Friday, March 30, 2012

Masturbação em ficheiro



Algures, há talvez quase 6 anos, escrevi, dedicando a alguém das minhas relações sociais e pessoais um poema que hoje foi publicado nos Estúdios Raposa, recitado por Luís Gaspar.
Chama-se Tocar-me te 


dedos devorando pressa e tempo

urgência desejo, arfar, corrida

negação da paz esta guerra

fúria que exige ser combatida.

fechar os olhos ter-te 
onde o desejo queima mais perto

fonte generosa, drink indigesto

testa em brasa, beber-te

toco o orgasmo e esgoto o cio

apalpo o meu seio, ardente de frio

invento beijos, flagelo hemisférios

provoco-me, então, o doce arrepio

vibramos os dois, em camas diferentes,

no vazio do nosso leito

combato alguns dos teus medos, 
ainda sinto o teu coração correr

qual cavalo, no meu peito 
entre o lençol de algodão

e agora já calmos, 
os teus nos meus dedos.

masturbação.



Thursday, March 29, 2012

Existem coisas na vida

Incerto café negro

Mend





I never meant to go

I never meant to fall but I'm only gone
I never meant to go I'm only gone inside my own
Some day I'll wake you
Some times I'll wait for myself
Some day I'll hold you through
Tonight I'm alone to go high
Tonight I'm alone to go high
Tonight I'm alone to go
In state of confusion you made an illusion
State of confusion you made an illusion
It is exciting to be away
Feeling you all inside of me
I'm standing here but I'm really gone
You see me as I go
You've been precious to me
I've been blessed in the way
But Now I'm falling I'm inside

Reflexão sobre a dor por Cláudio Fagundes





Às vezes eu fico pensando sobre a dor. Eu não sou cara de fugir da dor, mesmo porque não adianta, quando ela veio foi inevitável. Também não a procuro, mas às vezes a pressinto ao longe, como se fosse dona de uma espera paciente.
Por ter vivido intensamente dores profundas, talvez eu saiba viver profundamente, também, as minhas alegrias de leveza e alguns prazeres rasgados. Não posso me queixar da vida e nem mais rasgar as vestes. Não me queixo da vida porque a vida é, antes de tudo soberana. Deve ser reverenciada como parte do sublime mistério do ser.
Hoje eu não quero falar de alegrias, nem de viscerais prazeres. Eu - hoje, só hoje - estou achando uma extrema tolice máximas que dizem que a felicidade começa dentro de si mesmo. Isso poderia ser verdade em universos perfeitamente egocêntricos. Eu não sou eu mesmo. Eu apenas sou quando sou no mundo. O mundo não muda dentro de nós. O mundo interage com o ser e o se se transforma só quando em contato com o mundo. E o mundo não pode estar dentro de nós.
Nesse estado de consciência eu percebo que a sensibilidade para com o outro está muito relacionada com a nossa vivência da dor. Escute o Canto Triste (Edu Lobo - Vinícius) e perceba como transborda uma amargura que não pode ser mensurada. Descreve toda a distância que existe na morte e a saudade de um amor que persiste, infinito. Não é uma tristeza vã, nem um culto à dor. É um reconhecimento da extrema fragilidade humana frente ao infinito. Ouça Pra Dizer Adeus (Edu Lobo - Torquato Neto) e deixe-se envolver por uma despedida sofrida, mas conscientemente necessária. E ainda há isso aqui para informar que há dores que são mais que inclementes. Dores que são insuperáveis.
Não, não é um culto à dor. É um profundo respeito. Um respeito que é quase uma oração ao cotidiano daqueles que sofrem. Não, não é uma busca de cumplicidade na dor. É uma empatia com vontade de ser bálsamo de silêncio. Porque a dor maior é a dor silenciosa. A dor que não sai no jornal.

Greve em Espanha



A greve em Espanha já tem detidos e feridos....
A tolerância a marcar pontos mais uma vez.
Será altura de pegar outra vez em Nostradamus?

Wednesday, March 28, 2012

Sanctuary

Das datas vencidas



Todos os dias são dias de viver.
E comemoram-se fatias do tempo,
como se esperássemos,
algures numa esquina do calendário,
mais um motivo que faça manter
em redoma a esperança, bem oleada
avessa a contra-tempos infelizes.

