Tuesday, January 20, 2009

Moto Boys e Ouro nas caixas de correio

Devemos dar prioridade ao que realmente é importante pra nós. O mundo está voltado pros States devido à tomada de posse de Obama. Acho que sim, é importante. Uma posse importante pra todos os que consideram que a mentalidade humana tem de mudar, que os preconceitos racistas e outros são uma gangrena que não precisamos, a juntar a tantas outras gangrenas que não entendemos. Que na diferença está o driblar e o melhorar individual e colectivo das raças e dos credos, dos conhecimentos e das expectativas de futuro. Fui á consulta de fisioterapia e como o médico estava atrasado, disseram-me ter tempo pra tomar café. Perguntei: Será que dá tempo de passar os olhinhos pelo jornal, aqui no café ao lado? A dona Linda respondeu: Esteja à sua vontade, acho que pode fazer mais do que dar vista de olhos. Ele está atrasado e á sua frente estão duas pessoas. Fui-me ao jornal e ao panike de chocolate, mamei um leite chocolatado de pacote, dois cafés sem nicotina - naquele café fumadores descriminados - e agarrei-me ao jornal que estava livre. JN com parangonas sobre Obama, sobre desemprego, sobre justiça versus crimes, sobre alertas laranja de mau tempo pra toda a Europa. Lembrei-me que o Claudio está de viagem pela Espanha. Tomara saiba conduzir com correntes e diluvios. Estive de relance a tentar perceber o conteúdo - tempo infelizmente desperdiçado - dos artigos sobre economia política, sobre a inflação, sobre o pib, sobre o desemprego, sobre as cumplicidades na tragédia com o resto da Europa, sobre as diferenças da mesma com o mesmo. Sobre o Teixeira dos Santos ser um ministro do mais optimista que temos em Portugal. Sobre as estimativas desactualizadas do estado, sobre as divergências da JS com o Ps no tema da homossexualidade e adopção de crianças por casais homossexuais. Sobre o Estado. Sobre o povo. Sobre a guerra. Sobre a trampa que aumenta a par com todos os outros males, com a fome, com o crime e o desespero de quem não pode contar com o apoio do Sócrates e nem das Câmaras. Porque roubar oficialmente não é punível, desde que o teu nome seja popular, que se fores anónimo e entrares em estabelecimentos pra assaltares, só não és preso se fores inteligente.

Gostei de duas crónicas. Uma de um jornalista, Sérgio de Andrade, desvalorizando os prémios tugas individuais, do tipo Melhor jogador do Mundo, nobel da literatura ou da medicina etc...ainda do tempo do arroz de quinze, do melhor jogador e da melhor fadista do mundo, diz que as Marizas e os Cristianos Ronaldos não são de valorizar o país nem exaltar os ânimos nacionalistas. O país vai mal, se houvesse justiça; emprego, boas políticas de investimento e desenvolvimento, se os direitos de todos fossem zelados e não passados a ferro pelos interesses de outros, se Portugal fosse reconhecido por tudo isso, aí sim, o seu orgulho teria que engolir a indiferença. E não tem razão? Senhores, a Casa do Douro está a pagar ao fisco uma divida de 100 milhões, imaginem, com recursos naturais. O fisco aceita que a dívida seja paga em matéria prima, o vinho. Os portugueses que residem fora sabem bem do orgulho que têm em termos de fado e futebol mas a vida não é só isso. Temos um país pobre com políticos ricos e não dá pra fingir que nada disso acontece enquanto o mundo de se verga á bola do Cristiano Ronaldo ou até da Bárbara Elias. Que o mundo é mais do que isto, medo, fome, guerra, descriminação, opulência, arrogância, maus tratos e por aí fora. De desgraças, temos mais. Ou não teria ocorrido à Universidade de Coimbra levar a cabo o estudo sobre maus tratos nas crianças. Estudo este que veio a confirmar que os maus tratos são uma constante e que tal constante ainda se agrava nos casos de não haver laços sanguíneos. Pior que isto, só dizermos que o mundo dos adultos está irremediavelmente perdido, ou não? Não, enquanto houver marcadores coloridos e gente a lutar pra que se acabe com todo o tipo de violências, a começar pelo seio familiar.

A outra crónica que gostei de ler, de um professor universitário, Alberto Castro fala na nossa mediocridade de não tomar as decisões que devemos tomar, como o empreendorismo da nossa vida. Que mantemos uma relação de amor e ódio com o Estado. Ora o odiamos por não concordarmos com as medidas tomadas, ora recorremos a ele pra nos salvar, através de subsidios e apoios. De facto, é mais fácil dizer mal do que mexer o cu e fazer. E não estamos a falar só no Sócrates ou na sua equipa de "reformistas" socialistas. Qualquer que seja quem esteja a governar, tendemos a odiar como se disso dependesse o nosso equilibrio social. Tal relação dúbia, segundo Alberto Castro, fortalece o poder instituido, o aparelho Estado. Temos que ser mais independentes do Estado. Exercer mais poder na nossa vida. Não estarmos influenciaveis e nem distraídos. E empreendermos mudanças, não estando à espera que seja o governo a efectua-las. É por essa mesma razão que vou abrir um gabinete de psicologia (e outras vertentes) no centro comercial de Penafiel. Tomar rédeas á minha vida, sem esperar que a segurança social me apoie, ou morro sentada de ócio e sem ópio.

