Monday, June 06, 2011



Não profanes o sagrado

eu era o que te importava
um pouco mais que a vida
um pouco menos que a morte

por mim abdicavas das paixões
dos filhos, dos livros, dos amigos
dos segredos, recantos, motivações

como podia amar-te depois?
sem tudo o que me faz amar-te agora?


seríamos um e não dois
o nosso amor viraria pó estelar,
lembrança, rascunho, esquema
aqui neste jornal, em poema


e só poderias lembrar-me
lembrar-me do verbo amar
vulcão extinto na maresia


não, não mates o nosso amor
inventa-me hedones sem dor
recria-me todos os dias
e porque também me importas
vou manter-me como gostas,
das dualidades no amor a mais profana,
companheira e amiga,
a mais louca das amantes na tua cama.

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