Esta organização em torno de um ano,
vai fazendo contagens e balanços.
E hoje é dia fatídico na agenda pessoal.
Carregado de tudo o que se constrói e nos destrói.
Mas sigo em frente, como manda o figurino.
Cruzo-me diante do espelho da alma,
Sem brilho nos olhos mas igual
E venço mais esta data, de si já vencida.



Ciao Baby a Millôr Fernandes



Um adeus a Edie Sedgwick que engloba a partida do escritor, humorista, entre outras funções,
Millôr Fernandes.The Cult. Sugestão do mestre do Rock N' Stock, o radialista Luís Filipe Barros.
E agora, um poemeu, do livro "Poemas"



Poemeu - A superstição é imortal



Quando eu era bem menino
Tinha fadas no jardim
No porão um monstro albino
E uma bruxa bem ruim.

Cada lâmpada tinha um gênio
Que virava ano em milênio
E, coisa bem mais perversa,
Sapo em rei e vice-versa.

Tinha Ciclope,Centauro,
Autósito, Hidra e megera,
Fênix, Grifo, Minotauro,
Magia, pasmo e quimera.

Mas aí surgiram no horizonte
Além de Custer e seus confederados
A tecnologia mastodonte
Com tecnologistas bem safados
Esses homens da ciência me provaram
Que duendes, bruxas e omacéfalos
Eram produtos imbecis de meu encéfalo.
Nunca existiram e nunca existirão:
uma decepção!

Mas continuo inocente, acho.
Ou burro, bobo, ou borracho.
Pois toda noite eu vejo todo dia
Tudo que é estranho, raro, ou anomalia:
Padres sibilas
Hidras estruturalistas
Ministros gorilas
Avis raras feministas
Políticos de duas cabeças
Unicórnios marxistas
Antropólogas travessas
Mactocerontes psicanalistas
Cisnes pretos arquitetos
Economistas sereias
Democratas por decreto
E beldades feias
Que invadem a minha caverna
E me matam de aflição
Saindo da lanterna
Da televisão.


Bolas de Cristal



Diabinhos à solta



País Portugal
Do álbum Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos!

Ópio, maldito ópio...




Num banco de névoas calmas quero ficar enterrado
Num casebre de bambú na minha esteira deitado
A fumar um narguilé até que passe a monção
Enquanto a chuva derrama a sua triste canção
Sei que tenho de partir logo que suba a maré
Mas até ela subir volto a encher o narguilé
Meu capitão já é hora de partir e levantar ferro
Não me quero ir embora diga que foi ao meu enterro
Deixem-me ficar deitado a ouvir a chuva a cair
Que ainda estou acordado só tenho a alma a dormir
Como a folha de bambú a deslizar na corrente
Apenas presa ao mundo por um fio de água morrente
Nos arrozais morre a chuva noutra água há-de nascer
Abatam-me ao efectivo também eu me vou sem morrer
Para quê ter de partir logo que passe a monção
Se encontrei toda a fortuna no lume deste morrão
Ópio bendito ópio minhas feridas mitiguei
Meu bálsamo para a dor de ser
Em ti me embalsamei
Ópio maldito ópio foi para isto que cheguei
Uma pausa no caminho
Numa névoa me tornei...

RUI, grande RUI

Monday, March 26, 2012

Façamos traduzido ;)



Os cidadãos fazem....
Original de Cole Parker.
Let's fall in love.


Os cidadãos no Japão fazem
Lá na China um bilhão fazem
Façamos vamos amar

Os espanhóis, os lapões fazem
Lituanos e letões fazem
Façamos vamos amar

Os alemães em Berlim fazem
E também lá em bom
Em Bombaim fazem
Os hindus acham bom
Nisseis, níqueis e sansseis fazem
Lá em São Francisco muitos gays fazem
Façamos vamos amar

Os rouxinóis, os saraus fazem
Picantes pica-paus fazem
Façamos vamos amar

Os uirapurus no Pará fazem
Tico-ticos no fubá fazem
Façamos vamos amar

Chinfrins, galinhas afim fazem
E jamais dizem não
Corujas sim fazem, sábias como elas são
Muitos perus todos nus fazem
Gaviões, pavões e urubus fazem
Façamos vamos amar

