Larry Thompson, o subsecretário de defesa Paul Wolfowitz, entre outros) anunciaram a prisão de um suposto terrorista da Al-Qaeda que retornava a Chicago de uma viagem de treinamento no Paquistão. Segundo a versão oficial do caso, um cidadão norte-americano nascido e criado nos Estados Unidos, Jose Padilla (nome que aponta raízes hispânicas, ligado ás ultimas levas de imigrantes, pobremente assentadas, de longa lista de filiações étnicas), converteu-se ao islamismo, assumiu o nome de Abdullah alMujahir e prontamente procurou seus irmãos muçulmanos em busca de instruções sobre como prejudicar a sua terra natal. Foi instruído na arte tosca de fabricar "bombas sujas" - assustadoramente fáceis de montar" a partir de alguns gramas de explosivos convencionais, amplamente disponíveis  e de praticamente qualquer tipo de material radioactivo" em que potenciais terroristas "possam pôr as mãos " (não ficou clara por que era necessário treinamento sofisticado para produzir armas "assustadoramente fáceis de montar", mas quando se trata de lançar as sementes do ódio, a lógica é irrelevante). "Uma nova expressão entrou no vocabulário de muitos norte-americanos médios depois do 11 de Setembro: bomba suja , anunciaram os repórteres Nichols, Hall e Eisler, do USA Today. 
O caso foi um golpe de mestre: a armadilha ao Sonho Americano foi habilmente contornada pelo facto de Jose Padilla ser um estrangeiro e um estranho por sua própria e livre escolha como norte-americano. E o terrorismo foi vividamente retratado como algo ao mesmo tempo de origem e ubiquamente doméstico, oculto atrás de cada esquina e se espalhando por todos os bairros - tal como os antigos "comunistas debaixo da cama". E foi assim uma metáfora impecável e um escoadouro totalmente confiável para os medos e apreensões, igualmente ubíquos, da vida precária. 


In Amor Líquido, sobre a fragilidade dos laços humanos (pgs, 66, 67) 
Editora Zahar

Sem Tolstoy




Ainda agora aqui chegado
meu cavalo já cansado
trago o peito enamorado
e a armadura em desalinho
minha espada, eu embainho
dai-me carne e dai-me vinho
sou guerreiro por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Dai-me carne e dai-me vinho
dai-me uma mesa de pinho
estendei toalha de linho
onde estenderei meus dedos
lede neles os enredos
das conquistas, dos degredos
assim eu contar pudera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Guerreiros são só pontos no horizonte
a monte
a monte
anda o guerreiro sem parar
a paz foi tudo o que ele foi buscar
guerra e paz
a par e passo
irmãs são
guerra e paz
a par e passo
são

De cada vez que me conto
sei que me acrescento um ponto
um cavalo novo monto
e uma donzela arrebato
despedido do recato
vou de calma ao desacato
vou do pardal à pantera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Vou da calma ao desacato
de masmorras me resgato
colorido é o meu retrato
preto e branco meu caixinho
o que fazes tu, meu filho
outras guitarras dedilho
sou trovador por quimera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

E de meandro em meandro
vou-me circunnavegando
sob as estrelas buscando
o outro lado da busca
quase sempre o amor me ofusca
de uma forma doce e brusca
assim eu amar soubera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Retomado à vida o gosto
meu cavalo recomposto
no cabelo um fogo posto
novos fogos atravesso
desta forma me despeço
do fracasso e do sucesso
ladrões de quem os venera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz

Desta forma me despeço
a viagem recomeço
e se a casa não regresso
é que outras casas me abrigam
outros braços lá me amigam
minhas brigas desfatigam
como a luz na Primavera
era uma vez um rapaz
é vê-lo avançar
entre a guerra e a paz
 

Prestação da casa.



A taxa Euribor faz descer os valores das prestações de crédito à habitação, situação previsível manter-se até, pelo menos, Setembro. Um alívio para muitas famílias. Aqui, maiores informações.

