Tuesday, December 29, 2009

Why don't you weep?

Brazen

called you brazen Called you whore right to your face And watched you silently And publicly disgraced I didn't notice When you strengthened like a vice That you were trembling And burned beneath the ice Ooh, ooh Why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Nah nah nah nah nah, nah nah nah nah nah Nah nah nah nah nah You said a prayer And I betrayed you with a kiss You never realized That all had come to this So keep your dignity Don't throw it all to waste Stronger feelings Than you've ever learned to face Ooh, ooh Why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Nah nah nah nah nah, nah nah nah nah nah Nah nah nah nah nah, nah nah nah nah nah Oooooh Why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Oh why don't you weep When I hurt you? Why don't you weep When I cut you? You don't bleed And the anger builds up inside Oooh (Nah nah nah nah nah) Why don't you weep? Why don't you weep? Why don't you weep? Why don't you weep? Why don't you weep? Why don't you weep? Weep Weep Weep

Friday, December 25, 2009

For no one


De Lennon no original, aqui com Elliot Smith, também ido. Herança deixada para apreciadores.
Onde me incluo.

Wednesday, December 16, 2009

O paraíso, segundo algumas mulheres

Ela ainda se lembra de arruaceiro e de galã que ele era. Era porque foi toda a vida até mirrar na doença e ser enfiado na caixa a sete palmos abaixo de terra, onde os bichos mendigam alimento.
Lurdes tinha muitos irmãos, tantos que para saber o número certo, socorre-se sempre dos dedos cheios de peles finas, mãos bonitas pra mulher da terra e, depois, vai fechando os olhos a cada nome de irmão conseguido, como se tal fosse esforço sobrehumano. É do cansaço da idade, talvez. Ela nega cansaço. Aponta apenas o coração que já foi segmentado e rectificado duas vezes nesta vida. Tonjarro era um homem aparatoso de bonito e vaidoso que só ela e Deus sabiam. Uns olhos verdes enormes num rosto amendoado. O moreno da pele devia-o ao campo e ás imensas horas de monda com o gado. A vida, ainda assim, tinha-lhe sido mãe e não madrasta, como muitos da sua geração lamuriam. Lurdes suspira quando fala dele. Está morto e isso não a entristece, de maneira nenhuma. Pois, está certo que se vive e se tem de morrer. Ficava-se pra semente? Ela não quer ser semente, já Tonjarro desejava que a sua morte tivesse sido ao mesmo tempo ou após a morte dela. Não lhe tinha amor? Oh tinha e ímpetos de paixão, ainda com 70 e muitos anos e mais que tudo, posse. Esse sentimento de posse dele dera-lhe muitos desconfortos no matrimónio e ela desfiava-os todos, após a sua ida. Lurdes continua bonita e veste-se bem. Ainda toma o seu duche e se preocupa com o perfume e o colar, a echarpe e o sorriso. Esse tem-no a tiracolo sempre. E faz caminhadas, muitas, todos os dias, visitando os amigos e amigas que se mantiveram perto durante toda a vida. Pergunto-lhe: Tia, nem uma saudade bateu ainda dos queixumes do tio? Nada nadinha?
-Nada! Vou-te contar uma coisa, rapariga. Ele era um chato, nestes últimos anos, aquando de ter ficado doente, e depois de vir do hospital. - Ela imita-o nos trejeitos e tenta fazê-lo na voz, pra que eu perceba - Ludres, Ludres, anda cá, oh Ludres, rai's te foda, mulher, anda cá que eu estou a chamar-te ou não?Que queres tu?, perguntava-lhe eu, se ainda saí de perto de ti agorinha mesmo? E era isto o dia todo. Olha, ele pedia-me: Ludres, tu que rezas tanto, eu sei que Deus te ouve , pede-lhe Ludres, pra morrermos no mesmo dia, de preferência no mesmo caixão!!! Eu desatava a rir e ela também, continuando: Mas oh homem, o caixão não dá pra dois. Será que nem depois de morta me vais deixar sossegada?Ele só pensava em pinar, em me montar, e foi assim desde que casemos...Um manfio é o que é! Depois lá voltava ele: - Ludres, já pediste a Deus nas tuas orações do que te falei? E eu nem lhe respondia. Se lhe dissesse, ele ainda passava mal. E nas minhas orações, eu pedi muitas vezes: Ou ele ou eu, que já não o posso aguentar mais! E se for ele a ir embora primeiro, nem que eu fique cá umas horas, só umas horas, só pra saber a que sabe o sossego dele se ir embora, a paz que sabor tem, que com ele nunca soube o que era. Tantos netos e bisnetos que tenho, que alegria!
E tantos dias e meses se passaram e ainda nem acredito que afinal, mereci o paraíso. É isso, eu vivo no paraíso desde que ele se foi! E rimo-nos todos, os que ouvem  e os que re-ouvem a história.
Há quem viva à espera de um paraíso depois da morte, há quem o encontre na morte dos outros.