Dourados, mão, Solimões fazem
Camarões em Camarões fazem
Façamos vamos amar

Piranhas só por fazer fazem
Namorados por prazer fazem
Façamos vamos amar

Peixes elétricos bem fazem
Entre beijos e choques
Garçons também fazem
Sem falar nos adoques
Salmões no sal em geral fazem
Bacalhaus no mar em
Portugal fazem
Façamos vamos amar

Libélulas em bambus fazem
Centopéias sem tabus fazem
Façamos vamos amar

Os louva-deuses com fé fazem
Dizem que bichos de pé fazem
Façamos vamos amar

As taturanas também fazem
Um ardor em comum
Grilos meu bem fazem
E sem grilo nenhum
Com seus ferrões os zangões fazem
Pulgas em calcinhas e calções fazem
Façamos vamos amar

Tamanduás e tatus fazem
Corajosos cangurus fazem
Façamos vamos amar

(Lá vem com a mãe)
Coelho e só e tão só fazem
Macaquinhos no cipó fazem
Façamos vamos amar

Gatinhas com seus gatões fazem
Tantos gritos de ais
Os garanhões fazem
Estes fazem demais
Leões ao léu, são do céu, fazem
Ursos lambuzando-se no mel fazem
Façamos vamos amar



Do eterno retorno

Unidos pelas dívidas

postcard encontrado na net


A crise assume contornos económicos, políticos e sociais sem fim à vista.
Casamento intermináveis, perpetuando-se. O divórcio desenha-se um sonho ou um pesadelo inacabado.
E já existirão em curso novos estudos para avaliarem as repercussões psicológicas e sociais positivas e negativas deste clima de guerra fria entre duas pessoas obrigadas a manterem laços um com o outro e, em simultâneo, com as agências bancárias e imobiliárias. Ad eternum  que se possa minimizar num desfecho mais positivo. Os 7% referidos no artigo não devem corresponder a esta realidade, ela deve compreender números mais altos.
Neste momento, a situação é esta: -através da política laboral consegue desvincular-se de um funcionário mais facilmente do que os cônjuges do casamento que já não querem.
Mas como disse alguém: Não sejamos piegas, nem tudo o que é mau vem para ficar.
Exploremos a questão de uma perspectiva positiva: Afinal, os casamentos podem ser eternos.

Providence, de Resnais, 1977


Watch Providence (1977, Alain Resnais) part 1 in Horror  |  View More Free Videos Online at Veoh.com





Watch Providence (1977, Alain Resnais) part 2 in Horror  |  View More Free Videos Online at Veoh.com

O universo onírico de Alain Resnais...
Ler o Contracampo.
Em contraste às décadas anterior (1960) e posterior (1980), durante as quais filmou com uma maior freqüência, os anos 70 se passaram com Alain Resnais dirigindo apenas dois longas-metragens. Stavisky...eProvidence. Estes podem não estar situados entre aqueles mais lembrados como marcantes na obra do cineasta. Estão dotados, no entanto, de características marcantes em sua filmografia e, embora guardando entre diversidades temáticas diversas, parecem de alguma forma sempre recorrer a um mesmo tópico: a construção de imagens e identidades.

Providence tem sua narrativa centrada num universo intrincado onde imaginação, memória, delírio e realidade se enlaçam e se confundem a todo instante durante a noite na qual o escritor Clive Langham (John Gielgud) tenta, entre doses de bebida e dores atrozes, criar um derradeiro romance. Em seu primeiro filme falado em inglês, Resnais preserva elementos básicos de sua obra, neste filme que, como outros de sua autoria, reproduz um fluxo de consciência atemporal durante o qual o escritor projeta seus desejos, emoções, sentimentos, transmutando seus familiares – filhos, cunhada, esposa falecida – em personagens de seu romance. As imagens que Clive inventa e reinventa em seu processo de criação delirante transmitem seus rancores e frustrações para com os parentes.

