Wednesday, May 20, 2009



O tudo e nada dos dias!


Por vezes, acredito na imortalidade. Seja lá de que cor vier, acredito que o zás não vence!
Até me trazerem mais uma notícia a black de gente que, semelhante a mim nas crenças, deixa de acreditar nos super heróis, deixa de visualizar além. Deixar de acreditar é só meio caminho para dar como concreta a vida. E ela tem asas e nada de limites. Somos all-mighties todos, até deixarmos de ser.
Aqui nos Mochos, com excepção da Pintas que se finou há quase dois anos (e se encontra no céu dos cães imortais), todos somos invencíveis, diante dos mamarrachos defronte, as centrais eléctricas. Somos uma espécie de metamorfoses de afectos e combinações, cães, gente, caprinos e galináceos, gatos e repteis, grilos, pássaros e plantas, todos acesos prá vida!...
A semana passada andei de aperto no coração (agora mais aliviada) por vários motivos, um deles era a suspeita que recaía no meu filho mais velho, de pneumonia ou mesmo tuberculose. Fez exames de rastreio, colheitas de expectoração, raio x.... O raio x e o teste negativaram as suspeitas, resta-me aguardar as colheitas da expectoração para dissipar toda e qualquer dúvida.
Também o mais novo, em processo de limpeza e, de certa forma, estigmatizado pela parangona de uma fibrose quística, anda em exames intensivos e profundos (estudo genético e novos exames específicos) para abortar o rótulo (a medicação pancreática e respectivos auxiliares respiratórios em fase de desmame absoluto), a meio a provas de aferição e pré-adolescência constantemente frisada pelo próprio.....
Ser mãe é uma coisa imensa que nos faz sentir um peso no cimo da coluna e só se descola quando estamos a tomar banho e amorteçemos na água esses apêndices todos. Oh coisa boa, ser uma imortal com direito a banho diário. Imagino milhares de seres imortais em África sem acesso a isso ( e outras coisas essenciais como alimentação, saúde, bem estar) e fico ouriçada. Afinal, a vida é só o fluir da nossa imaginação, não há paredes, nem limites, nem bombas galp, nem Papa-hóstias, nem rebanhos humanos, nem gente mesquinha, nem off-shores, nem mediocridade, nem cianeto, nem exploração no trabalho, nem abuso e maus tratos, nem doenças sem cura, nem pandemias, nem somos tão maus assim, nem Deus era tão perfeito!
E vou, de rabo pro ar, tirando ervas daninhas aos rabanetes, aos tomates este ano aos magotes, ao cebolo, ás abóboras e cabaças, aos melões e melancias, aos pimenteiros e ás couves tronchudas, ás figueiras e ao feijão rasteiro. E dou banho de mangueira aos cães imortais e converso com a cabra Mimi e com o carneiro Silva e arrelio o gato Kiko e cacarejo ao galo Pedrês, chateando as galinhas poídeiras que vão a correr chocar mais ovos, com medo que eu seja uma gueixa nova pró macho delas. E o dia se consome em tarefas rotineiras de rega e limpeza, de jantas e limpeza, de café e cigarrinho costumeiro e, cansada dos ais dos outros, vou ouvir as cantorias dos grilos e dos pássaros sem hora de dormir, das cigarras e dos rouxinois, da vizinha que ainda traz a novena na boca e a colheita do ano anterior na lembrança...
Acredito na imortalidade porque me dá jeito, tenho sempre muitos amanhãs pra concluir o que não houve tempo hoje. E recuso-me ao fabrico de doenças em mim, porque preciso da saúde toda no futuro. E o futuro é o que eu vou fazer dele! Uma bela sandes de mortadela e um copito de panaché em meio a tantas outras coisas igualmente simples e necessárias. Para já, viver bem comigo!