Clara Ferreira Alves, Os Abrileiros




O POVO PORTUGUÊS é constituído por gente sensata. Pacata. Como dizia George Bernard Shaw, o homem sensato adapta-se ao mundo, o homem insensato persiste em tentar adaptar o mundo a ele mesmo. Por isso, todo o progresso depende do homem insensato.

Para a gente que hoje manda em Portugal, o 25 de abril é uma data que começa a fazer tanto sentido como o 1º de dezembro ou o 5 de outubro. E o salazarismo é um período tão distante da nossa história como as Descobertas e o tempo imperial. A queda de Salazar  da cadeira ou a de Caetano no Carmo interessam tanto como a tomada de Ceuta ou a construção da fortaleza de Ormuz. São parte dessa matéria informe, que não aparece no facebook nem nos smartphones, que não se twitta nem se bloga, chamada passado. História. A história de um país é a memória de um povo e conhecer a história pode ajudar a não repetir os mesmos erros. Não espanta que neste momento de total inversão do ciclo imperial português, em que Portugal está a ser financeiramente colonizado por Angola, pela China ou por grupos transnacionais sem pertença histórica, neste momento histórico em que Portugal está a ser colonizado e desmantelado por investidores, "acionistas" e conselhos de administração (onde prosperam antigos ministros e outros ex-serviçais do Estado, todos com "excelente currículo" e excelentes remunerações, nalguns casos cem vezes superiores às do salário mínimo mensal), o passado e as figuras do passado sejam tão incómodas quando ressuscitam esse passado.

E não espanta que gente sem qualquer vínculo à história portuguesa e que em nada se distinguiu exceto numa carreira à sombra do partido e demais empresas amigas, fique agora tão ofendida com o insensato Soares.
Passos Coelho tinha várias fórmulas elegantes para responder a isto, se lhe restasse um qualquer sentido de superioridade histórica. Sem resposta: este Governo foi eleito pelo povo português em eleições livres. Com a deselegância que caracteriza esta gente sem memória, o primeiro-ministro respondeu como responderia esse "grande democrata" chamado Alberto João Jardim: isto é coisa de "abrileiros". Ou seja. Passos Coelho respondeu com falta de classe, como dizem as tias. Dizer que Soares procura protagonismo político com o 25 de abril é uma falta de elegância e de respeito, porque se Passos Coelho pôde fazer a sua carreira política, alguma coisa deve aos militares de abril e a Mário Soares. Alguma coisa. Resolveu dar uma resposta de bola baixa rente à relva. Rasteira. "Relveira", diria o imortal Jardim.

Dito isto, Mário Soares agitou as paradas águas da política portuguesa, ao dar razão à Associação 25 de Abril. Com alegre. Não deixa de ser curioso que são figuras históricas da esquerda portuguesa as únicas que ainda conseguem introduzir alguma polémica no pântano da vida coletiva. Estão, segundo o lugar-comum, abertas as hostilidades. A esquerda vive num estado entre o pequeno protesto e o adormecimento. Este é um grande protesto simbólico que não impede ninguém de festejar o que quiser e só obriga os próprios. Estava o sensato povo português posto em sossego, a ser calmamente espoliado nos seus direitos, quando o insensato veio dizer uma coisa: Portugal está a ser vendido a retalho.

A água, a eletricidade, o gás, o petróleo, o cimento, a energia, a rede elétrica, a companhia aérea, os correios, a televisão pública, a imprensa independente, a rede de comunicações, a banca, e de um modo geral tudo o que implique tarifas monopolistas, manipulação dos media e lucros garantidos está a ser alienado. Só falta o ar que respiramos. E o futuro, os fundos de pensões, os impostos por vir, a segurança social, a saúde pública e a educação pública estão a ser negociados. Em nome da crise e da troika, este Governo está a vender o nosso tecido económico, a nossa capacidade de regeição, a nossa possível insensatez. Está a vender os futuros estudantes, os trabalhadores, os desempregados, os pensionistas, os emigrantes. Porque, quando as tarifas aumentarem como vão aumentar, os compradores estrangeiros e nacionais sabem que as pagaremos. Quando tudo tiver um preço demasiado alto, o hospital, a escola, o tribunal, sabem que o pagaremos. Este Governo tem uma política económica desastrosa e aplica-a com toda a sua fé ideológica na desregulação. Na prática, estamos a ser vendidos e sobrarão ganhos, postos e abundâncias para os serviçais do costume. Não são privatizações, são operações obscuras, com financiamentos obscuros, onde o Governo se limita a ser um agente e um intermediário. O homem que tem a seu cargo a pasta das “privatizações”, António Borges, é um ministro não sujeito ao escrutínio parlamentar, com plenos poderes conferidos pelo primeiro ministro nas costas do sensato povo. Não presta contas. O que é que isto tem a ver com a democracia? Nada.


