Friday, July 11, 2008

Não há dia nenhum




Quantos segundos contados pelo marcar do pulso
ora apressados, ora descontentes
no vagar que todas as memórias têem e na dor
que muitas arrastam


Não há dia nenhum que detenha a memória viva
nem leis nem regras
que afinem e encaixem sentimentos
no políticamente correcto


Não há dia nenhum em que o teu rosto não surja do nada
pra me sacrificar ou as tuas palavras mordazes pra me sangrar


Não há e nem vai haver forma de conter o rio
de dor que ficou quando decidiste esconder e mentir
omitir ou devassar sentidos e vidas


Sabes, não sabes?
Que dia nenhum passará
sem que estejas presente neste rio!
Não haverá dia nenhum e nem isso podes impedir.

Monday, July 07, 2008

Pintas



um céu de chuva parda
é terra e pó e nada
deslaçe de ais
balanço de corte final

enxada no ombro, ate já
pá que cobre o teu corpo
tristeza no ar e
este jeito de quem não sabe perder,
nem flores nem caixas
nem fitas nem adubos nem recordos teus
nada pode recuperar-te
oferecias sorrisos em vida
e a comunicação foi cortada.
ainda te chamo, te confundo
viva entre os demais,
chamo-te pintas pintas
e tu não voltas, nunca mais।

não te digo adeus que te mancha a paz
e a marcha na subida aos céus।
sim, porque deve haver um céu para cães agnósticos.



nunca fomos janeiro


fazias-me presa a convenções
arrancando-me os dias
estat calendarizada,
uma cidade histórica e bonita
um porto pra onde voltar
depois da vida


alteravas as necessidades e só me lembro
que o teu rosto era a fogueira perfeita
o teu parecer alimentava-me os dias
podia vir frio, dezembro


ainda de luto, fingias estar resolvido
de negro ando eu meu querido


disputavas o meu pc
a minha atenção
e nem o meu nome sabias
Eu chamo-me a mulher que se esqueceu do amor
em dezembro.