A direção de Resnais concebe Providence como um labirinto de imagens e sombras, onde as características e atitudes dos personagens vão de transmutando ao sabor do rumo que toam as emoções do pai-criador. Resnais, via Clive, vai concebendo uma narrativa que projeta toda complexidade de um processo autoral, e tudo que um autor consegue injetar de mais íntimo nesse processo. Resnais, por sua vez, vai fazer de seu filme uma mistura de sensações não muito lógicas, mas sempre coerente. Não esquece inclusive de banhar Providence em delicado humor e ironia. Preservando uma possível verve de humor britânico inerente ao texto original do dramaturgo David Mercer, mas injetando seu toque pessoal, como viria posteriormente a fazer em Smoking/No Smoking ou Medos Privados em Lugares Públicos, também originados na dramaturgia inglesa. É em Providence no entanto onde o humor um Resnais aparece de forma mais inusitada e desconcertante.

A conclusão do filme vem elevar um pouco mais esse teor de ironia. A meia hora final traz Clive de volta a uma suposta realidade durante a qual recebe a vista dos parentes. E aqueles vistos em sua obra-delírio como raposas cruéis – em especial o filho mais velho Claude (Dirk Bogarde) – aparecem agora como afáveis e cordatos para com a figura paterna decadente. No entanto, além da aparente paz reinante, o que torna o final de Providenceextremamente incômodo é a artificialidade na qual ele se constrói, num visual de gritante simulacro de uma pintura impressionista. Resnais faz com que o mundo aparentemente imaginário do delírio noturno de Clive se imponha como mais real que o suposto presente idílico, concedendo ao espectador a sensação de entrada em uma nova ala do labirinto, mesmo ao final da projecção.




Cadernetas do cinema.
Perto de alguns sonhos, nada real tem tanta intensidade”. Dita em determinado momento de Providence por Claude Longhan (Dirk Bogarde) essa fala talvez sintetize algumas das questões propostas por essa obra-prima um tanto esquecida de Alain Resnais: até que ponto os sonhos são capazes de revelar o real? Não seriam os sonhos por vezes mais eficientes em explicitar aspectos da realidade que a própria realidade? Posições claramente controversas, mas nunca desinteressantes.
Deve-se, em primeiro lugar, ressaltar o fato de que a dimensão onírica não é uma novidade no cinema que Resnais desenvolve em Providence. Ela já está presente em seus dois primeiros filmes de ficção, os aclamados Hiroshima, Meu Amor (Hiroshima, Mon Amour, 1959) e O Ano Passado em Marienbad (L’Annèe Dernier en Marienbad, 1961), e também, não por mero acaso, em seu trabalho mais recente, As Ervas Daninhas (Les Herbes Folles, 2009). Em Providence, entretanto, esse caráter recorrente do cinema de Resnais é explicitado, ganhando alguns contornos específicos.
Numa primeira parte do filme, dois movimentos e tons se intercalam. De um lado, quatro personagens formam um improvável quadrado de relações. Claude (Bogarde) é o arrogante e histriônico promotor do caso em que Kevin Woodford (David Warner) é acusado de matar um velho. Sonia (Ellen Burstyn), esposa infeliz de Claude, parece querer a todo o momento trair o marido com Woodford, que se mostra ao longo dessa primeira parte do filme como alguém completamente apático, distante e pouco interessado ao que ocorre a sua volta. Por fim, Helen (Elaine Stritch), também tratada em certos momentos por Molly, mulher que já passou da meia-idade, apresentada como amante de Claude. Intercalando-se com esse quadro de relações, acompanhamos a difícil noite regada à bebida, dores e remédios de Clive Longhan (John Gielgud), escritor que logo deduzimos ser o pai de Claude e que interfere como uma espécie de comentarista, pontuando, ironizando, criticando e, muitas vezes, determinando as ações dos demais personagens, principalmente de Claude.
Ao contrário dessa primeira parte do filme, ora delirante, ora sombria, quase sempre sem um sentido aparente e com personagens que beiram a caricatura, a segunda surge com uma feição mais realista, embora ainda um tanto onírica. Há nesses momentos finais do filme, principalmente nos planos que abrem essa espécie de epílogo de Providence, um tom bucólico, que vai se dissipando conforme as tensões existentes entre os personagens que se reúnem para uma festa vão se explicitando. Os protagonistas desse embate latente são as figuras centrais da primeira parte do filme: Clive e Claude, pai e filho.
Pelo já dito, é possível afirmar aqui que Providence permite uma abordagem claramente psicanalítica, já que Claude é representado como uma espécie de Édipo que deseja matar o pai e fazer sexo com a mãe, que, ficaremos sabendo, é Helen/Molly. Não vamos, entretanto, trilhar esse caminho, até por falta de competência para tanto. Interessa-nos aqui, por outro lado, a construção do filme, formado por essas duas partes com tons e mise-en-scène muito distintas.
Em primeiro lugar, parece importante dizer que essa segunda parte do filme, que se constrói a partir de pressupostos mais próximos de um certo realismo ainda que, como já dissemos, não abandone de todo o tom onírico, esclarece e explicita algumas relações que não são tão óbvias na primeira parte. O caráter impressionista de alguns planos, o comedimento das atuações e o não-dito do roteiro e da encenação completam o quadro desse último ato de Providence. É possível afirmar que esses momentos finais do filme se caracterizam principalmente pelo latente, pelo implícito, por aquilo que não é capaz de revelar todas as tensões existentes naquele círculo familiar. A atuação de Dirk Bogarde é aqui exemplar. É possível perceber contrariedades, mágoas e tensões menos em suas falas que em um meneio de sua cabeça ou em um olhar.
Em outro sentido, a actuação de Bogarde na parte inicial do filme também pode revelar algo sobre ela. Histriônico, sempre gesticulando e extremamente caricato, não cansa de revelar seu egoísmo e seu profundo desprezo pelo pai. O exagero dos gestos e a fala empolada não combinam com o que vemos no último acto do filme, embora certamente revelem ricamente o personagem ou, pelo menos, a visão que Clive, seu pai, tem dele. Não é arriscado dizer que se a segunda parte do filme, calcada em uma pretensa realidade, não revela tudo, destacando apenas os trincos existentes na superfície (para usar uma imagem do filme), a primeira, cuja regra é o delírio, o pesadelo e, mais especificamente, o imaginário, é capaz de explicitar, em grande medida, as tensões que se escondem em meio ao verniz de civilidade dos personagens. Isso não quer dizer, entretanto, que o sonho possa substituir a realidade, até porque um é capaz de revelar o que a outra deixa escondido e vice-e-versa, mas, por outro lado, o imaginário se mostra capaz sim de explicitar conflitos que com mais dificuldade se apresentam a olho nu.
Nesse grande filme sobre as interconexões entre o sonho e a realidade, os grandes temas de Alain Resnais não ficam de fora. O delírio noturno de Clive parece o canto do cisne de alguém cujo passado parece um grande fardo a carregar, repleto de culpas e coisas mal resolvidas. O tempo que corre, a memória que fica e a morte que se aproxima, mais até que seu filho Claude, são os seus juízes. É o que o sonho e a realidade de Providence podem revelar ao espectador que deve voltar urgentemente a esse filme.

