Sunday, July 12, 2009



Palco, a vida
No princípio era a palavra
que entrava sem licença
e a voz coloquial castrava
todo o sentimento e crença,
e o rosto, dos outros
entoando aborrecimento,
um bocejo, um praguejar
vociferar em silêncio,
como se o grito fosse algo de
desprezível e gemer proibido.

Depois cheguei eu,
a palavra era mais acto
o sorrir era espontâneo
deixando de ser obrigação,
artefacto.

Tu sorrias de volta,
a voz ganhava tesão
e dos outros rostos
que não o teu, a expressão
foi ganhando interesse
despertando, e, o céu
era azul e impossível.

Alguém me chamou teatro,
e até expressão dramática
mas continuo a ser oral,
continuo a ser voz afinal
dos que sonham mais alto.

2 comments:

Cosmunicando said...

lindo, lindo ;)

innername said...

obrigado Mercedes.
Não é recente mas fui eu que escrevi :)