Pluma Caprichosa  (Expresso de 28 de Abril de 2012)

Sunday, April 29, 2012

Johnny Johnny

Revolução já.

Softly



Boa ponte ;)

Este verbo saudade




Conjugo-te verbo saudade

eu sinto-te mais dentro
tu sentes-me ao cio
nós sentimos tanto
quando enrolamos
coxas nas pernas, pingando suor
sexo furando, ponto orgâsmico
e na boca receptiva,
em flor.
Es-gota-do teu rio.

O fim do capitalismo

Saturday, April 28, 2012

Friday, April 27, 2012

Aurea

Interpretação soberba.

Corrente de pensamento ou religião?




Hermetismo e Rosacruz são o mote da exposição sobre a Ciência e arte hermética ou hermetismo do silêncio.
Segundo publicou o Jornal O Público a 14 de Abril, sábado passado, tal exposição iniciou-se nessa data e vai estar presente, na Torre do Tombo até 31 de Agosto.
 Nesta exposição estarão visíveis quadros cronológicos/painéis temáticos "A cabala judaica, A cabala Cristã, O símbolo hieroglífico e a Alquimia do coração, entre outros, que vão ao encontro de quem quer entender a história e os movimentos que a explicam. O estado de graça do hermetismo 300 anos d.c., bem como no Renascimento são períodos recordados envoltos numa aura de prestígio (inclusivamente junto da Igreja). Os períodos áureos ficam-se até à contra-reforma que conduziu a que houvessem movimentos persecutórios em torno dos hermetistas...
Exposição interessante a visitar, Lisboa, claro.

Saga

Thursday, April 26, 2012

Closer




Now i'm thinking maybe i was stoned
I felt my feet lift off the ground
And my heart was screaming
And my bones
I need you closer
As he's in the middle of the street
Then i pretend he's mine to keep
Cars are running fast on both sides of his head
His eyes are "closer"
Closer closer
I met him when the sun was down
The bar as closed
We bloth have had no sleep
My face beneath the streetlamp
It reviews what it is lonely people seek
Closer closer
Closer closer
Then you're close enough to lose
Close to the point where you know that your mind
It cannot choose
Close enough to lose
Close enough to lose
Your heart
Now i'm thinking maybe i was stoned
I felt my feet lift off the ground
And my heart was screaming
And my bones
I need you closer
Closer closer
He met me when the sun was down
The barw as closed
We bloth have had no sleep
My face beneath the streetlamp
It reviews what it is lonely people seek
Closer closer
Closer closer
Then you're close enough to lose
Close to the point where you know that your mind it cannot
Choose
Close enough to lose
Close enough to lose
Your heart

Renovação Vivaldista

A Primavera.



Porque quando era gaiata um dos discos lp que tinha de música clássica, precisamente Les Quatre Seasons
de Vivaldi, chegou a romper algumas agulhas de tanto uso.
E depois, chegam amigos que me inclinam novamente à clássica, e lá vou, como se de uma onda se tratasse e eu quisesse navegar. Aprumem-se as bocas, os olhos, penteiem-se os cabelos para detrás da orelha e oiçam-se os pássaros de Vivaldi.
Navegando.

