Tuesday, February 07, 2012

Debbie Ford

Perdoar aos outros

"O meu mestre espiritual favorito, Emmet Fox, disse uma vez:
- Os nossos ressentimentos amarram-nos à pessoa com uma corda mais forte que o aço.
Ora, você queria ficar amarrado, por uma corda mais forte que o aço à pessoa que o fendeu, que o traiu, que lhe mentiu ou o tramou? Que estupidez seria essa? Primeiro arrancam-lhe o coração e você depois dá-lhes o resto! Ao agarrar-se aos seus ressentimentos, você priva-se do seu poder, da sua paz de espírito e da sua capacidade de se criar de novo. Não faz sentido. E, no caso de pensar que está mesmo a prejudicar a pessoa que lhe fez mal ao manter os seus rancores e ressentimentos, deixe-me esclarecê-lo. A maior parte deles não se importa que você esteja ofendido e zangado. Não lhes faz mossa. De facto, algumas das pessoas que você odeia, dedicando-lhes pensamentos, sentimentos e energia preciosa estão agora mortas. Portanto, você agora não só não tem acesso a todo o seu poder, como o enterrou vivo na sepultura de outra pessoa. Uma loucura, certo?
Só mantemos os nossos ressentimentos quando ainda estamos a tentar provar que temos razão e que outra pessoa não tem. Talvez ainda estejamos a lutar por mudar o que aconteceu no passado ou a tentar recuperar a sensação de controlo das nossas circunstâncias actuais. Talvez ainda amemos a pessoa que nos magoou e por isso prefiramos estar ligados a ela de uma maneira negativa do que não estarmos ligados de maneira nenhuma. Ou talvez esse se tenha tornado o pretexto para não estarmos a viver a vida que queremos, para estarmos encravados ou para continuarmos a massacrar-nos. Estas são apenas algumas das razões para mantermos os nossos ressentimentos. Mas seja qual for a razão, se quisermos progredir, ter uma vida melhor do que a que temos neste preciso momento, temos de perdoar.
Pessoalmente, já passei por muitas épocas difíceis na vida. Algumas foram decididamente autoinduzidas e algumas possivelmente cármicas - por outras palavras, inevitáveis ou destinadas a acontecer. Mas independentemente de como surgiram, ou a quem coube a culpa, quer eu as tenha criado ou auto-criado, quer esteja convencida de ser a vítima ou a vitimizadora, passei por muitas situações difíceis. Agora terminaram e já não importa quem tinha razão ou não, o que fizeram e o que eu fiz. A única coisa que importa é se consigo ver as consequências das acções ou inacções e se aprendi as lições que essas experiências tentaram conceder-me. Há algumas perguntas nas quais tento sempre deter-me tempo suficiente quando tento encontrar as dádivas que em última análise me conduzem ao perdão.

* Como posso usar esta experiência para me tornar no tipo de pessoa que a minha alma anseia ser?
*Como posso usar esta lição de modo a que os outros possam aprender comigo e talvez contornar uma experiência de vida difícil?
*Como posso usar este incidente para curar o meu coração?
*Como posso usar esta lição para ajudar à cura do planeta?


Creia-me, quando estou zangada ou ofendida, a última coisa que me apetece é fazer estas perguntas. A ofensa e a ira fazem-me sentir moralista e fechada. Portanto, primeiro tenho de dar a mim própria autorização  para sentir, estar com e aceitar toda a ira e mágoa que transporto. Tenho de sair da minha cabeça, onde posso justificar e racionalizar toda a minha dor, a entrar no coração da minha criança interior - a pequena e sensível parte de mim aprendeu a agarrar-se à dor como forma de autoprotecção. De braços abertos, tenho de dar a mim própria todo o espaço interior de que necessito para fazer o trabalho de cura necessário para me libertar do passado, perdoar a mim própria e perdoar aos outros. Tenho de reconhecer o aspecto de mim que preferia agarrar-se à minha história, à minha posição, às minhas provas e às minhas razões como se a vida dependesse disso do que assumir a responsabilidade e pôr de parte a culpa.
E para sermos claros: Nós não perdoamos por causa da outra pessoa. Perdoamos por nossa causa. Fazemo-lo pela nossa liberdade. Pode ter ouvido a máxima budista: Agarrar-se à ira é como pegar num carvão em brasa com a intenção de o atirar a alguém, mas, ao fim e ao cabo, és tu que te queimas. A ira, ressentimento e raiva que sentimos em relação aos outros priva-nos de ver milhares de possibilidades esplêndidas que estão mesmo à frente dos nossos olhos. Os nossos ressentimentos dão a outros o nosso poder, a nossa preciosa força vital e a capacidade de nos tirarem a nossa paz e a nossa felicidade. Recomendo que retire tudo. Perdoe. "


in Quando as pessoas boas fazem coisas más, editora estrela polar

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