Tuesday, January 13, 2009




Não há ciência nenhuma nas lágrimas nem penicilina
que contenha a dor de alma,
não há maior rudeza que a guerra, nem maior afronta
que o desespero de outro ser humano.
não há mistério nenhum na morte que a vida
não tenha ensinado antes.


Que cemitério edificado salva e leva ao céu mortos em nome da paz?,
ironia dispensada, vultos tombando na cidade
sepulturas sem id e sem tempo, túmulos comuns , valas abertas,
no nosso cérebro as imagens de câmaras obscuras de insanidade
câmaras que vão ocultando patologias incertas


E eu mais crente que agnóstica ou ateia grito por Deus, que não é surdo
que não é árabe, nem curdo, não metralhou no Congo nem em Gaza
e vem de lá da Basileia, despido de raivas e de ódios


- Hey Deus, os homens plantados por ti não vertem seiva mas sangue
não estão isentos de morte mas vão vivendo zombies,
sedentos de reaprender a consciência que perderam.

9 comments:

Arabica said...

Innername,


obrigada pela tua visita e pela empatia na compreensão das minhas palavras, que de resto, é partilhada também por mim, ao ler-te...

Tudo o que temos vivenciado à distância segura de um ecran de televisão, faz-nos pensar irrediavelmente em Deus, sem dúvida, mas o que terão os homens feito Dele, força suprema de amor?

A luz de todas as velas, tamborilam, expressivamente, na força do vento que tudo arrasta...

Quero acreditar que o fim está a chegar...

innername said...

poder acreditar está nas nossas mãos...chegará pra efectuar a mudança?
Sabes, acho que mil guerras serão feitas por mil homens ainda, todas em nome da paz, todas sujas e irremediavelmente crueis. Mas queremos acreditar que amanhã chegará a tal consciência que temos individualmente. A guerra não traz soluções mas mais problemas
Abraço virtual

Arabica said...

A guerra apenas traz poder aos que já o possuiam.

O poder da terra, o poder da água, o poder do dinheiro, o poder da força.

E sempre que uma nação é elevada ao adjectivo de "grande" e eu penso em todos os que pereceram, morreram sem voz, atravessa-me sempre um pensamento: valerá a pena tanto sangue?

Sou uma pacifista.

Não consigo compreender o fascinio da guerra, insurjo-me contra as estratégias e desespero pelos inocentes mortos.

E mais mortes acontecem, mais bombas explodem, mais nem sei quantas vidas, perecem sem nome...

O mundo cansa-me.


Outro abraço

vida de vidro said...

Apetece gritar, não é? Mas a que deus? A gritar é mesmo só com esta "humanidade" que se esquece, se mata, se estiola. Apetece gritar, sim. **

innername said...

apetece gritar Alice, mas os gritos não chegam aos homens surdos
Bom fds ás duas

fernando said...

bravo!

insurge uma alma
a plenos pulmões
a dizer
não aos tubarões
(não aqueles dos mares
em seu imenso existir)
mas aqueles outros
que destróem corações
com bombas
e
canhões


abraços soltos nina!

fernando

innername said...

obrigado Fernando

BAR DO BARDO said...

canto pacifista... por um cantinho de paz... amém!

innername said...

amen