Thursday, December 25, 2008

O natal dos ditadores

Em tempo de consumos, não nos chegam as poupanças pra fazer um agrado a todos, mas, principalmente aos nossos filhos que, pensando que temos fábrica de fazer notas de 100 euros, nos consomem o juízo e o pastel. Querem tudo, tudo, de preferência, o mundo já desembrulhado e com todas as suas ambições prontas a consumir. É de lembrar (ou não esquecer) que já fomos daquele tamanho e que as nossas ambições passavam mais longe dos euros e das máquinas e mais perto das viagens, do conhecimento, do descobrir os sonhos possíveis. Quanto mais perto regarmos as ambições milhentas deles, mais ditadores se tornam. A lembrar (não esquecer) que um dia crescerão e sedentos como os trazemos, nem este mundo chegará pra lhes matar a sede e, depois não estaremos cá pra nos culparmos dos erros cometidos pelo excesso e pelo amor de bem fazermos. Ás vezes o bem pode ser uma faca de dois gumes. Melhor ir devagar na satisfação deles. Melhor exigir umas bekas antes. Se não leram o livro de Javier Urra, deviam. O pequeno ditador mostra o rei em miniatura criado em casa de gente boa e é sempre pelo coração que nos tomam a carteira. Vai daí que excessos e caldos de galinha devem ser moderados. Acho que já disse isto, mas é que todos os anos, todos os dias, parecemos esquecer que o amor acarreta outras coisas como disciplina, tolerância e tentativa de nos colocarmos no lugar do outro e, por vezes nos esquecemos ou não temos tempo pra reflectir. Urge olhar em volta e perceber o que está mal e, com pulso, mudar, antes que seja tarde demais. É chã? Da hora de almoço. Abraços multiplianos

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