Sunday, March 25, 2012

Acústico clássico

Tarde de Domingo entre Ronan e Vinicius



Não consigo ler Miller, irrita-me isto, dou por mim, a voltar atrás à linha anterior, à pagina seguinte, como se não pudesse sobreviver sem o ler e fosse um esforço vão tentar uma vez mais. Desisti, por ora, e ainda bem. Peguei n Os Homens que amaram Evelyn Cotton, de Frank Ronan e fiquei encantada. E estou tão encantada que apesar de já lhe antever o final, pauso-o, demorando, atrasando esse fim que não desejo ver ao livro.
Os cepticismos assaltam-me, mesmo diante das mais fantásticas histórias de paixões e amores. Ou deveria dizer, principalmente...? Porque me parece que, longe do que imaginava ver/viver neste departamento, se encontram histórias insólitas de amores trágicos e menos trágicos que em nada se assemelham ao que vivi e que em nada se compadecem das minhas lágrimas. Um dia, hei-de destruir essa palavra amor, amor de amar e amor de ser amado. É necessário desconstruir e voltar a erguê-lo. Talvez mais vezes, talvez sempre que nos assalte a dúvida: amarei ou não? Reavaliá-lo, repensá-lo e depois de cada tijolo e argamassa se unirem em sintonia, talvez seja necessário sentir. Parar para sentir, o que cada um sente do, pelo, para, como, ao amor. Porque isto de amar, desbravados os primeiros passos, derrubadas as respectivas barreiras, há-de ser outra coisa que não o amor.
E de encontro a Ronan, à sua perspicácia e entendimento de ser-se mulher ou homem, existe um entendimento maior, enquanto anatomista do sentimento. Apetece, então, desta leitura recolher ao sótão, encolher preceitos e conceitos. Decido que só Ronan podia construir o mundo sob outros moldes. O meu, claro. Deixo ficar aqui excerto desse bom presságio, que venha a servir na ideia que temos do amor ou, em última análise, na coragem de desmontar o que sentimos e permitir-mo nos o amor mais glorioso e simples cujo significado, porventura, possa ter sido perdido nas suas nuances, andanças e mudanças que a vida nos impinge (e possamos acordar amanhã apaixonados por um gesto ou um certo olhar, sem dele esperarmos mais do que ele é: um momento de felicidade).
Para abrir o apetite, o princípio da paixão:

"...Tinha uma forma muito sua de dissimular o humor e de se rir dos outros em segredo. Admirava este seu traço. Achava que demonstrava auto-suficiência e uma desconfiança saudável em relação á humanidade. andava a estudar Arquitectura em Bath. Era um assunto pelo qual nutria um interesse puramente ideológico e para o qual parecia ter pouca aptidão. Os tutores diziam que tinha um grande futuro naquela profissão, mas naquela altura Bath era uma escola antiquada, onde ainda prevalecia o modernismo.
Benedict entregou-se de imediato ao trabalho com o colmo e durante todo o fim-de-semana a sua silhueta andou empoleirada em cima do telhado, ao lado da de Hugh. Na prática, não deu grande ajuda, mas foi uma companhia agradável. Mais tarde, Hugh disse-me que, embora gostasse de Benedict, mantinha naquele tempo uma certa distância em relação a ele, por qualquer motivo que lhe escapava. Para mim, esse motivo era óbvio. E então para mim, que conheço os Cottons e convivo com eles há tantos anos.
Quando nos apaixonamos por outra pessoa, achamos que tudo o que a rodeia é maravilhoso e único. Ficamos estonteados pela beleza dos mais pequenos gestos e tendemos a fixar tudo aquilo que achamos ser um traço individual dela. Fazemos deles os nossos tesouros, os bens a que podemos recorrer para, de vez em quando, nos sentirmos felizes ou infelizes.
Depois conhecermos as pessoas da sua família, uma a uma ou talvez todas de uma assentada. Pode não haver semelhanças físicas entre os membros da família, mas acabará sempre por vir ao de cima uma expressão da boca ou um dito que se reconhece. Por um breve instante, os olhos dilatam-se e sentimos um frémito de emoção que até então pensávamos só poder ser despertado em nós pela pessoa que amamos. Ficamos de tal modo embaraçados que mais tarde tentaremos negar essa emoção a nós próprios. Senti isso em relação a Benedict, à mãe de Evelyn e ao irmão dela. Senti-o em relação a Sarah Bliss que, embora não seja da família de Evelyn, é extraordinariamente parecida com ela. Acabamos por compreender que a pessoa que amamos não é única em todos os seus traços, mas antes uma combinação única de traços comuns. E, mesmo assim, continuamos a amar esses traços, porque, muito provavelmente, foram eles o primeiro objecto do nosso amor. Consigo, pois, imaginar Hugh Longford, que, naquele momento ainda não estava consciente do seu amor por Evelyn, sentado no cimo do telhado do celeiro grande ao lado de Benedict, a observar um trejeito da boca ou um gesto das mãos e a sentir-se momentaneamente atraído sem saber porquê, mas, para seu próprio bem, a afastar de imediato essa sensação, sem conseguir, no entanto, deixar de sentir uma certa reserva em relação a Benedict.
Talvez esteja enganado. Talvez fosse ainda muito cedo para Hugh estar apaixonado por Evelyn (à parte o facto de a paixão começar sempre muito antes de termos consciência dela) e ele estivesse apenas a sentir uma premonição da raiva que Benedict viria a ter dele."






Something from Staind

Saturday, March 24, 2012

Mamma mia!


:)

Silêncio



Duermen en mi jardín
los nardos y las rosas
las blancas azucenas
y mi alma, muy triste y persarosa
a las flores quieren ocultar,
su amargo dolor.

No quiero que las flores sepan,
los tormentos que me da la vida
si supiera lo que estoy sufriendo,
por mis penas, llorarían, también.

