Friday, January 30, 2009



Rigor Inverno


Apaziguamento conseguido
nas longuras do verão
face ao inverno rigoroso.

nunca a chuva foi tão densa,
os ventos tufões na eira
nem a neve tão pluviosa.


anda a alma em sol de Inverno
os varais apinhados
e a derme presa a lareiras.

Wednesday, January 28, 2009

Inquisição?

"Contos proibidos, memórias de um PS desconhecido"
Uma verdade inconveniente!!!
Este livro saiu de circulação de uma forma repentina. Não há mais cópias. Nunca mais foi visto nas livrarias. Façam uma cópia antes que seja retirado, se a democracia vos interessa..
Link para o site onde poderás fazer o download do livro



Brincadeira Literária

O Rubens fez-me um convite para um brincante jogo literário.
Ele, elegantemente, me pediu para olhar para os lados e pegar o primeiro (veja bem, não pira muito não) pegar o primeiro livro que achar. ou seja, o mais próximo.
aí, já sem saída, abrir exatamente na página 161.
Depois, disse para procurar a 5ª frase e colocá-la inteirinha no blog (para que ela possa então voar o mundo pela tela transluzente da blogosfera)


Página 161 (o mais proximo que tinha era o jornal noticias e as desgraças só atingem a pagina 161 se for com edições e desgraças acumuladas). Peguei no primeiro livro da estante.

"Quando o padre Seferino Huanca Leyva, por motivo de uma procissão em glória do Senhor de Limpias - culto introduzido por ele em Mendocita e que tinha alastrado como palha seca - anunciou triunfalmente que, na Paróquia, não havia uma só criança viva, incluídas as nascidas nas últimas dez horas, que não estivesse baptizada, um sentimento de orgulho apoderou-se dos crentes , e a hierarquia, por uma vez, entre tantas admoestações, enviou-lhe umas palavras de felicitação."de Mario Vargas Llosa, A tia Júlia e o escrevedor.
e me fez um último pedido de modo generoso:
- que eu convidasse mais 5 pessoas bacanas muito bacanas para entrar na roda dessa brincadeira
(pensei: porra, vai ser difícil!)
então resolvi o seguinte:vou convidar 4 novos amigos e um velho amigo"



Este foi, portanto, o convite recebido tal como chegou. Cabe-me, então, convidar 5 amigos. E ao contrário do Rubens, escolho 4 velhos amigos e uma nova.
Escolho a Alice Duarte, o Rogério Santos, o Francisco Oliveira, a Lúcia Inês e a Arábica.


A página da Alice: Vemos, ouvimos e lemos.
Rogério Guerra Santos: Roger's Insight.
Francisco Oliveira: Francis Live
Lúcia Inês: Só quero ser.



Monday, January 26, 2009

Serviço Crava

Quando os nossos bolsos já estão vazios, quando não há orçamento pra mais leituras, quando o mundo pula e avança, quando ficamos a olhar as vitrines com as novidades livreiras e, em época de saldos, não há editora ou livraria disposta a sorrir ás nossas ambições de conhecimento, catrapaz, é quando eu acho que o governo devia lançar uma medida para os distribuidores dos ditos (não falo de e-books online em formato digital, diz a conservadora), distribuirem livrinhos aos interessados e, complementado pel' o plano nacional de leitura, havendo um cartão soma-e-segue. Esse cartão ia registando todos os livros que adquirimos e quando atingisse determinada soma, teríamos um plafond de x pra adquirirmos y's gratuitamente. Andamos em maré de livros. Eu entre poesia e prosa. Dava-me jeito leitura técnica. A minha mãe ofereceu-me há dias os dois que ainda não tinha do Daniel Sampaio, Vozes e ruídos e Lições do Abismo. Mas agora, entrando na página da Arábica, pimba na mouche: Ana Beatriz Barbosa Silva e o seu Mentes Perigosas - o psicopata mora ao lado...como querem incentivar e motivar futuros leitores, se os livros estão pela hora da morte? A crise das iniciativas andará a par com o anafabetismo agudo por esse interior e urbes adentro? O serviço crava-livro ia remendar esta sede. Oh, se ia!




