Wednesday, October 29, 2008




Montanha russa no teu corpo


é um beijar com os dentes todos
como se arrancassemos
a improbabilidade de findar
que sabemos vir,
que adivinhamos cumprido
cedo ou tarde


mas enquanto os fogos arderem
e as línguas lamberem o mosto
não nos escusaremos a
essa mesma intensidade
da escala de sensações,
no ritmo e no rosto
tempestade de brisas doces


há festa que se abre na tua boca
fogos de artíficio
estourados entre abraços
na magia da desmemória
corpos fundidos em renascimento
gritam o fora e o dentro
como partes do mesmo abismo
dessa montanha russa em que nos vimos
e não te vais.


Química, ainda, desenfreada
abre astros nocturnos e cria
poisos às aves e perpetua saudades


Metaforicamente adornada
pelos poetas do amor,
que uns vivem e outros
se recusam a entender,
a paixão devia ser obrigatória.

Monday, October 27, 2008


Carta de marear

Cruzei os mares, por mim
nunca dantes navegados, em ti
no teu universo particular vi medos
senti receios infundados e básicos
imperfeições e suspeitas
e no todo realizei
que há um sonho em cada homem
impossível de ser devorado.
O sonho do amor.
foto retirada da web

Wednesday, October 15, 2008




Elegia ao meu amor


O amor, meu amor, um pardeeiro de sensações e lutas inglórias, de tréguas e guerra aberta,
onde os braços de ferro se mantêm, até muito depois do cansaço de ambos.

Afinal, meu amor, afinal,
o amor, meu amor é um estreito livre onde os voos se fazem individuais.
Eu uso, meu amor, as minhas asas, armas, garras e voo, meu amor, sobrevoando-te por iniciativa livre, com a minha própria adrenalina, meu poder, meu amor, poder de amar-te ou de te desamar, poder que tenho, que tens, que não temos no plural.

E tu segues-me de perto, logo atrás, ao lado, à frente, urgente, diferente ou igual.
Usas o amor, meu amor, pra me ferir, meu amor, e eu, meu amor, fingo que te deixo vencer e quando te vejo de armas baixadas, eu, meu amor, te mato uma e outra vez.
Ataque, cheque-mate. Que morras tu que a mim não me apetece, meu amor, morrer.
Não anoiteço, continuo o voo. E da liberdade quase faço um hino, porque sabes, meu amor, liberdade é a única e mais completa forma de amor que conheço.

Monday, October 13, 2008




Categorias de humanidade


que somos de mutações e mistos
tanto ou mais que pedras e xistos
muito mais que deuses e cristos
bem mais que raçados ou racistas
somos todos todos todos carne
e pele e ossos e lágrimas
por lapso, por definição
devíamos ser
essencialmente humanistas

mas só humanos de segunda
enquanto a xenofobia e o racismo
ditarem leis e regras
e fundamentalismos
enquanto se descriminarem
outros iguais a nós
enquanto a diferença for obstáculo
enquanto gritarmos sem voz!
humanos de categoria
quem sabe, um dia.
foto de Sebastião Salgado in Serra Pelada

Friday, October 03, 2008




Não há nada depois do tudo que tivemos
uma prova de noves fora nada
e por mais contas que façamos
tu e eu já não cruzamos

nem a confiança é um neologismo
nem o meu colo um porto
deixemo-nos de cinismos
de graçinhas de grafismos
não estamos juntos por desporto!


novesforanada dá nada.
foto retirada da web