Monday, December 29, 2008



Perigar o afecto


Ele dizia, não sei se sentido, não sei se-ao-calhas, não sei se conversa de sala, ou num ir-que-me-embalas, que eu despertava o melhor que nele havia, que me absorvendo se vomitava uma pessoa melhor. E a confirmação dos que o rodeavam fazia engrandecer essa constatação, engordando-a.
Pois, devo dizer-lhe que num tempo anterior a si e na procura incessante que todos fazemos pelo equilibrio e pela essência do eu que somos, também sua certamente, eu já me sabia feliz, já sabia fazer feliz, que os outros despertavam sempre, num pontilhado de dias desiguais na frequência e, na intensidade mas sempre presente, a alegria de me gostar e de gostar dos outros em mim.
E esta vida em comum é esta agonia constante, esta castração e cedência, esta mágoa presente e, esta mulher do avesso foi resultado do nós, deste conjunto desnecessário e infeliz para ambos.
Devo dizer-lhe que o comodismo, muito antes de José Régio, quando de mim se abeirou, fugiu. Sou uma inconformada feliz. Porque todas as decisões que tomo são pesadas pelo coração.
Quero subir ao céu e não ao inferno dos outros. E é aí, devo garantir-lhe, é mesmo aí que me encontra ainda, junto a esse nós perfeitamente impossível. Faça alguma coisa, se ainda me quer encontrar nos croquis alinhavados a dois do nosso passado recente. Coz i'm sick of this!

4 comments:

Cosmunicando said...

também tomo as decisões baseada no coração, Nina... e acho que se erra menos, ou até, que se erra com menos pesar.
Teu texto tá muito bem colocado como uma mensagem que urge.
beijos

Papagaio Mudo said...

percetos e afectos.
qual a necessidade humana de se abolir o erro?
com o erro descobrimos coisas, mas estamos sempre em busca de uma perfeição que não existe.
um Forte Abraço.

>¨<

ps: para que te sintas firme.

O Lápis said...

às vezes...

innername said...

obrigado pelo apoio...eu fico firme em mim, mesmo que sozinha e não me arredo. Como as rochas enbrutecidas depois da visita do mar devastador. ;)