Trocada em silêncio.


No seu desespero profundo, confundia mistíco com religioso. Mas a fé era a mesma. Que a resposta viesse, em jeito de milagre, fora de si e ao seu encontro. Passara a vida em silêncio a escutar os outros. As suas vidas e tumultos. Os balancetes e os sonhos que construíam. O diálogo era uma coisa inventada à hora das refeições, para entreter os filhos aos pratos e ao esvaziar do tempo. Ás vezes, respondia com frases ás perguntas que lhe eram dirigidas mas na sua maioria de vezes, nem de monólogo usava, sozinha nos cómodos, na limpeza ou na arrumação dos espaços, na conversão de um lar. O lar da sua família. A presença sem palavras, sem queixumes e lamúrias, sem risos e nem gargalhadas. Reservava a comunicação aos seus pensamentos.

A outra baralhou e voltou a baralhar. Lançou-lhe um olhar do tipo: as vidas são todas iguais no seu limite inferior ou superior. E Rosalina suspirou, respondendo ao olhar com um: sei que pode ler o meu medo. - As cartas baralhadas foram partidas e entregues a uma sorte independente do seu medo. A cartomante dispô-las em 16 casas. Pegou num novo baralho de cartas, desta feita mais pequenas, e pediu a Rosalina que voltasse a partir em cima das dispostas. Prontamente, Rosalina decidiu entregar-se ás previsões do outro lado de lá. Deus, mães-de-santo ou arcanos, todos os que pudessem vir em seu socorro, seriam benvindos.

Não lhe perguntara mais do que: quer realmente saber?

E Rosalina, esposa e mãe de filhos, arrependida e temerosa, desatou num pranto. Que viria a sorte dar-lhe senão a má notícia do que vivia actualmente? Mas Nena, a misteriosa mulher não ouvia o seu pranto e atirou as mensagens das cartas numa enxorrilhada de galego que fez a chorosa mulher parar no tempo, limpando as lágrimas mil vezes derramadas pra um lenço de papel a estrear e amarrotado na hora. - O amor é ingrato? Não se aprisiona numa caixinha bem conservada. Mandou-o sair vezes demais. Que ele saiu mas não foi de vez. Vai experimentar o calor, e olhe que não é coisa recente. É uma experiência afectiva. Não lhe faça a mala. E os documentos não assine. Sejam de divórcio ou de tribunal. Guarde os bens noutras contas, noutros nomes. A outra quererá rifá-lo logo depois. E fale, converse, conquiste. Vá, e ouse passar pelo renovar da mulher. Que tem várias estações. Só não as deixe a todas penduradas no rosto! E lave o rosto com mar.

-Quanto lhe devo?



Saiu apressada. Como se fugisse dele, o benfeitor que a arrasara. Mais que um marido, era o companheiro de sempre, das confidências casuais e sigilosas, dos rompimentos e dos contratos, das discussões e dos pontos de vista partilhados. Fazer o quê com todo o vazio que lhe assomava à boca, em jeito de azia? Onde tinha errado? Onde o tinha perdido? E lá no fundo, sabia Rosalina que o amor não se acabara. Continuava refugiado do seu lado esquerdo, numa espécie de amuleto, o rosto, o nome idolatrado. José Duarte. E ao lado, com mau presságio, o rosto de uma jovem mulher a quem nada devia, nem a perda do marido, com quem ele partilhava agora a cama e os momentos de vida ausentes na dela. Quis gritar com ele, mas não saía um único som da glote. Trocada por alguém sem cumplicidades, sem afinidades, sem mensagens e sem passado. Trocada por um vestido mais curto e ousado, por uns cabelos mais artificiais, por uma imagem de marca sem marca. Por uma mulher sem escrupulos. Não, trocada por um momento de desespero e solidão. Trocada a seu pedido, pelo marido. E agora, chegada a esta encruzilhada da vida, jurava, perante o mar, que qualquer voto no amor-abnegação era em vão. Qualquer milagre, ficitício. Jurava, perante o mar, quebrar o silêncio secular, e pedia a coragem de construir a promessa avessa á sua natureza. Sem apelar a Deus de qualquer religião, ou a arcanos maiores. Tinha que reconstruir o que perdera.