Olha





Olha você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim 
a cabeça cheia de problemas, não importa eu gosto mesmo assim
Tem os olhos cheios de esperança de uma cor que mais ninguém possui
Me traz meu passado e as lembranças 
Coisas que eu quis ser e não fui
Olha você vive tão distante 
Muito além do que eu posso ter
Eu que sempre fui tão inconstante, te juro meu amor agora é pra valer
Olha vem comigo aonde eu for, seja minha amada e meu amor
Vem seguir comigo o meu caminho e viver a vida só de amor

Wednesday, April 25, 2012

A data da liberdade e os donos do mundo




Hoje é dia 25, dia chuvoso e frio. Apesar disso e devido ao descontentamento do povo, a morte de Miguel Portas veio somar-se à revolta, dando-lhe mais força ainda. Por todo o lado, na capital e na invicta, as praças e ruas encheram-se de gente com slogans e painéis, mostrando ao governo a sua indignação. E, por todo o lado se cantam Grândola Vila Morena, Somos Livres, e todos os hinos que Abril de 74 construiu. De um povo farto de injustiças sociais, privado de direitos democráticos, cujos sonhos então construídos começa a sentir pesadelos e asfixia. Um povo temeroso do futuro mas que ainda acredita na luta pacífica e na reivindicação dos seus outrora direitos.
As injustiças vão acontecendo por todo o lado no planeta e bem o sabemos. Anders Breivik, o assassino norueguês que aniquilou a vida a 77 pessoas, jovens na sua maioria, não se conforma com o diagnóstico que lhe foi atribuído, esquizofrenia paranóide e vai, certamente, meter recurso, dizendo que é uma fabricação malévola. Certamente, a avaliar pelos dois relatórios, este extremista de direita, irá ser considerado inimputável e tratado como um doente. As minhas reservas. Este tipo de psicopatas consegue furar o sistema e fazer mais vítimas. Que o colectivo de juízes possa ser sábio nesta avaliação e atribuir uma perpétua. Noutra parte do mundo, ainda frio, o ex-primeiro ministro islandês Geir Haarde foi considerado inocente, fra(n)co sinal de saúde na justiça de um país a erguer-se
A televisão não anda lá essas coisas, decidindo colocar um documentário excelente fora do horário nobre. Aliás, madrugada adentro. O que valeu foi o feriado. E fica aqui.



Entretanto, os cientistas descobriram a"> "aproximação" linguística e até cerebral nas capacidades dos golfinhos. O mesmo já não se pode dizer dos tubarões brancos. O campeão de bodyboard, o sul africano David Lillienfeld foi atacado por um tubarão e não resistiu aos ferimentos provocados. Os animais continuam a surpreender-nos, salvando pessoas.  E as pessoas também surpreendem pela positiva. O projecto Es.Col.A voltou a recuperar o edifício de onde tinha sido expulso por grande contingente da Psp.
Um final feliz, até ver. Não muito felizes são as previsões para amanhã. a chuva continua a marcar o dia e nós cansados de frio a reclamar Verão e sol. .

Tuesday, April 24, 2012

Miguel Portas e Miguel Tamen - Relvas por encosto



Aqui escarrapachadinho. Miguel Tamen
Fala de irregularidades numa entrevista clara e incisiva.
Lusofonia é uma espécie de colonialismo de esquerda.
Ou seja, não digas que és lusófono porque será o mesmo que te reduzires a um xenófobo ou no mínimo, preconceituoso e provinciano, mesmo que andares a "mijar linguisticamente" nas árvores todas dizendo: isto é meu, aquilo foi meu, eu passei aqui.
Deixo o link com entrevista no Ionline.
Por outro lado, Miguel Portas faleceu hoje em Antuérpia, vítima de cancro de pulmão diagnosticado desde 2010. Perdeu-se um grande político, íntegro e de ideologias vincadas . O Ionline, por erro, deu conta do falecimento do Miguel, mas do Relvas. Ao lado, direito, neste caso.
Rui Tavares escreve a Crónica sobre esta morte de Miguel Portas para amanhã no Público.


Monday, April 23, 2012

E tudo o vento levou...

                                     foto de José Cortes

O exercício da democracia.
Será medo? Ou é so o gozo do poder?
Estão avisados.

Como gravar uma revolução...

Para que não restem dúvidas de quem agride e é agredido.
As revoluções podem e devem ser pacíficas.



