Tuesday, July 28, 2009

A ressaca



Faz mais ou menos duas horas que abandonei a sala de cinema cinemax, aqui em Penafiel. Quem diria que esta cidade tinha umas quatro ou cinco salas de cinema?! É que estou cá a residir sensivelmente há 3 anos e nunca ouvi falar. Queria ir ver The young Victory, afinal fiquei-me pela comédia a Ressaca, que não é bem sobre rainhas e os seus plebeus mas antes sobre uma despedida de solteiro. Gira, chega a fazer reviver o espírito de Jim Morrison, só faltavam os cogumelos mágicos e em substituição, lá apareceu um dealer com Rufilin :) ou telhadinhos, como preferirem.
As semanas sucedem-se, ora com calor desenfreado, ora com dias cinzentos á mistura, os dias tornando-se mais pequenos, as horas mais valiosas, os verdes mais vistosos e chega a altura da apanha dos legumes, de nova retirada de ervas daninhas, de regadios fartos - a relva está a ficar um bonito tapete, entremeado por choupos, árvores retorcidas e exóticas, oliveiras, castanheiros, e arbustos rasteiros....
Ao casal de kiwizeiros que tinha juntei mais um casal e uma fêmea no meio e coloquei - ordenei aos servos que o fizessem, arame suspenso e bem corrido por esticadores até junto aos telhados. De um lado, na saída de minha casa, a ramada será de kiwis, na saída de casa da minha mãe fiz o mesmo mas com viúvas alegres ou chorões, que é um arbusto de cachos de flor roxa com perfume de viuva brejeira. Esperando que as ramadas convertam as nesgas de temperaturas altas em espaços refrescantes de sombra. O jardim está renovado por imensas flores e trepadeiras, choupos espanhois e plátanos, chorões e sardinheiras, gladíolos e dálias rosa-velho. Pinga-amores laranja e chorinas, cravinas e rosinhas de sta Teresinha, madresilvas e miosótis azuis, e de tão perfeita é a natureza que, junto ao casal de kiwizeiros recentes, foram nascer melancias - que a Branca reduziu a nada - limoeiros de uma antiga árvore que só tinhamos lembrança enquanto fantasma e até uma vide de uva de mesa num canteiro de cinzas esquecido. Coisas!
Os rabanetes estão quase todos a ficar secos, a maioria já saiu da terra e já uso nas saladas, tomates e cebolas, batatas e pepinos, tudo se multiplica, abóboras crescem aos magotes, as figueiras carregadas, as laranjeiras, os limoeiros e até os morangueiros começam a pintar. Quando se deixa uma semana e meia crescer a erva no pomar, ela chega-nos á cintura, na altura da rega. As toupeiras continuam a fazer das delas, imensos buracos pelos campos, não poupam nem o jardim, nem o galinheiro, onde tive de improvisar um chão firme. Hoje chegaram 8 novos inquilinos, 4 brancos e 4 castanhos, falo de pintos. Ontem dois inquilinos piriquitos. A Tyra e o Banks, um verde e um azul (com estas coisas todas, esqueci-me de vos mencionar um outro inquilino chegado hoje, o Fred, o gato supimpa bebé que o gato Kiko decidiu que era uma ameaça a si próprio, habituado que estava a ser o centro das atenções). Convencê-lo que é mais giro, mais mais que o gato Fred não vai ser tarefa fácil mas eu aposto que o Kiko vai ser uma espécie de tio babado e em breve, os fretes do Fred vão transformar-se em aventuras e emoções fortes aqui no Sítio. Neste momento, todos os mochos dormem, desde os cães aos passaritos, ás pessoas - amanhã lagoa pra esgotar de cansaço os miudos - enquanto eu vou-me até ao gabinete fazer qualquer coisa pela vida. Em altura própria, do tipo durante o dia, postarei uma pic dos novos inquilinos. Agora, vou-me lavar a dentuça e fumar um ultimo cigarro pra ver se descanso o esqueleto. A pandemia parece menos ameaçadora, a crise parece amorteçida pelas férias dos outros que se queixavam dela e o mundo continua a ser esta bola gigante onde vejo renovada a vontade de continuar por cá, todos os dias, cada vez mais :)

Boa noite aos que passam por cá.

Thursday, July 16, 2009

Ou...

Lobo em pele de cordeiro?


Eu tenho um gato. Na verdade, já vou a caminho do segundo.
Eu tenho um marido e por causa do gato, sou bem capaz de ir a caminho de um 2º ex-marido.
Na verdade, de uma 3ª opinião. Ou pode ser tudo um erro de cálculo ou insónia.

Sunday, July 12, 2009



Palco, a vida
No princípio era a palavra
que entrava sem licença
e a voz coloquial castrava
todo o sentimento e crença,
e o rosto, dos outros
entoando aborrecimento,
um bocejo, um praguejar
vociferar em silêncio,
como se o grito fosse algo de
desprezível e gemer proibido.

Depois cheguei eu,
a palavra era mais acto
o sorrir era espontâneo
deixando de ser obrigação,
artefacto.

Tu sorrias de volta,
a voz ganhava tesão
e dos outros rostos
que não o teu, a expressão
foi ganhando interesse
despertando, e, o céu
era azul e impossível.

Alguém me chamou teatro,
e até expressão dramática
mas continuo a ser oral,
continuo a ser voz afinal
dos que sonham mais alto.