Um prefácio captura


Quando a alma fala
São múltiplas as razões que explicam a escolha da Neurologia como especialidade, desde a curiosidade sobre os mistérios do cérebro, até ao puro prazer intelectual de decifrar os segredos de um diagnóstico difícil, ou ainda o entusiamo de contribuir para uma área da Medicina alimentada pela descoberta científica. É, no entanto, mais difícil compreender porque motivo se opta, dentro do campo da Neurologia, pela neurooncologia pediátrica. Claro que os bons motivos acima assinalados permanecem, mas são atenuados pelo panorama trágico que o clínico enfrenta no seu quotidiano profissional. É certo que, por vezes, também o neurologista de adultos lida com desfechos dolorosos, não sendo agradável, por exemplo, afrontar as consequências de um acidente vascular cerebral ou de uma demência de Alzheimer, já que o sofrimento e o sentimento de perda são o que são em qualquer idade. Contudo, há algo de particularmente doloroso quando as vítimas são crianças, algo de especialmente injusto quando se corta uma vida por viver. Ao contrário da maioria dos pediatras, que - segundo me dizem - se nutrem da alegria de contribuir para que os seus doentes se tornem adultos saudáveis, aos neurooncologistas pediátricos mais não resta do que dizer: "lamento".

No livro notável de Nuno Lobo Antunes, Sinto Muito, ficamos a conhecer a vida de um destes médicos, e descobrimos os motivos da sua escolha profissional. Todos os dias a especialidade lhe oferece a oportunidade de viver de perto o melhor que a humanidade contém. À primeira vista, pode parecer que os benefícios resultam simplesmente do sofrimento dos outros, uma atitude aparentemente bizarra e paradoxal. Mas não há nisso nada de bizarro ou de paradoxal. Pelo contrário, trata-se de uma resposta elaborada, refinada e nobre. A força do autor provém da coragem manifestada pelos jovens pacientes e, em particular, pelas famílias confrontadas com a crueldade do seu destino. Ao invés de adoptar uma visão cínica ou distanciada, o autor mergulha no caos dramático que o rodeia, para lhe dar forma ou razão, para oferecer socorro quando nenhum lhe parece possível. Como o menino que assobia uma melodia alegre para afastar os seus receios, o autor transforma o espectáculo aterrador que os seus olhos enfrentam, e dele retira coragem, e até apaziguamento. No fundo trata-se de uma situação idêntica à que Wordsworth tão bem prescreve, embora para circunstâncias diferentes:"Não nos lamentaremos, antes iremos encontrar força no que para trás ficou".

É possível debruçarmo-nos sobre a humanidade subjacente a esta resposta. As suas raízes profundas encontram-se no mesmo cérebro que, uma vez invadido pelas células cancerígenas, o autor tem de cuidar. Trata-se de uma variante deliberada, cultivada, tragédia Grega. É a mesma resposta que nos permite ler um romance notável, ainda que doloroso - ou ver um filme doloroso que nos emociona - e no fim emergir com mais coragem para enfrentar os nosso próprios dramas, grandes ou pequenos, e com a mais nobre das intenções: o desejo de ajudar os outros.

Sinto Muito é sobre o sofrimento em geral, ou se quisermos, sobre a dor, seguida de perda, seguida de dor. Entristece o coração, para depois o desanuviar e torná-lo mais leve. Não se trata de um livro que siga a presente moda artificial, em que os neurologistas descrevem as bizarrias dos seus doentes, ou deles próprios, na intenção de abrilhantar a cultura. Sinto Muito é o artigo genuíno. Qualquer médico com experiências semelhantes, nele se vai reconhecer, tal como quem quer que tenha estado do outro lado do espelho de Alice. Os leitores não terão dificuldade em confiar nesta nova voz-do-mestre.