Por favor, copia, distribuye, transforma, subtitula... difunde este video y sus contenidos. Cuantas más personas seamos capaces de grabar la realidad que tenemos cerca y mostrársela a otras, menos dependeremos de los medios tradicionales de información y de sus intereses políticos y económicos.

Este video es una versión adaptada al castellano de "How to film a revolution"

Volto já, Johnny Johnny



Para saber mais sobre Johnny Johnny, favor clicar aqui.

The Engineering of Consent

A informação prolifera, e a humanidade continua às cegas a obedecer aos caprichos dos que se auto-intitulam poderosos. Lavagem cerebral ou perspectivas angulares de um mesmo fenómeno? Depois de Zeitgeist e outros documentários semelhantes onde deparámos com a realidade do controlo de massas, continuamos, obtusamente, conformados e apáticos, servindo o poder. Para sermos poderosos? Espelho meu, espelho meu.... Este documentário encontra-se dividido em 6 partes que se encontram no youtube.
José Saramago morreu mas nós continuamos por cá, à margem do seu Ensaio sobre a Cegueira, de onde não retiramos qualquer lição. Em terra de cego, quem tem olho é rei. E nós não somos nem precisamos de ser, mas abrir os olhos já não era má ideia.


Prokofiev e mais contemporaneidades


Pedro e o Lobo.

Da servidão moderna

Jean-François Brient, Da servidão moderna.
Todos os símbolos e posturas que exalam contemporaneidade, todos os autores e filósofos que renascem quando os paradoxos da humanidade tocam o totalitarismo e a sua miséria profundamente desumana.

Philip Zimbardo e o estudo do poder das organizações

O professor de Psicologia, Philip Zimbardo, através de estudos realizados sobre o poder e a alteração que o mesmo provoca nos seres humanos, explica em conferência o Efeito Lúcifer.
Se tiverem tempo, podem visualizar todas as partes, clicando no final do video para 2ª parte e assim sucessivamente, ou ir directamente ao youtube e encontrar todas as partes devidamente assinaladas. Deixo aqui a 1ª parte e refiro ainda que, para terem acesso à legendagem dos mesmos, basta que cliquem no botão CC do video junto ao botão de full screen e poderão ter a transcrição.



 Esta experiência deu origem a um filme chamado The Experiment de 2010, filme esse que passei nas minhas aulas de Psicopatologia Geral; contracenaram neste filme os actores Adrien Brody, Forest Whitaker, Cam Gigandet, Clifton Collins Jr. , Maggie Grace.
Imperdível e tremendamente concludente no que se refere à questão de Philip Zimbardo.

 

Rob Riemen e o Eterno Retorno ao Fascismo





François Hollande ganhou a primeira volta mas não é disso que vos venho falar. 
No Ionline, vem uma entrevista fabulosa com este filósofo holandês, Rob Riemen, onde o  escritor desfia o que lhe apraz  sobre o seu livro Eterno Retorno ao Fascismo, as formas de combate e a necessidade de parar para pensar nos valores fundamentais perdidos.
De Espinosa aos países do alho, do Occupy ao 15m em Espanha, do Efeito de Lúcifer ao Joker.
Necessário reavaliar os valores, expropriar a ganza do poder, ler e, sobretudo, resgatar a cultura. Para não deixar dúvidas. Não és o que tens (quando não teres te reduz a nada) és o que és. Merece a leitura atenta.
Este filósofo holandês , director do Instituto Nexus, escritor de Nobreza de Espírito e Eterno Retorno do Fascismo, bem como Carta a Obama, veio a convite de Mário Soares e devia ser obrigatório ouvi-lo.


Sunday, April 22, 2012

A corrida às urnas em França



Eu a torcer para que Mellénchon possa ter feito a diferença num resultado à esquerda.
Hollande, se for o caso da sua vitória, terá que agradecer à crise económica e a Mellénchon esta viragem de leme francesa.
Que os conservadores tenham uma crise de diarreia.
São os votos da esquerda em todo o mundo.