Voltando ao Obama, o mundo está tão voltado pra ele que na China fizeram-se milhões de máscaras com o nome do salvador, o messias. É possível que os alertas laranjas e caída da neve - aqui chamam-lhe foleca - consiga assustar a alguns que quisessem ver esta tomada de posse em directo, mas teremos quem nos represente por lá. Portugueses distintos. Eu não estarei lá, infelizmente. Nem Carlos Santos, professor universitário, que lança livro sobre o novo presidente dos Estados Unidos: E agora, Obama?. A editora é a Chancela do Caos e é já no dia 4 de Fevereiro que estará disponível nas livrarias. Este professor de trignometria e política económica da Universidade Católica do Porto foi expondo muitas das suas análises on-line, através do blogue http://ovalordasideias.blogspot.com e o livro é o fechar das análises desde o inicio da campanha do actual presidente dos Estados Unidos. Este E Agora, Obama vai responder á questão que o mundo colocou à presidência de Obama, tendo como prioridades a política externa, a economia, a educação, a saúde. Um livro que não tem a pretensão de qualidade mas de rigor de análise. O calcanhar de Aquiles será, na opinião de Carlos Santos, o financiamento. Quem financiará nos States?

Mas não é tudo sobre escritores. Jacinto Lucas Pires com alguns livros editados e agora, secretamente no mundo musical , edita trabalho discográfico de 6 temas: o meio disco, meio disco este nascido do projecto que abraçou chamado Os quais. Se és curioso como eu, não vais deixar de ouvir. Pra poderes gostar...ou não. Uma má notícia, de lamentar, João Aguarela, vocalista e guitarrista dos Sitiados não vencendo o cancro, morre em Lisboa, com 40 anos incompletos.

Agora e a terminar, venho desta forma agradecer os presentes recebidos de Itaipava e de Goiânia. Amei. E ainda a empresa MotoBoys RGS qual recebi pra além do pacote expedito, pulseirinhas de Bonfim. Uma já está no tornozelo ;) Não há agradecimento nenhum que possa mostra-vos, a vocês moçoilas ou a quem me ler o quanto apreciei a chegada do carteiro hoje. Fui alumiada de sons do serrado e só isso já é ouro. Recebi o Theo, um colar e respectivos brincos e mensagens de amigos. Guardados já prá posteridade. O céu não me mete medo. Plantei sol nos meus jardins. Amigos são mais que poesia, são ouro! Preservem os vossos!

9 comments:

RUBENS GUILHERME PESENTI said...

minha querida tuga, obrigado pelo parabéns e carinho.
agora que as férias se foram posso ir lendo tudo o que vocês escreveram... aos poucos vou chegando lá.

beijão enorme em você.

innername said...

beijo Rubens, benvindo e inspiração a rodos, são os meus votos

Arabica said...

Ena, de fio a pavio, como sabe bem certos atrasos de certas pessoas na nossa vida (o médico!) :))

Não sentes um certo peso no processamento de dados a que este mundo global nos lança?

Parecemos cataventos :)


Bom bom foram todos esses presentes.
E os amigos bem semeados no jardim.
E o gabinete de psicologia é um caminho a abrir.
Eu vou começar a trabalhar em Turismo. Bed & Breakfeast. Digo eu.
Se calhar depois tenho medo.
Mas o aroma das torradas com café e o laranja do sumo ficavam bem na minha casa de jantar. E se são más pessoas? Digo eu, que nunca fui empresária e muito menos aluguei quartos :))O mundo em reboliço. E nós às cambalhotas no tempo, com uma data de projectos a tiracolo :)


beijos

innername said...

em inglaterra, parece que o funcionamento do turismo vive bem´e á conta dos B&B...adorei todos onde estive. É preciso correr o risco de atender más pessoas pra poder servir as pessoas boas ;)
Sem risco não há fluir.
Bons fluídos praí é o que desejo.
Vou pra fisioterapia. Inte...mais logo venho cuscar vossos sites

lobices said...

...olá Amiga
...então... fui do L2 mas abri um L3 e um lobices-fotografia
...a vida não pára
...um abraço amigo

Arabica said...

Inner,

já comecei a tirar fotos para enviar.

Fluir e fluir...eu sou do género de andar imenso tempo a fluir por dentro, antes de me por a caminho.

:)

Depois é rápido.

Não é só na Inglaterra pelo que me dizem. O projecto agrada-me pelas suas caracteristicas. Na Galiza,
há uns anos, experimentei um B&B.
Anfitreão calado e rude, parecia não gostar de fazer torradas.

:)


Um abraço e bom domingo

lobices said...

..viva, mais uma vez, agora para agradecer a tua visita ao meu L 3
...como havia dito, também podes ver as minhas outras fotos no
lobices-fotografia.blogspot.com
...um abração

innername said...

Arábica
primeiro rabiscam-se ideias
depois engravidam-se factos
e só depois, saboreamos o prazer da criação. Amadurecendo as ideias, se dão passos gigantes. Bons amadurecimentos e medranços. ;)
Espero que depois partilhes....adoro b&b's

innername said...

Lobices, lá espreitarei devagar, em slow motion os teus recantos actuais.
Abraço retribuído e pausa pra café. ;)