Sinto Muito é um título fabuloso, que nos remete, desde logo, para a prosa muitas vezes feliz e rigorosa do autor. Apesar de o cenário ser predominantemente nova-iorquino, a matéria é filtradapor uma sensibilidade portuguesa, tanto emocional como linguística, que a torna nova e sedutora. Quando é sincera, a expressão "sinto muito" não significa o mesmo que "lamento". Esta última é uma expressão formal de lástima, a primeira acentua um sentimento devastador de perda.

A primeira vez que encontrei o Nuno Lobo Antunes, por impossível que pareça, foi há cerca de trinta anos, era ele ainda estudante de Medicina. Na altura, convencido que estava da minha capacidade de julgar as pessoas, previ-lhe uma carreira brilhante. Será preciso insistir na justeza da previsão?

E, no entanto, não foi fácil, de início, ler este livro maravilhoso. De alguma forma, os ensaios lêem-se como se de "memórias" se tratassem, e entrar nas memórias de alguém que se conhece é o mesmo que ouvir, de forma acidental uma conversa que não nos é dirigida. Transgredimos, violamos propriedade privada, e a esta infracção associa-se um sentimento de embaraço e de culpa. Ao pensar melhor, é-nos evidente que tais sentimentos não se aplicam. O desejo do autor é de que os seus relatos sejam "como se" ouvidos sem querer, as suas missivas lidas "como se" por engano. O escritor de memórias pode até desejar que o leitor, em jogo simbólico de "faz-de-conta", sinta a emoção do embaraço ou da culpabilidade, para que o poder de auto-revelação se possa gravar na mente do leitor em dois registos emocionais, um que resulta do próprio tema da escrita, o outro do papel dúbio de observador involuntário.

Nuno Lobo Antunes pretende, com bom propósito e bosn resultados, deixar que o seu coração se pronuncie, que se liberte a sua voz, que seja conhecida a sua humanidade. E, na verdade, a alma fala.


António Damásio, prefácio do livro Sinto Muito de Nuno Lobo Antunes

Los Angeles, Agosto 2008.


É, mais que um atestado de amor, um convite ao conhecimento do universo da dor, uma espreitada ao outro lado do espelho.

Tuesday, January 20, 2009

Moto Boys e Ouro nas caixas de correio

Devemos dar prioridade ao que realmente é importante pra nós. O mundo está voltado pros States devido à tomada de posse de Obama. Acho que sim, é importante. Uma posse importante pra todos os que consideram que a mentalidade humana tem de mudar, que os preconceitos racistas e outros são uma gangrena que não precisamos, a juntar a tantas outras gangrenas que não entendemos. Que na diferença está o driblar e o melhorar individual e colectivo das raças e dos credos, dos conhecimentos e das expectativas de futuro. Fui á consulta de fisioterapia e como o médico estava atrasado, disseram-me ter tempo pra tomar café. Perguntei: Será que dá tempo de passar os olhinhos pelo jornal, aqui no café ao lado? A dona Linda respondeu: Esteja à sua vontade, acho que pode fazer mais do que dar vista de olhos. Ele está atrasado e á sua frente estão duas pessoas. Fui-me ao jornal e ao panike de chocolate, mamei um leite chocolatado de pacote, dois cafés sem nicotina - naquele café fumadores descriminados - e agarrei-me ao jornal que estava livre. JN com parangonas sobre Obama, sobre desemprego, sobre justiça versus crimes, sobre alertas laranja de mau tempo pra toda a Europa. Lembrei-me que o Claudio está de viagem pela Espanha. Tomara saiba conduzir com correntes e diluvios. Estive de relance a tentar perceber o conteúdo - tempo infelizmente desperdiçado - dos artigos sobre economia política, sobre a inflação, sobre o pib, sobre o desemprego, sobre as cumplicidades na tragédia com o resto da Europa, sobre as diferenças da mesma com o mesmo. Sobre o Teixeira dos Santos ser um ministro do mais optimista que temos em Portugal. Sobre as estimativas desactualizadas do estado, sobre as divergências da JS com o Ps no tema da homossexualidade e adopção de crianças por casais homossexuais. Sobre o Estado. Sobre o povo. Sobre a guerra. Sobre a trampa que aumenta a par com todos os outros males, com a fome, com o crime e o desespero de quem não pode contar com o apoio do Sócrates e nem das Câmaras. Porque roubar oficialmente não é punível, desde que o teu nome seja popular, que se fores anónimo e entrares em estabelecimentos pra assaltares, só não és preso se fores inteligente.