Cartoons sing it better



Mozart e a flauta mágica

Numa fresca componente pedagógica. Sugerido pela Amélia Pais

Apagão


“Apagão” Com base na estrutura da tragédia “Macbeth”, potencializamos a obra de W. Shakespeare e subvertendo a sua estrutura, colocamos a acção no interior de um imaginário canal de televisão.O misterioso assassinato do director desencadeia uma violenta luta pelo seu controle, cheia de golpes baixos, escândalo e corrupção. A nomeação de BigMac, jovem sem escrúpulos, transforma o decadente canal numa televisão moderna, onde tudo vale para subir as audiências.

Estreia 2 de Maio ás 21h45
Auditório Camões| R. Almirante Barroso (metro Picoas) Lisboa
informações e reservas: 912461466 | Ticketline | facebook/apagão Assistência de produção Filipa Faustino
5ª a sáb ás 21h45 dom ás 17h
Texto original e encenação Óscar Branco
Interpretação Alexandre da Silva | Mané Ribeiro | Margarida Videira |Óscar Branco




Picasso e Dora Maar



Em breve, mais um filme do pintor de Guernica e do seu envolvimento com Dora Maar.
Guineeth Paltrow protagonizará Dora

Saturday, April 21, 2012

Friday, April 20, 2012

Bafos de saudosismo da ditadura



Que me parecem ser apenas desabafo. Ninguém acredita mesmo que nesse tempo era melhor.
A repressão não favorece ninguém, a não ser os que a praticam.
A respectiva critica de quem porventura, saberá melhor do que eu o significado de ditadura, saiu em forma de Elogio ao Bolor. Com origem no Ma-Schamba.
A favor de um bom ensino e de uma melhor educação.
Sem demissão de papéis, sejam parentais ou pedagógicos.

Lambchop

MAD TAPES ONLINE: DA GUN (KOSMO E MALABÁ) - "SOU QUEM SOU" | VIDEO O...

MAD TAPES ONLINE: DA GUN (KOSMO E MALABÁ) - "SOU QUEM SOU" | VIDEO O...

Hip Hop Angolano. À escuta.

Wednesday, April 18, 2012

Greve ao forrobodó!



Não utilizarei facebook, microsoft e Ibm.
Estou em franca contestação. Cansada dos Big Brother's...
Assinei a Avaaz.

Sail (blame it on my A.D.D. baby)

Queria de ti um país...

Onde me pudesse identificar.
Em dia de aniversário de Antero de Quental (170ª aniversário), a poesia de Mário de Cesariny e a lembrança de George Orwell, quer através de 1984, quer através do Triunfo dos Porcos.




Queria de ti um país onde pudesse sentir que a educação e o ensino são mais do que particularidades e menos do que opções de pastas onde tudo se pode subtrair. Queria de ti um país de valores e princípios, onde os cidadãos pudessem ver na justiça uma forma de controlo e reparação que penaliza os que das leis dos homens justos se afastam e, a pendência à direita da balança vai enaltecendo ladrões de colarinho branco e sujeitando os miseráveis a custos e obrigações que, à partida os levaram lá, frisando todos os dias mais e mais os paraísos fiscais de alguns, garantindo a isenção de punição aos mais espertos. Queria de ti um país onde emigrar e imigrar não fossem dois pesos e duas medidas, mas sobretudo, em que emigrar não fosse a política em vigor, a resposta incentivada pelo governo deste país, que tenta a ferro e fogo, desapropriar a dignidade e o orgulho, a determinação e a vontade de continuar a fazer parte da história na restauração dos valores perdidos, valores esses substituídos pelo neo-liberalismo e tecnocracia.
Queria de ti um país, onde, por detrás de cada número eleitoral, se adivinhasse um cidadão ou uma estrutura familiar, e a sua importância não fosse tida em conta apenas em actos eleitorais.
Queria de ti um país onde os consensos pudessem ter lugar e as divergências não coubessem na palavra quotidiano. A democracia só é exercida em plenitude quando não há receio de algozes e nem ganância do super-poder. Queria de ti um país onde a língua acordada e viva não fosse (mal) usada com tanto desdém e arrogância, para mostrar feitos, para crescer vaidades desvalidas. O (des)acordo ortográfico deveria ser tema de debate com linguistas e usuários da língua, com legisladores e em democracia assim seria.
Queria de ti um país onde os condicionalismos históricos fossem substituídos por incondicionais valores mais altos que singrassem, não do fenómeno das massas destituída de reflexão, não do individualismo que só encontra auge e lugar ao poder usurpado mas, antes a, um espírito critico dos que governam e que não vêm futuro num país onde o povo não possa se exprimir nem se encontre de forma alguma representado como burro de carga, só servindo para pagar o despesismo do governo e não se identificando nas suas políticas internas, mais correctamente definidas como represálias. O jugo vai pesado. O burro vai cansado. Ou larga o jugo e se endireita ou se deixa abater pelo peso que carrega.