Silencio, que están durmiendo
los nardos y las azucenas
no quiero que sepan mi penas,
porque si me ven llorando, morirán.

Wednesday, March 21, 2012

Ao Deus-dará

Ana, greve geral a 22 Março







Fazer greve não é baldar-se ao trabalho, fazer greve é muito mais que isso, fazer greve é dizer que quando vendemos a nossa força de trabalho, as alfaces que plantamos e colhemos, as letras que ensinamos, os sapatos que sabemos cozer, o chão que sabemos limpar, o lixo que recolhemos, o parafuso que apertamos, os papeis que arquivamos, o tijolo que assentamos entre creme de cimento, o comboio que conduzimos, a camisola que vendemos, o embrulho com fita azul ou rosa, a fralda que trocamos ao idoso ou à criança, o autocarro que conduzimos diariamente, cheios de iguais a nós, pessoas que vendem o que sabem fazer, vendem todos os meses para comprar isso, alfaces, sapatos, parafusos, pagar um tecto um abrigo, o caderno onde os nossos filhos aprendem as letras, o pão, o pão de cada dia de todos os dias, mas por vezes esta troca torna-se insustentável e arquivar papeis todos os dias ou cozer sapatos, dar injecções ou vender camisolas, torna-se mais ou menos um trabalho escravo, onde mudam os nossos dias de descanso, as horas de trabalho, as de inicio de trabalho, as de fim de trabalho, podem ainda mudar o local de trabalho, e no fim, no final de cada mês o preço que nos pagam ou paga a alface ou o abrigo, o remédio ou o sapato, o bife ou a injecção, e dado que não é possível viver em meio tecto, andar só com um sapato, ensinar só as vogais e os números primos, não é justo nem inteiro, e então pensamos o que fazer, primeiro arranjamos forma, compramos alfaces pequenas, pagamos as contas urgentes, engraxamos os sapatos velhos e vamos seguindo assim, depois vemos que não somos só nós, são todos ao nosso redor, pelo menos todos os vivem assim de vender o que sabem fazer, e mais ainda vemos que cada vez mais alguns de nós ficam parados em casa, com as mãos vazias, impotentes, sentindo-se um pouco culpados ou diferentes, outros olham para o pouco que tem para uma vida passada de trabalho que lhes deixou queixas várias, dores difusas, falta de liquidez para as alfaces, e então tentamos falar, não nos escutam, depois gritamos na rua e dizemos de nossa justiça, e não nos escutam, depois pensamos assim, há qualquer coisa que posso fazer, posso não apertar o parafuso um dia, mesmo que isso implique receber menos esse dinheiro, do pouco que já temos e que nos falta para as alfaces, podemos mostrar que fazemos falta, que um dia sem comboios, sem autocarros, sem papeis arquivados, letras ensinadas e lixo recolhido faz diferença, que fazemos falta, que exactamente porque queremos trabalhar, todos, queremos sapatos para todos, alfaces para todos, leite para todos, letras para todos, o direito a sorrir a sonhar com o futuro, e porque não queremos outro caminho que não seja este delineado por quem não tem problemas com o preço das alfaces, quem nunca apertou parafusos, quem nunca trabalhou e não dá valor nenhum ao trabalho, como nós damos, nós os grevistas…    

Monday, March 19, 2012

Dolores Duran

Dai-me, senhor, uma noite sem pensar.
Dolores Duran e a sua biografia.
Morreu aos 29 anos, mantendo-se viva nos que a conheceram e nos vídeos que estão disponíveis pela web.









Ennio Morricone


La musica parla. Music talks.
Ouvir, escutando.

Florbela

Aqui, diz tudo o que penso e senti ao ver na tela de cinema, a vida biográfica de Florbela Espanca.


Sunday, March 18, 2012

Maluda

"Os quadros de Maluda são um hino, um louvor à vida, ou seja à construção do abrigo humano". Maria Helena Vieira da Silva 
no blog Maluda


fotografada no seu atelier em Lisboa
                                                                 tela de Janela de Lisboa

                                                                "auto-retrato"

Morreu em 10 de Fevereiro de 1999 mas a sua pintura continua imortal, como Fernando Pernes dizia: - a sua arte representa «um sistemático decantamento da experiência cezanneana».