Gostei de duas crónicas. Uma de um jornalista, Sérgio de Andrade, desvalorizando os prémios tugas individuais, do tipo Melhor jogador do Mundo, nobel da literatura ou da medicina etc...ainda do tempo do arroz de quinze, do melhor jogador e da melhor fadista do mundo, diz que as Marizas e os Cristianos Ronaldos não são de valorizar o país nem exaltar os ânimos nacionalistas. O país vai mal, se houvesse justiça; emprego, boas políticas de investimento e desenvolvimento, se os direitos de todos fossem zelados e não passados a ferro pelos interesses de outros, se Portugal fosse reconhecido por tudo isso, aí sim, o seu orgulho teria que engolir a indiferença. E não tem razão? Senhores, a Casa do Douro está a pagar ao fisco uma divida de 100 milhões, imaginem, com recursos naturais. O fisco aceita que a dívida seja paga em matéria prima, o vinho. Os portugueses que residem fora sabem bem do orgulho que têm em termos de fado e futebol mas a vida não é só isso. Temos um país pobre com políticos ricos e não dá pra fingir que nada disso acontece enquanto o mundo de se verga á bola do Cristiano Ronaldo ou até da Bárbara Elias. Que o mundo é mais do que isto, medo, fome, guerra, descriminação, opulência, arrogância, maus tratos e por aí fora. De desgraças, temos mais. Ou não teria ocorrido à Universidade de Coimbra levar a cabo o estudo sobre maus tratos nas crianças. Estudo este que veio a confirmar que os maus tratos são uma constante e que tal constante ainda se agrava nos casos de não haver laços sanguíneos. Pior que isto, só dizermos que o mundo dos adultos está irremediavelmente perdido, ou não? Não, enquanto houver marcadores coloridos e gente a lutar pra que se acabe com todo o tipo de violências, a começar pelo seio familiar.

A outra crónica que gostei de ler, de um professor universitário, Alberto Castro fala na nossa mediocridade de não tomar as decisões que devemos tomar, como o empreendorismo da nossa vida. Que mantemos uma relação de amor e ódio com o Estado. Ora o odiamos por não concordarmos com as medidas tomadas, ora recorremos a ele pra nos salvar, através de subsidios e apoios. De facto, é mais fácil dizer mal do que mexer o cu e fazer. E não estamos a falar só no Sócrates ou na sua equipa de "reformistas" socialistas. Qualquer que seja quem esteja a governar, tendemos a odiar como se disso dependesse o nosso equilibrio social. Tal relação dúbia, segundo Alberto Castro, fortalece o poder instituido, o aparelho Estado. Temos que ser mais independentes do Estado. Exercer mais poder na nossa vida. Não estarmos influenciaveis e nem distraídos. E empreendermos mudanças, não estando à espera que seja o governo a efectua-las. É por essa mesma razão que vou abrir um gabinete de psicologia (e outras vertentes) no centro comercial de Penafiel. Tomar rédeas á minha vida, sem esperar que a segurança social me apoie, ou morro sentada de ócio e sem ópio.

