Wednesday, December 10, 2008




Que faço deste tempo arrastado
onde só os pássaros enfrentam o gelo
e até os peixes se arrepiam de rio?
Que faço com o vento na cara
se não é uma ave rara
e não vem pelo entardecer
ajudar a recolher
os animais no pasto?
Que faço com a tarde de frio
que amontoou cartas sem selo
dos meus quereres antigos?

Que faço de mim, que faço comigo,
daqui pra sala, da sala
para um livro qualquer
gasturas, suspiros, saudades caladas
e passam, entretanto, anos, vidas
mas nem sombra do teu ombro
Do que me recordo, dos cigarros,
da música, dos escritos
no teu abraço morno?

Que faço eu desta tarde,
que não posso fazer contigo?
que faço com esta data de calendário
que assinala aniversário antigo?
Que faço meu pai, hoje
quando a chuva ameaça
contágio e a desolação traz o teu
nome e sabe a nunca mais?
in Dores d'alma

7 comments:

RUBENS GUILHERME PESENTI said...

oi, me nina, não te sabia poeta. poeta em momentos de ousadias sensuais provocantemente belas. poeta em momentos de um viver amargo que quer sorrir e livrar-se do encargo.
tuga, estou adorando tudo isso!
sorria e gargalhe.
beijão

innername said...

;)
gracias

vida de vidro said...

Poeta, mesmo! Dessa dor tão (bem) gritada. **

innername said...

vocês são simpáticos, mas sabe-me tão bem expressar o que sinto e partilha-lo convosco. Gracias again pela disponibilidade pra leitura, nem sempre agradavel, das minhas dores ;)

RUBENS GUILHERME PESENTI said...

além das dores, também quero, também queremos suas cores.
beijão.

Multiolhares said...

Existe dadas que não passam e ficam a preto e branco gravadas no coração
beijos

innername said...

verdade Multiolhares. Muito do que somos fica reflectindo isso mesmo.
Bom domingo