Monday, February 09, 2009



Á prova de "crespação" e de ditaduras.


Fui das curiosas (só vejo televisão quando passa o filme x ou a entrevista y mas prefiro o pc) plantada em frente do canal Sic, aguardando o desfecho da mini-série de dois episódios: A vida privada de Salazar. Ontem vi e gostei. De visita, hoje, pela página de "Lauro António apresenta", li o post que escreveu sobre o mesmo e concordei em género, grau e número. Parece que o cepticismo invadiu-nos de cinzento. Não acreditamos mais em boa televisão, em boas produções, menos ainda se forem nacionais. Agradou-me. E sobre a vida dele, não há inveja pelo tanto poder. Sobre as mulheres de Salazar, considero que a única que poderia ter feito feliz o ditador teria sido a que mais apreciou, a jornalista francesa. Com a idade, tendemos a valorizar o que é realmente importante, embora tal consideração com relação a futuro tenha sido tecida pelo próprio mas acerca da Viscondessa da Seco ;)! Homens. O eterno enigma. Elas são muitas e um homem não é de ferro. Salazar era quase.

O nosso "cavalheiro de ferro" foi eleito o maior português de sempre e não foi á toa... Como dizem bem, neste documentário, só se podem entender os grandes homens atendendo ás circunstâncias vividas na altura. Não foi totalitário. Um homem sem vida privada, mesmo na privacidade. Ainda bem que o protagonista escolhido pra esta série, Diogo Morgado, vai tendo a sua própria vida, a par com os papéis desejados por muitos com mais anos nestas lides. Por falar em Morgado, não há dois sem três...Também vi a entrevista de Mário Crespo a Maria José Morgado.

Esquivou-se bem, mantendo em "segredo de justiça" a própria justiça e a cada âncora de Crespo pra que afundasse o nariz e opinasse sobre casos específicos, escondia o sorriso e continuava vigorosa: não me capture pra casos concretos....e assim, a justiça e os seus segredos, de morosidade, das penas adiadas, cumulatórias, do fraco combate á corrupção, sobretudo pelos políticos (uma mão tem cinco dedos apenas), dos crimes económicos, do proteccionismo ao arguido, da lentidão dos processos, das escutas telefónicas, do sis, dos papões debaixo da cama continuam aguardando em marcha lenta, a justiça que demora e vai falhando. Falou-se nas escutas, nas leis e nos não previstos das mesmas leis, no continuado proteccionismo ao criminoso, na investigação criminal, no perigo dos vicios de jogo. Jogo de poder. Ouvi a palavra Freeport duas vezes e ambas na boca do jornalista.

Á pergunta de Crespo sobre a Justiça, Maria José Morgado Esquiva responde: caro jornalista, não posso esquecer-me dos jovens magistrados que trabalharam exaustivamente pra conseguirem avanços significativos no combate do crime na noite lisboeta, dos que trabalham ao fim de semana e dos outros. São jovens, precisam de acreditar na justiça e nos seus superiores. Amanhã é feito do que fazemos hoje e do que acreditamos.Bem, eu também sei divagar. E quase me apetecia morder o jornalista que, a meu ver, esteve mal, á rasca, perdido perante a conduta mantida pela senhora. Ela é um poço e nós também. Admiro, sobretudo, o objectivo acançado de Maria José Morgado. Em boca fechada não entra mosca, nem mesmo mosca experimentada.

Mr. Crespo, time to go.

2 comments:

vida de vidro said...

Eu não vi a série, mas tenho pena. Vi uma parte da entrevista com Maria José Morgado e agora sou eu que concordo contigo, em género e número. Não foi, de modo nenhum, um dos melhores momentos de Mário Crespo. **

innername said...

pois não, o Crespo deve andar com uma virose.
;)melhoras ao crespo e a esperança continua verde pros benfiquistas? Espero que sim, Alice, the foreign wonders