Voltando ao Obama, o mundo está tão voltado pra ele que na China fizeram-se milhões de máscaras com o nome do salvador, o messias. É possível que os alertas laranjas e caída da neve - aqui chamam-lhe foleca - consiga assustar a alguns que quisessem ver esta tomada de posse em directo, mas teremos quem nos represente por lá. Portugueses distintos. Eu não estarei lá, infelizmente. Nem Carlos Santos, professor universitário, que lança livro sobre o novo presidente dos Estados Unidos: E agora, Obama?. A editora é a Chancela do Caos e é já no dia 4 de Fevereiro que estará disponível nas livrarias. Este professor de trignometria e política económica da Universidade Católica do Porto foi expondo muitas das suas análises on-line, através do blogue http://ovalordasideias.blogspot.com e o livro é o fechar das análises desde o inicio da campanha do actual presidente dos Estados Unidos. Este E Agora, Obama vai responder á questão que o mundo colocou à presidência de Obama, tendo como prioridades a política externa, a economia, a educação, a saúde. Um livro que não tem a pretensão de qualidade mas de rigor de análise. O calcanhar de Aquiles será, na opinião de Carlos Santos, o financiamento. Quem financiará nos States?

Mas não é tudo sobre escritores. Jacinto Lucas Pires com alguns livros editados e agora, secretamente no mundo musical , edita trabalho discográfico de 6 temas: o meio disco, meio disco este nascido do projecto que abraçou chamado Os quais. Se és curioso como eu, não vais deixar de ouvir. Pra poderes gostar...ou não. Uma má notícia, de lamentar, João Aguarela, vocalista e guitarrista dos Sitiados não vencendo o cancro, morre em Lisboa, com 40 anos incompletos.

Agora e a terminar, venho desta forma agradecer os presentes recebidos de Itaipava e de Goiânia. Amei. E ainda a empresa MotoBoys RGS qual recebi pra além do pacote expedito, pulseirinhas de Bonfim. Uma já está no tornozelo ;) Não há agradecimento nenhum que possa mostra-vos, a vocês moçoilas ou a quem me ler o quanto apreciei a chegada do carteiro hoje. Fui alumiada de sons do serrado e só isso já é ouro. Recebi o Theo, um colar e respectivos brincos e mensagens de amigos. Guardados já prá posteridade. O céu não me mete medo. Plantei sol nos meus jardins. Amigos são mais que poesia, são ouro! Preservem os vossos!

Monday, January 19, 2009



Agonia em valsa lenta


Pisamos folhas e momentos
gritamos palavras e ventos.

Nunca se colocam os pontos nos is,
logo se deslocam, baldando-se á perfeição.
Sobrevivemos a mais uma discussão.

Sunday, January 18, 2009




Tentamos de achas manter a fogueira das afinidades
mas é a das diferenças que nós alimentamos amiúde.

Tuesday, January 13, 2009




Não há ciência nenhuma nas lágrimas nem penicilina
que contenha a dor de alma,
não há maior rudeza que a guerra, nem maior afronta
que o desespero de outro ser humano.
não há mistério nenhum na morte que a vida
não tenha ensinado antes.


Que cemitério edificado salva e leva ao céu mortos em nome da paz?,
ironia dispensada, vultos tombando na cidade
sepulturas sem id e sem tempo, túmulos comuns , valas abertas,
no nosso cérebro as imagens de câmaras obscuras de insanidade
câmaras que vão ocultando patologias incertas


E eu mais crente que agnóstica ou ateia grito por Deus, que não é surdo
que não é árabe, nem curdo, não metralhou no Congo nem em Gaza
e vem de lá da Basileia, despido de raivas e de ódios


- Hey Deus, os homens plantados por ti não vertem seiva mas sangue
não estão isentos de morte mas vão vivendo zombies,
sedentos de reaprender a consciência que perderam.

