Saturday, October 29, 2011

Do peso da ortografia na expectativa



Nunca, palavra brava
que arranca possibilidades à vida,
árvores à terra
devastando céu e mar.
Pode retirar-se afinal,
tal como Sempre,
que sempre é muito tempo
é brutal, secular e omnipotente
vocabulário pertencente
apenas ao mundo dos deuses
que esses podiam aplainar doçuras
e converter paraísos ao plano infernal

E se substituíssemos por infinito
etéreo, efémero, virtual, intangível,
lá onde o amor mora
na eternidade dos sentidos
e se demora
nas carícias e beijos de boca colada
e nos permitíssemos amor
sentidos que afloram entre verbos
que dificilmente utilizam pretéritos
aflitos e evitam futuros entornados,
colar pele na pele, seio na coxa
e inventar outros ais não catalogados?

Dispensemos tudo e nada
que grude nós
no umbigo, nariz, duvido
a sós, suspiro
sem eternidades temporais
relógios dispensados
palavras que se convertem em dramas
existenciais
restamos ainda os dois.

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