Wednesday, August 10, 2011





Eduarda. Tinha os olhos pequeninos. O tempo comera a extensão da iris e o brilho. Apagara a esperança. Ao perder tudo e mergulhada nessa angústia, ganhara o esquecimento dos outros. Que só sabiam da sua existência pelas rosas de santa teresinha, regadas todos os dias no varandim. Não se lembrava de dia nenhum em que os mortos não sarandassem em vagas de luz e sombra pelos corredores da sua casa.
Viver durante o dia tornava-se um copioso arrastar de segundos e gestos onde sozinha se perdia. Quando ia à banca, levantar o jornal diário, o pão e cigarros, a coisa não se sentia solidão. Os dias só podiam ser diferentes por terem nomes diferentes e os estados meteorológicos mudavam a percepção de os sentir, nada mais. Apenas nas primeiras horas da noite, logo após o lusco-fusco, Eduarda deixava de estar só com os seus pensamentos. Era tempo de entreter as almas, servindo chã e scones, confidenciando sobre os convidados de última hora que desconheciam o arrefecimento da sua própria matéria. Eduarda acordava do reino dos tristes nessa hora.

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