Friday, January 09, 2009

Paridez do mundo

A frente polar atravessou-se no caminho
e nem o gelo nos tornou mais frios,
mais desumanos, mais surdos e mudos
quando olhamos imagens de guerra distante,
inutil, grosseira, primata, insensata,
entre credos e politicas, entre arrogância e poder,
entre autómatos e reles homens que se esqueceram
da sua condição de viver e, no avesso matam,
sedentos; inocentes e apáticos, e fazem-no
como quem fode
como quem pode,
Na usurpação, na leviandade, na inércia,
no sangue alheio, no colectivo, no eu-entalado
acoitam-se e calam-se direitos distorcidos,
com o apelo a Deus e ao Diabo
confundem-se democracias com ditaduras mascaradas
regicidios e totalitarismos, metralham-se religiões
e teocracias, e então, Deus Procurado
encontra-se em parte incerta, naquele cenário
de hostilidades, gritando a sua desresponsabilização,
perante os livres arbítrios concedidos
As opções são sempre as mesmas: inutilizar o outro,
que de moles, pobres e crentes se limpe o planeta.
De fracos não reza a história, filhos.
Os reizinhos do nada querem governar,
e fazem-no
como quem fode,
como quem pode.

Thursday, January 08, 2009

Peres Feio a Baloiçar-te

Deixa-te ir se gostas de poesia. A apresentação do livro Baloiçar-te será a 14 de Fevereiro, dia dos namorados, por volta das 17h, nas antigas instalações dos bombeiros de Carcavelos. O prefácio foi escrito pelo Tony das Conversas da Treta, irmão do poeta e vai juntar pra além da família, amigos e conhecidos, bloggers e sem ser bloggers e nada de virtualidades. A coisa vai passar-se realmente num espaço físico. Se eu fosse a ti, chegava lá por volta das 16.45h e quem sabe arranjas lugar de pé. Eu quero sentar-me. A Fundação a que Peres Feio preside vai improvisar umas surpresas culturais e deve ser um dia de namorados bem passado. Já imaginaste o mar ao pé, a poesia ao lado e um jantar after the meeting com velas e coisa? Pensa nisso.

Monday, January 05, 2009




Antigamente era fácil falar de rotinas ou de cansaços, de olheiras e de corpos partidos, porque nada disso me deixava mal. Na segurança do amor ou no escaldar da paixão não cabem queixas ou indagações. É um quebrar de corpos sem dor, um esgotar de horas nocturnas onde a rotina do teu suor na minha pele causava dependência do prazer, mamilos espetados furando a palma das tuas mãos, ancas viciadas no samba dos teus quadris, num ir e vir, beijos que caíam, desabavam por pescoços e bocas por coxas e olhos. Equiparava as tuas palavras sussurradas e sedutoras aos murmurios de fundo das conchas do mar, á brisa redentora do final da tarde na colina, antigamente eras o mel que me adoçava os dias. É por isto que escrevo, com receio de que as minhas memórias se percam no fundo do mar que já não somos, numa demência de rituais e febres, num transladar de novas direcções e objectivos. Sou eu a praguejar, ainda viva, ainda presente nos meus deslumbramentos acerca de ti. Ainda presa a momentos de luxo nesse tal planeta de afectos onde o teu nome em neon ilumina corredores e salões, esquinas e ruas convexas. Se te doer o presente, grava-me editada em mp3, pra que possas continuar a viver do passado que já fomos, tu e eu. Mas nesse dia jorra-me pétalas em cima e beija o rosto já manchado de humidade, logo abaixo onde diz : Aqui jaz Saudade.
foto de Dionisio Leitão in Da Mulher



A conjugação limitada


Amas e dizes exigo e mostras intolerância.
Amar assim sai caro
Com juros, impostos e lucros,
que só o fazes até ao sinal vermelho
que depois deles já só odeias
e dizê-lo é feio. E desfeias o acto
Amar, verbo transitivo conjugado
no avesso em que te esqueço ou te possuo.
Eu que te não sei possuir mais do que amar é
não ser incondicional mas voluntário.
Já é bom sem magoar
este verbo, afinal
conjugado no singular.
Eu amo-te com reticências.