Monday, April 16, 2012

For today


I saw a pearl of wisdom
in the spirit of a man
as he saved
the day he lost.

Time will say I told you so
if we look back in regret.
Never give a day away.
It won't return the same again.

Nothing can last
there are no second chances.

Saturday, April 14, 2012

Cannabis e o crime da pílula do dia seguinte


O mundo em franca mudança.
Quem disser que nunca fumou daquilo que faz rir ou está a mentir ou ...é capaz de desconhecer os efeitos terapêuticos da planta. Se somos apanhados pela polícia com cannabis para consumo próprio, o que nos acontecer é uma de duas coisas: Ou vamos à esquadra para identificação e registo, do tipo: eu estive aqui, ou, na pior das hipóteses, vamos de cana e ficámos com registo criminal.
Santarém e Cartaxo inovam: para pagar as dívidas, cujos valores se desconhecem, mas deduz-se serem de grande monta, vão-se rentabilizar uns talhões com cannabis. Mas que fique bem frisado, não há cá fuminhos nem subidelas de muro e nem vendas particulares. Tudo o que render destas plantações será para pagar as ditas dívidas....Quem vai dar a cara ao projecto, sabe-se já, é Paulo Futre :)
Quanto à pílula, o assunto torna-se mais sério. É da proibição da contracepção que se fala e que se pune.
Assinem o Mundo em Acção da Avaaz aqui e não permitam que mulher nenhuma possa ser condenada por decidir se quer, pode, deve ter filhos. Não há justiça nenhuma no assunto.


Mário Domingos

Neste Abril de (algum) receio, de (alguma) vergonha e de (alguma) esperança, a sonhar com Maio.
De poetas idos que ficam.
                                   John Russell, 1745/1806, Museu do Louvre

MAIO

Um dia mereceremos Maio.
Traremos flores dentro da pele
E o olhar luminoso de quem ama.

Um dia acordarei e será Maio,
Sem palavras, sem gritos, sem fronteiras,
Sem medo de ser Maio, sem medo
De ser.

Um dia mereceremos os maios,
As giestas, o verde das águas
As gotas de orvalho e o cristal dos nervos.

Um dia acordarei e será Maio,
Cheiro de terra, pétala de carne,
Rumor de um horizonte a descobrir
Em mim.

Um dia acordaremos e seremos Maio.


Edium Editora


Friday, April 13, 2012

Bairro dos Livros na Invicta



Aguarda-se que o parto seja feliz. O prognóstico é bom.

Us and them


Us, and them
And after all were only ordinary men.
Me, and you.
God only knows it's not what we would choose to do.
Forward he cried from the rear
And the front rank died.
And the general sat and the lines on the map
Moved from side to side.
Black and blue
And who knows which is which and who is who.
Up and down.
But in the end it's only round and round.
Haven't you heard it's a battle of words
The poster bearer cried.
Listen son, said the man with the gun
There's room for you inside.

I mean, they're not gunna kill ya, so if you give em a quick short,
Sharp, shock, they wont do it again. dig it? I mean he get off
Lightly, cos I wouldve given him a thrashing - I only hit him once!
It was only a difference of opinion, but really...i mean good manners
Don't cost nothing do they, eh? 

Down and out
It can't be helped but there's a lot of it about.
With, without.
And wholl deny it's what the fightings all about? 
Out of the way, it's a busy day
Ive got things on my mind.
For the want of the price of tea and a slice
The old man died.