                                                                         tela "romãs"
Cortesia Wikipedia.

retrato de Amália Rodrigues

tela do Porto in Paisagens

selo do Campo Pequeno



Homenagem à Maluda disponível no seu blog




Fado Maluda
Letra de Rosa Lobato de Faria
Nasceu guardiã dos sonhos
Tem a magia nos olhos
Traz os segredos na mão
Torna Lisboa mais bela
Quando pinta uma janela
Logo se abre o coração
Torna Lisboa mais bela
Quando pinta uma janela
Logo se abre o coração
São quiosques, são telhados
E há pardais alucinados
Embriagados no Tejo
E uma cegonha perdida
Confusa, pediu guarida
Numa tela de Além Tejo
E uma cegonha perdida
Confusa, pediu guarida
Numa tela de Além Tejo
Tonalidades secretas
Azuis de Prússia, violetas
Ardências de chão queimado
E onde a noite princípia
Para não morrer a magia
Pousa os pincéis, canta o fado
E onde a noite principia
Para não morrer a magia
Pousa os pincéis, canta o fado


Fado incluído no album “Fados”, de Carlos Zel
Letra: Rosa Lobato de FariaMúsica: Carlos da Maia© BMG Ariola, 1993

Wednesday, March 14, 2012

Jorge Luis Borges, el lento crepusculo

Total Eclipse, Klaus Nomi

Blind mamie forehand, 1927

Circuito gastronómico na tugolândia






Para quem gosta de comer bem e de passear, os fins de semana gastronómicos são algo ideal. São fins de semana em que os concelhos da região Norte de Portugal promovem a sua gastronomia: um prato + uma sobremesa típicos desse concelho. Os restaurantes locais, nesse fim de semana, oferecem esses dois produtos especialmente. 
Aqui vai lista dos próximos fins de semana, divulguem-na, vale a pena.






16, 17, 18 de março

Caminha: polvo do nosso mar + arroz doce
Celorico de Basto: cabrito assado no forno + pão de ló
Maia: bacalhau à lidador + rabanadas
Póvoa de Lanhoso: cabrito à São José + rochas do pilar
Torre de Moncorvo: borrego terrincho + bolo de amêndoa
Vizela: rojões à moda do Minho + bolinhol

23, 24 e 25 de março

Arcos de Valdevez: carne de cachena + charutos de ovos
Cabeceiras de Basto: anho assado + rabanadas com mel
Gondomar: arroz de Lampreia + bolo "coração de Gondomar"
Trofa: arroz pica-no-chão (de sarrabulho) + maçã assada
Vila Nova de Gaia: cozido saloio + velhotes

30, 31 de março e 1 de abril

Braga: bacalhau à moda de Braga + pudim Abade de Priscos
Carrazeda de Ansiães: cordeiro assado + creme de maçã e amêndoa
Cinfães: posta de vitela arouquesa + doces de manteiga (matulos)
Felgueiras: cabrito assado + pão de ló de Margaride
Viana do Castelo: bacalhau à Gil Eanes + meias luas

6, 7 e 8 de abril (Páscoa)

Freixo de Espada à Cinta: postinhas de mostarda e mel + tarte de queijo
Matosinhos: peixes e mariscos grelhados + leite creme

13, 14 e 15 de abril

Guimarães: bacalhau com broa + toucinho do céu (RECOMENDO, A PAR DE SER A CAPITAL EUROPEIA DA CULTURA ESTE ANO)

20, 21 e 22 de abril

Armamar: cabritinho de Armamar + docinho de maçã
Ponte da Barca: posta barrosã + rabanadas de mel

27, 28 e 29 de abril

Mondim de Basto: posta maronesa + pão de ló húmido
Tabuaço: cabrito assado no forno + leite creme
Vila Nova de Cerveira: sável + biscoitos de milho

4, 5 e 6 de maio

Arouca: vitela arouquesa + pão de ló de Arouca
Lousada: cabrito assado com arroz de forno + sopa seca doce

11, 12 e 13 de maio

Paredes de Coura: truta do rio Coura + formigos de Coura

18, 19 e 20 (Letras Galegas)

Amarante: bacalhau assado no forno + doces conventuais
Fafe: vitela assada à moda de Fafe + doces de gema
São João da Madeira: coelho + doce de cenoura
Tarouca: marã + leite creme à moda antiga